Entries from November 2006 ↓

nokia trends: and we have a winner…

Perdeu o Nokia Trends do último fim de semana? Azar o seu. Ótima organização, tendas bem espaçosas e nada da muvuca do decadente Skol Beats - só não ganha do Motomix por que, veja bem, teve Franz Ferdinand.

Com o trio clássico de rock, o We Are Scientists (em dias de tédio, clica aí e escuta, em Music, a primeira do álbum) faz música eletrônica, como se o Franz Ferdinand tocasse com três doses de ectasy na cabeça. Quebrou aquele maldito hype de bandinha do momento e venceu meu mau-humor.

Já o 2ManyDjs foi aquilo: Madonna, Cansei de Ser Sexy, Bonde do Rolê, Blur, New Order, Eurythimcs, Primal Scream, MC Hammer e até Gun´s Roses em uma hora e meia. Os pais dos mash-ups - favoritos aqui da casa - humilhando a garotada.

E valeu.

o PIC dá seu tchau

O texto é velho (de novo), mas tá valendo (de novo).

*

O show acabou e a AMD fechou a cortina bucolicamente na última semana para o Personal Internet Comunicator - nome pomposo demais pra um produto tecnicamente de menos.

O PIC já tinha sua morte anunciada desde maio por uma série de motivos - configuração falha, conectividade zero e falhas na promoção e no financiamento, como uma fonte dentro da própria FIC, responsável por produzir a marmita no Brasil, avisou.

Por mais que a rival Intel encha o peito pra dizer que “PC popular não pode frustrar o usuário” apenas pra tentar levar vantagem no XO, da OLPC, ela tem um ponto.

Concebido há dois anos, o PIC parecia uma idéia ótimo em aproximas micros pessoais com thin clients, com planos de financiamento para amenizar seu preço de 800 reais por um banco (te lembra o Computador do Milhão, por acaso?).

A aprovação da Lei do Bem e o samaritanismo que colocou projetos de inclusão digital nos planos de grandes fabricantes de TI quebraram o PIC, junto à falha de Ethernet, leitor de CD e conexão à web por outro provedor que não a Telefônica.

Com micros da CCE, Amazon, Positivo e tantas outras a 999 reais no varejo, pra que o PIC?

Só um P.S.. Em comunidado oficial, a AMD Brasil deixa a entender que o PIC foi um laboratório para futuros projetos de inclusão digital. Balela.

No balanço do terceiro trimestre fiscal enviado à SEC, a AMD-mãe deixa claro que o PIC não deu dinheiro. Simples assim.

laptop de U$ 100: the eagle has landed

Em novembro de 2005, Nicholas Negroponte anunciou com o secretário-geral da ONU Kofi Anna o notebook de 100 dólares. Para os brasileiros, a espera termina nesta sexta-feira (24/11).

Negroponte já está no Brasil e deverá participar de um evento com autoridades brasileiras, inclusive…

No final da tarde, a história inteira aqui no Chá Quente.

Quer saber mais sobre ClassMate PC? Não perca a galeria de fotos no Flickr e a crônica sobre a disputa com o XO, da OLPC.

Update:

eu pela lente do XO

O ombro à esquerda é o próprio Nicholas Negroponte.

O notebook de 100 dólares finalmente chegou ao Brasil - pelo menos, pras as mãos dos netos do presidente Lula, como ele próprio assumiu no encontro que teve ontem com Nicholas Negroponte.

Negroponte deu a Lula o primeiro XO fabricado pelo Quanta, numa espécie de agradecimenteo pelo “suporte e motivações irrestritas” que Lula vinha dando ao projeto.

Nestor Kirchner se reuniu com Negroponte nos dias anteriores para anunciar o que já era sabido no Brasil há semanas - primeira carga de laptops e testes educacionais em colégios porteños.

lula, negroponte e cavallo

Outra forma da OLPC agradecer o Brasil tem impacto muito maior na indústria nacional.

Enquanto a produção dos notebooks não sai da China (algum dia vai sair?), o Brasil será responsável por montar todos os servidores usados pelos colégios inscritos no projeto.

O contemplado será conhecido por meio de licitação pública, e ainda não tem data definida para ser conhecido.

Negroponte, porém, já deixa executivos da Positivo e Semp Toshiba cheios de esperança ao citar as duas empresas como prováveis responsáveis pelos 50 mil equipamentos anuais.

