“Estou pensando em comprar uma Britânnica de papel para a minha filha. Ela está em idade escolar, sabe?” Jimmy Wales, pai também da Wikipedia, a maior enciclopédia colaborativa da internet, mostrando não ver rivalidade nenhuma com a vovó do setor.
Entries from December 2006 ↓
frases - Jimmy Wales, criador da Wikipedia
December 6th, 2006 — web social
OLPC x XO: crônica de uma batalha anunciada
December 6th, 2006 — internet
Desde o encontro com Nicholas Negroponte há duas semanas, não me sai da cabeça a impressão de gadget que o XO (o tal notebook de 100 ou 150 dólares) deixou.
Com o delicado teclado verde sob minhas (pesadas) mãos, o notebook educacional que abriu caminho para um pretensioso projeto de inclusão digital se transformou quase em um brinquedo.
Já o ClassMate PC, oficializado no Brasil ontem pela Intel, parece mais sério, seja pela cor mais sóbria da capa de couro ou pela presença do sistema Windows, conhecido de trás pra frente até pela sua tia que só sabe ligar o liqüidificador.
O sistema da Microsoft é um mérito para o ClassMate PC em frente ao novo sistema em Linux, chamado Sugar, (classificado como confuso por comentários no YouTube) desenvolvido pela Red Hat para a OLPC? Sem dúvida, a familiaridade com o Windows descarta investimentos em treino para alunos e professores.
Por outro lado, o Sugar, que tem Marcelo Tosatti como programador, não parece difícil de usar - evidentemente, a presença de Negroponte deixou o manuseio bem mais fácil. Além de contar com teclas especiais, o sistema foi desenvolvido especialmente para os pequenos - não deu pra não lembrar da onda de Tamagotchi que assolou as crianças.
Durante o encontro, Negroponte ainda apontou um slot de memória na parte de trás do notebook que serviria “para rodar Windows no notebook “. O homem que negou licenças gratuitas do Mac OS X incentivando a instalação de Windows em seu portátil educacional?
Não seria espantoso, então, saber que a Microsoft instalou o Windows em XOs enviados pela One Laptop per Child para testes, como noticiou a VUNet também ontem. (Aliás, já viu o laboratório de Apple que a Microsoft tem em Redmond, com 150 Mac Minis?)
A OLPC está correndo atrás do prejuízo? Difícil. No Brasil pelo menos, o que deverá pesar para a adoção dos notebooks deverá passar pelos incentivos ao mercado nacional. CCE e Positivo, credenciados pela Intel, já começaram a agressiva divulgação dos seus ClassMate PCs - espere tensões entre ambas até março.
Pelo lado da OLPC, a produção se mantém na China até os primeiros 5 milhões de notebooks. Mesmo após transpor críticas para fabricar o notebook, a OLPC e Negroponte terão que se reinventar pra atingir o modelo de negócio da Intel, amparado pelos milhões de dólares da maior fabricante de chips do mundo.
ClassMate PC on the wild
December 6th, 2006 — internet
No Flickr, você encontra imagens das versões da Positivo e da CCE do ClassMate PC que circulavam livremente pelo evento em que a Intel anunciou a fabricação nacional do seu laptop educacional. Cortesia de Mário Nagano.
XO: “dê comida, não notebooks”
December 5th, 2006 — internet
Na semana passada, caiu na rede um vídeo do OLPC que vale a pena ser visto -e não é o XO jogando Doom.
A Technical Review, ligada ao MIT, mostra a espinha-dorsal da OLPC Nicholas Negroponte, Seymour Papet e Walter Bender justificando em sete minutos o notebook educacional em aspectos básicos, mas ainda contestados à exaustão.
Exemplo? Por que não dar comida ao invés de dar laptops? Ausente no vídeo, David Cavallo desconstrói a acusação comparando outro fenômeno social: a alfabetização que formou muitos profissionais a partir de pais fazendeiros - seus pais ou avós podem ser ótimos exemplos.
A própria migração urbana da década de 60 pode estar sendo relida nesta década para pais que, mesmo com enormes sacrifícios, não poderiam oferecer educação para crianças por meio de um grupo que coordena grandes multinacionais e governos.
Artigo publicado pelo Pedro Dória nesta segunda pode ajudar você a entender melhor.
Tecnologicamente, um computador “enxuto” (o termo é do próprio Negroponte) poderia refletir no mercado de consumo por tornar a computação mais eficiente.
Ao invés de telas caríssimas e SOs sofisticados, a simplificação do gadget poderia ser benéfico ao usuário após a predominação do que Chris Anderson chama de “desperdício de ciclos de processamento”.
Por fim, a parte mais complicada de todo o projeto - a introdução prática dos aparelhos em classes de aulas - poderá começar a balizar o chamado “ensino digital” se feito de maneira correta.
