5 perguntas para Maurício Bussab, presidente da Tratore

A Tratore (que tem artistas altamente recomendáveis pelo Chá Quente, como Cidadão Instigado, Tom Zé, Los Pirata e Hurtmold) baixou os preços das suas músicas até janeiro para 0,30 centavos. Qualé o principal propósito da promoção?
Simplesmente criar hábito entre usuários, fazer com que eles não tenham restrições a comprar disco na internet só por que tá caro. As majors e independentes estão emulando o modelo de venda CD para o mundo digital, e isto é errado. O comportamento de quem baixa música é diferente de quem compra música. Abaixar o preço é permitir a experiência de ouvir várias músicas diferentes. E isto é barato o suficiente pro cara experimentar. Não gostou? Ele não perdeu muito dinheiro de todo jeito.. Discos são comprados na certeza. Eu não compro disco se não sei se gosto ou não.

E quais são as conseqüências esperadas?
Qualquer coisa que aumentar vai ser um aumento indefinido. Não tá vendendo nada, então qualquer aumento é um lucro. É difícil fazer qualquer tipo de previsão de modelo de negócio ou faturamento numa situação desta quando não existe o negócio. Hoje a brincadeira é que o faturamento de música digital, em todas as lojas online do Brasil, é menor que do que reciclar cartucho de impressora (risos). Se queremos que o futuro chegue, alguem tem que trabalhar pra ele.

Qualé o principal problema da música digital hoje no Brasil?

O problema mais sério não é gravadora, mas sim editora, que tem os direitos autorias. Existe um acordo entre elas que o mínimo que uma faixa pode ser vendida é 1,90 real. O próximo contrato pode ser de 2,25 reais, com aumento já programado nos próximos meses. Não sei como fica pro usuário final. Algumas pequenas, como nós, somos editoras e lidamos com composições que não precisam ser editadas, cujo controle dos direitos fica com nós, com editora amiga ou com o artista. Na ponta do lápis, como é uma venda direta com um intermediário (a Megastore, do UOL) não tem transporte e tem imposto de serviço, o resultado é quase igual ao do CD final.

Canções digitais a 0,99 real já é possível no Brasil?
Não vamos voltar ao patamar de preços anterior, mas sim um intermediário. A promoção é pra fazer barulho. Pra ser sincero, o tanto que vamos vender nos meses é menos importante do que criar uma cultura de pagar pela música. Isto é mais importante que o faturamento. Se eu conseguir vender 1 mil faixas por mês, vou soltar rojão. (O resultado) vai depender muito do boca-a-boca. O Brasil tá passando um momento ruim em mercado digital. Estamos atrás na criação deste mercado, com culpa de gravadoras, editoras e até da Apple, por exemplo. Mas a gente tem que começar a mexer.

A internet é uma nova plataforma para independentes?
Não sei nem presto atenção no que elas as majors estão fazendo. É um universo próprio tão separado do resto do universo que não dá pra prestar atenção no que elas fazem. São artistas com práticas comerciais e de licenciamento que não dizem respeito ao que está acontecendo no mundo. Realmente não sei como responder isto. Mas acho que podemos pautas as grandes, sim. A gente (as gravadoras pequenas) tem que pautar. Não podemos mais ser liderados pelas grandes. Precisamos criar nossas práticas. Não sabemos se vai dar certo, mas tentamos. Em janeiro, conversamos.

1 comment so far ↓

#1 5 perguntas para Mônica Ramos, fundadora e sócia da DeckDisc « Chá Quente on 11.23.06 at 4:35 am

[…] A DeckDisc baixou os  preços de suas músicas digitais para R$ 0,99 até janeiro, em promoção semelhante à da Tratore. […]

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