Bridge over troubled laptop

Nicholas Negroponte é o típico gringo. Veste uma calça de sarka marrom, com cinto preto passado até o penúltimo furo e se assemelha a u engenheiro com sua camisa quadriculada surrada e seu óculos pendurado por um barbante ao pescoço. Em recente visita a São Paulo, Negroponte arrastou uma multidão de técnicos, convidados e jornalistas que queriam ver o homem que bota governos na paredes para colocar um laptop de US$ 100 nas mãos de crianças de países subdesenvolvidos. Diretor do MIT, mítico entre NERDs e vestibulandos de computação, Negroponte vende seu projeto muito bem - sabe falar, articula bem todos seus argumentos e se assemelha a políticos a responder uma pergunta sem ser nada objetivo. Pontua frases coom acudez nas entrelinhas ácidas e assume uma postura petulante quando afirma que “se um país não quiser negociar conosco, ok. temos uma lista com mais de 50 esperando”. Centro das atenções e bom de marketing, tem espaço pra fazer o seu show.

Corta a imagem série que se imaginaria do homem forte do OLEPC quando o câmera contratado pela Vivo, responsável pela organização, aponta um spot de luz sobre sua cara para filmá-lo melhor. “Assim não vai funcionar. Compre umas lentes melhores pra você” - ainda que tenha um ponto, Negroponte mastiga as palavras ao falar. Não gostou nem um pouco da presença da imprensa - era um evento exclusivamente técnico, de deixar terceiro-mundanos babando com o PC que nem cara tinha ainda.

Após o show, assessor pega Negroponte e o joga numa sala com um jornalista de um grande veículo. O jornalista insiste que ele sente, Negronponte diz que prefere ficar de pé em três palavras e fica ali, plantado com a mala no ombro, frente ao jornalista. A conversa é rápida. Negroponte responde monossilábico que admira a robustez da Wikipedia e após, três perguntas, encerra o papo. Sai resmungando com seus assessores que “não devia ter imprensa ali” e deixa o jornalista sentado com cara de nada. Atrás, vem o câmera.

Na última semana, Negroponte anunciou que o Brasil deve receber os benditos notebooks gratuitos até o final de 2006. Até lá, com tantos lançamentos, improvável que sua paciência melhore.

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