Aquela urna eletrônica que você usará para votar em outubro próximo (se você lê isto depois de outubro, entenda que uma das maldições do blog é sua temporalidade), que colocou o Brasil como exemplo de eficiência em pleitos eletrônicos, pode agora encaminhar o país para um frondoso vexame.
É fácil: o Tribunal Superior Eleitoral já anunciou que, mesmo com os primeiros modelos e urnas biométricas já prontos, os primeiros eleitores vão desbloquear o aparelho com a impressão digital apenas em 2008.
Não só isto: só em algumas cidades em em caráter de testes.
O principal problema, diz o TSE, é o gasto necessário para que todo eleitor chegue à sua zona e passe o dedinho no sensor após entregar o título pra provar que realmente é si mesmo.
Cálculos do órgão estimam que, para o tiozinho que pesca no rio Tocatins vote por sistema biométrico assim como a madame que flutua suntuosa pela Vila Olímpia, será necessário 1 bilhão de reais.
Por mais que o investimento seja separado em vários ministérios (Planejamento, Ciência & Tecnologia e Casa Civil inclusive), é desnecessário dizer que tanto dinheiro vai demorar muuuuito pra se traduzir em urnas biométricas.
Outro problema: o próprio TSE, em um discurso saudosista, admite que, “no ritmo que a tecnologia anda hoje, quando houve o dinheiro, a biometria por impressão digital pode estar ultrapassada”.
Contas da Procomp, responsável por fabricar urna, apontam um acréscimo de 10% em seu preço final pela inclusão do sensor. Com uma tecnologia mais segura, como o sci-fi da leitura das veias da palma da mão, o preço dobraria.
Antes da dinherama gasta na realidade Jetsons, porém, o TSE pretende garantir que cerca de 30 milhões de eleitores sem título tenham o documento para, no mínimo, votar.
É bom saber que o Tribunal Superior Eleitoral planeja antes utilizar futuras verbas recebidas para tapar o buraco existente entre a grande massa de eleitores do que forjar um cenário high-tech pra poucos.









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