Cavallo até anteve uma “possível revolução na educação” pelos laptops (ele não cita o OLPC especificamente) na educação mundial. Até lá, o trabalho ainda é grande.
internet em livraria = geek
December 4th, 2006 — internet
É impressão só minha ou tentar achar livros sobre tecnologia até mesmo em grandes livrarias (vide a rede Fnac) ainda é se deparar com calhamaços de guias técnicos para linguagens de programação?
Com paciência, você acha livros sobre cultura digital espalhados em Sociologia, Negócios, Humanas e (pasme) até Marketing. Que falta me faz indicações ao lado das prateleiras…
a marcha suicida dos pingüins
December 4th, 2006 — internet
Pouco menos de uma semana após gravar seu Podcast do Now!, Sérgio Amadeu publicou em seu blog os motivos pelos quais contestou a pesquisa divulgada pela ABES afirmando que 73% dos usuários que compram o Computador para Todos substituem o Linux pelo Windows.
Chamado de “superstar” pela comunidade de código-aberto, Amadeu questiona a área limitada onde o estudo foi conduzido (estados de SP e PR) e questiona por que a ABES demorou cinco meses para sua divulgação.
Sem dúvida, Amadeu tem um ponto quando afirma que o programa “ampliou a base instalada de software livre no Brasil”.
O ex-presidente do ITI, famoso internacionalmente por ter quase ter sido processado pela Microsoft ao afirmar que Bill Gates usava técnicas do narcotráfico, acredita também que a pirataria favorece a Microsoft - idéia menos polêmica do que parece.
Mas ver o estudo como um conchavo entre Microsoft e ABES para difamar o software livre é questionável. Há, sim, um fator que a ABES poderá ficar mais atenta da próxima vez: a percepção do usuário pelo Linux.
É difícil imaginar que o sistema de código aberto ainda não realizou as expectativas alimentadas pelos entusiastas pelo simples desinteresse dos usuários em aprender a mexer?
Sistemas em Linux estão longe de serem difíceis - qualquer samambaia se encontra rapidinho em distribuições como Kurumin, Freedows e Ubuntu. A taxa de 27% deusuários que mantiveram o Linux em casa, esta sim, é surpreendente.
No mais, fabricantes inscritos no programa do governo confirmaram ao Now! que vendedores dentro dos próprios varejos oferecem uma cópia pirata do Windows logo após a compra do PC com Linux. Duvida?
Problema é que, ao ver teorias da conspiração em qualquer material que não rasgue seda ao Linux, a comunidade aumenta um pouco mais o ranço com os códigos livres.
A Microsoft escrita com um cifrão substituindo o “S” ou as críticas (desnecessárias e forçadas) do fanfarrão Steve Ballmer depois do acordo com a Novell não levam a lugar nenhum. Talvez à birra eterna entre quem ainda ache que um sistema deverá enterrar o outro.
companheiro caiçara de classe
December 1st, 2006 — internet
Sabe a chegada do OLPC ao Brasil (e, conseqüentemente, à Argentina, Tailândia, Nigéria e Líbia)? A Intel não vai ficar tão atrás da OLPC (pelo menos no prazo de lançamento) aqui no Brasil.
Os testes do ClassMate PC na Fundação Bradesco, adiantados pelo Chá Quente, foram confirmados pela Intel para o repórter Caio Terreran, da PC World. E isto é a novidade?
Claro que não. Semana que vem te conto.
Update: A Intel oficializou nesta terça (05/12) que vai produzir o ClassMate PC no Brasil - por meio da Positivo e da CCE - para sua introdução no mercado nacional em março de 2007.
Assim como o XO, o Brasil será o primeiro país do mundo a ter os notebooks educacionais da Intel, o que coloca o país como possível líder do movimento - de novo, Brasil-il-il.
Mesmo que Craig Barret tenha aventado a possibilidade do custo de 250 dólares, a Intel voltou a bater com força nos 400 dólares como preço do ClassMate apenas para colégios públicos e privados. Sem varejo.
cifra ainda não foi traduzida em reais nem por Positivo nem por CCE , mas já se fala que o laptop pode sair por 999 reais (isto é conversa de mercado, atente).
Questionado se o assunto tem alguma relação com a recente visita de Negroponte, Oscar Clarke, o bonachão presidente da Intel no Brasil, afirma com convicção que não.
“Mas até parece que ele veio pra cá só pra nos espionar”, entre risadas. Brincadeira, evidentemente.
google brasil, a empresa em forma de holograma
December 1st, 2006 — internet
2 mil garrafas de água por mês? 5 mil refrigerantes e sucos por mês? Desejo de ter um PlayStation 3? Salas com nomes de jogadores de futebol? Tudo isto, o Google fala com orgulho.
Faturamento, previsão de contratações, planos para novos lançamentos no Brasil e até mesmo informações específicas sobre os esforços contra os crimes praticados no Orkut são solenemente ignorados pela comunicação do buscador no país.
No Brasil pelo menos, o Google finge pra imprensa que não existe.
Mesmo sem anunciar, as vagas para brasileiros (em São Paulo, Belo Horizonte e Europa) chegam a 38. Veja lá.