A carga de 65 notebooks que serão distribuídos a institutos de pesquisa chegam na segunda-feira (27/11), simultaneamente a Nigéria, Líbia, Argentina e Tailândia.

5 perguntas para Mônica Ramos, fundadora e sócia da DeckDisc

A DeckDisc baixou os preços de suas músicas digitais para R$ 0,99 até janeiro, em promoção semelhante à da Tratore.

Quantas músicas estão disponíveis por 0,99 real?
Temos, no total, 5 mil fonogramas. Mas só podemos fazer a promoção com cerca de 602 arquivos que foram registrados pela gravadora e editados pela editora, junto a um conjunto de 100 videoclips.

Estamos tentando abaixar o preço do download, mas não nada quando chega a 35 centavos, como a promoção da Tratore. Não estou criticando a gravadora, mas com 35 centavos não se paga nem direitos autorais. Podemos até pensar em dumping - artista novo topa o que quiser quando aparece.

Quando chegamos ao preço de 99 centavos, imaginamos que a pessoa faria o download de um CD da mesma maneira que gastasse 14 reais de grandes magazines (nota do Chá Quente: como as bacias de promoções das Lojas Americanas).

É este o caminho?
Acho que sim, mas ainda tem muitas coisas a serem feitas. O problema pro download ser legal é educação. Artista hoje com sucesso chega a 100 mil (cópias vendidas) com sufoco.

Até quando você pretendem manter o peço fora da promoção?
Brasileiros não pagam 1,99 real aqui por que o mercado ainda pede uma melhora. Outro agravante é o Brasil não ter cultura do cartão de crédito. A maior parte de quem faz download tem entre 14 a 28 anos. Não conheço ninguém com 18 anos que tem cartão de crédito. Uma solução seria comprar pelo celular, com débito em conta. Não pagou, não tem telefone.

Outro problema do preço é das gravadoras. A DeckDisc que ser a primeira a chegar Full Track, em que você baixa músicas tanto no celular como no PC, em acordo com com operadoras. Canções a 3 reais é um preço que a operadora tem condição de fazer. Hoje uma pessoa paga 6 reais por uma música no celular.

Por obrigações de direitos autorais, (o preço de 99 centavos por música) se manterá apenas até o fim da promoção (janeiro). 1,99 real é um preço justo.

Qualé sua projeção de aumento nas vendas?
Com o UOL, pretendemos vender 25 mil músicas por mês. Com isto, queremos aumentar em até 500% nossas vendas nos 3 meses.

As gravadora podem seguir o caminho da DeckDisck e da Tratore?
Poder, podem. Elas gastam tanto dinheiro com coisas desnecessárias. Veja o resultado maquiado da EMI, que perdeu 12 milhões de libras (por balanços alterados da filial brasileira). Eles deveriam investir em educação e penetração. Acreditamos nesta batalha. Queremos ser pioneiros em tudo - somos independentes.

tchau, CliqueMusic…

A música brasileira dá um passo pra trás: a CliqueMusic sumiu dos servidores da UOL.

Fundado em maio de 2000, a CliqueMusic se propunha a mapear a música brasileira com a força de nomes como Tárik de Souza, José Ramos Tinhorão e Jairo Severiano, da mesma maneira como o genial AllMusic faz hoje para qualquer gênero.

(Não conhece o AllMusic? Bookmark já, então).

Ao tentar entrar no site, o usuário é agora direcionado automaticamente para o UOL. Mesmo com a amplitude menor que o AllMusic, pela baixa verba publicitária, o site ainda servia para referências enigmáticas no rival gringo.

Update: Ufa. Por alterações técnicas temporárias nos servidores do UOL, o CliqueMusic ficou fora do ar por algumas semanas. Desde a última quarta-feira (29/11), porém, o site voltou ao ar.

A assessoria do UOL informa que as alterações foram feitas “por opções dos próprios donos”. Mudanças em vista no CliqueMusic?

A quem interessar possa…

…a partir de março de 2007, começo a estudar por dois anos a viabilidade comercial da Web 2.0 no mercado brasileiro de internet, como mestrado no curso de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC.

Algum dia, o projeto em Creative Commons vai estar aqui para interessados. O chapa David Lemes também entra na enrascada.

Dois anos de Web 2.0? Aulas na PUC da Consolação? Pedrada financeira no bolso? Tudo isto junto deve ser beeem pior do que suponho agora. Vamoaí.

a Web 2.0 SOA para evoluir

Pra atualizar o teu passaporte, a Polícia Federal oferece online um formulário que qualquer um interessado em viajar complete com dados pessoais.

Entre número do passaporte anterior, nome, CPF e certidões de nascimento e dispensa militar, são 46 campos a ser completados - fora o trabalho de ir até o prédio físico  pra entregar a papelada, transformada de bits em átomos.

Porra, Guilherme, mas fazer passaporte pela internet não é novidade nenhuma. Vamos com calma.

A Web 2.0 dá ao usuário ferramentas que ou facilitam a expressão por meio de blogs, fotos de álbum e publicação de vídeos ou mapeiam comportamentos e gostos pessoais sem muito esforço do usuário.

O preenchimento de um passaporte se encaixa no primeiro. O apaixonante Last.Fm e o Del.icio.us são ótimos exemplos do segundo. A diferença substancial entre os dois modelos estão no destinatário dos dados.

A Polícia Federal tem seu nome, seu endereço e sabe se você já foi acusado de um crime - politicamente, é necessário em qualquer estado centralizar os cidadãos. Já o Last.Fm guarda pra si os dados.

Agora imagine diversos serviços de Web 2.0 com informações pessoais sobre seus hábitos e preferências integrando todos estes dados, numa espécie de SOA da Web 2.0.
Na firrrma, são várias as siglas que definem ferramentas que controlam informações próprias da empresa, da preferência dos seus clientes e de como atender  melhor à demanda, como ERP, EIM e CRM.

O SOA bate todas estas informações  pra criar padrões que uma empresa posso oferecer serviços mais precisos e pontuais para os clientes - vai na onda da Moreira que tu entende tudo direitinho.

Tá, mas que porra isto tem a ver comigo? As músicas que você ouve, os sites que visita, seu gosto para filmes, os links que mais freqüenta, as fotos que mais publica…

Todos estes dados já são conhecidos por empresas online se você é entusiasta da Web 2.0. O SOA da Web 2.0 acontecerá quando todos estes dados forem batidos e aprederem um padrão único seu que possibilite filtros online com a sua necessidade.

Não entendeu ainda? Tuas pegadas podem ensinar a internet a pensar. Aí a gente chega na idéia (beeem primitiva) da web semântica ou, no que já está sendo chamado por aí, da Web 3.0.

A Web 3.0, tema de ótima matéria do NYTimes, seria o exercício de todos estes dados coletados sobre você na febre da Web 2.0. Considerar a Web 2.0 é um erro então? Talvez, se for pensado como fenômeno singular.

o Creative Commons dá a resposta - atualizado

Depois do presidente da IFPI desfazer malas para anunciar os 20 primeiros processos contra brasileiros e bater a porta na cara da Fundação Getúlio Vargas, que tinha se cadastrado pro evento, rolou nesta quinta o troco.

A faculdade de direito da FGV organizou o seminário “O Processo da Música” para debater novos modelos de distribuição de música, baseados, principalmente no Creative Commons, e expor artistas que usaram (e ousaram com sucesso) novos moldes.
Além do dotô Ronaldo Lemos e de figuras da música, como BNegão, Marcelo Camelo e Marcelo Yuka, a FGV convidou representantes da indústria de música, como executivos da ABPD, ADEPI e da Justiça nacional.

Se eles apareceram? Daqui a pouco o Chá Quente conta.

camelo_cc_FGV

Update: É claro que nenhum dos três executivos da indústria da música no Brasil (ADEPI, ABPD e, babe!, IFPI) apareceram no debate. Para o presidente da organização internacional homônimo do presidente Kennedy, a  FGV ofereceu até passagem e hospedagem. Nada.

A resposta dos três, orquestrada para que chegassem mais ou menos no mesmo horário à faculdade com textos similares, segundo palavras de Lemos, alegavam “compromissos assumidos anteriormente”, o que impediu até a presença de representantes.

Os “peões” que fazem o mercado de música digital brasileiro, por outro lado, compareceram em massa.

Além de músicos, como os já citados (inclusive o Camelo, que você vê palestrando aí em cima), produtores musicais (do renomado Chico Neves, que tem “O Bloco do Eu Sozinho” nas costas ao agitador underground Rodrigo Lariú) e diretores de lojas de músicas, como Felipe Llerena, estiveram por lá.

Supreendentemente, até o IDEC resolveu mordenizar seu escopo em proteger o consumidor e esteve lá declarando que o quanto DRMs podem te prejudicar.

O evento atraiu ainda mais atenção para a petição elaborado pela FGV contra a ação da IFPI no Brasil, que ultrapassa as 7,3 mil assinaturas em quase um mês.

Lemos diz que o documento será entregue para deputados selecionados na Câmara (um deles, partidário de causas que resvalam na internet, você conhece muito bem) para tentar dar ao Creative Commons algum respaldo legal.

Pelo jeito, com ou sem Kennedy em terras brasilis.

5 perguntas para Maurício Bussab, presidente da Tratore

A Tratore (que tem artistas altamente recomendáveis pelo Chá Quente, como Cidadão Instigado, Tom Zé, Los Pirata e Hurtmold) baixou os preços das suas músicas até janeiro para 0,30 centavos. Qualé o principal propósito da promoção?
Simplesmente criar hábito entre usuários, fazer com que eles não tenham restrições a comprar disco na internet só por que tá caro. As majors e independentes estão emulando o modelo de venda CD para o mundo digital, e isto é errado. O comportamento de quem baixa música é diferente de quem compra música. Abaixar o preço é permitir a experiência de ouvir várias músicas diferentes. E isto é barato o suficiente pro cara experimentar. Não gostou? Ele não perdeu muito dinheiro de todo jeito.. Discos são comprados na certeza. Eu não compro disco se não sei se gosto ou não.

E quais são as conseqüências esperadas?
Qualquer coisa que aumentar vai ser um aumento indefinido. Não tá vendendo nada, então qualquer aumento é um lucro. É difícil fazer qualquer tipo de previsão de modelo de negócio ou faturamento numa situação desta quando não existe o negócio. Hoje a brincadeira é que o faturamento de música digital, em todas as lojas online do Brasil, é menor que do que reciclar cartucho de impressora (risos). Se queremos que o futuro chegue, alguem tem que trabalhar pra ele.

Qualé o principal problema da música digital hoje no Brasil?

O problema mais sério não é gravadora, mas sim editora, que tem os direitos autorias. Existe um acordo entre elas que o mínimo que uma faixa pode ser vendida é 1,90 real. O próximo contrato pode ser de 2,25 reais, com aumento já programado nos próximos meses. Não sei como fica pro usuário final. Algumas pequenas, como nós, somos editoras e lidamos com composições que não precisam ser editadas, cujo controle dos direitos fica com nós, com editora amiga ou com o artista. Na ponta do lápis, como é uma venda direta com um intermediário (a Megastore, do UOL) não tem transporte e tem imposto de serviço, o resultado é quase igual ao do CD final.

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a lei do Azeredo

O projeto de lei PLC 89/2003 provocou, desde a manhã desta segunda-feira (07/11) aquele estouro de manada digno, na internet brasileira, só de putaria e nojentices.

O Technorati conta mais de 70 posts sobre o assunto, numa média trimestral que chega a uma média de 10 por dia, se muito.

Este post não se concentra em analisar a proposta - qualquer macaco treinado faz considerações sobre a suposta liberdade perdida -, mas sim sobre a reação popular frente à proposta do senador mineiro Eduardo Azeredo, do PSDB.

A maneira alarmista com que muitos leitores se expressaram, tanto no Now! como no UOL Tecnologia e em diversos fóruns de discussão online, revela que a idéia de que a total anonimidade ao se navegar pela internet pulsa bem forte entre usuários nacionais.

Vamos esclarecer alguns pontos, então. Qualquer conexão feita à internet - seja para ler e-mails, responder scraps, postar no blog ou procurar putaria ou nojentices - deixa inúmeros rastros.

Não é só por que você entra no chat como um “Anônimo” que ninguém faz idéia de quem você é. Te lembra da briga entre o Ministério Público Federal e o Google Brasil? No centro da discussão, está a entrega dos endereços IP dos usuários.

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  • o IDG Now! no seu blog

       IDG Now!

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