Entries from February 2007 ↓

OLPC: o servidor empaca, a MPB (finge que) ajuda

O Governo Federal confirmou no final da última semana que a fabricação nacional do servidor usado pela organização One Laptop per Child está “a perigo” (as frases entre aspas são citações literais).

O órgão responsável afirma que o Brasil nem confirmado para a produção, como Nicholas Negroponte prometeu ao visitar o presidente Lula em novembro, está.

O Governoa avalia que Negroponte fez a declaração para diminuir as pressões nacionais para fabricar, sim, o notebook educacional XO - a promessa de Negroponte é encarada como “uma molhada de bico do passarinho”.

David Cavalo, a OLPC no Brasil, confirma o atraso, mas cita “atrasos pelo redesign do servidor” - o Laboratório de Sistemas Integrados, da USP, inclusive, está ajudando na nova configuração.

Até março, promete, ele espera que a licitação para escolher qual empresa fabricará o aparelho sai.

O atraso implica em duas conseqüências diretas: os testes pedagógicos em colégios de Porto Alegre e São Paulo com o XO, também atrasados, não contarão com a proposta original de avaliar também o servidor.

A outra é de fundo moral - não é nada ético o fundador de uma organização dita humanitária mentir sobre promessas que envolvem investimentos financeiros num país de terceiro mundo (não seria contornável nem num de primeiro).

Por isto, creio eu, a acidez da afirmação do Governo parece um tanto exagerada. O próprio Cavallo se apressa em esclarecer (e confundir um pouco mais) sobre a relação próxima, mas com o mesmo nível de cordialidade de uma transação comercial, do Governo com a OLPC.

If it becomes prohibitively expensive to build in Brasil, then it causes other problems. But if that were true then it gives reason to pressure the government that its policies are counter-productive. Since I believe the government truly wants to re-develop a serious microelectronics industry in Brasil, then its policies must enable countries to create competitive products here. let’s see. I am optimistic.

Março tá aí. Enquanto isto, a newsletter da OLPC informa que “XO goes to Carnaval“, com Carlinhos Brown e Chico César se juntando ao projeto para levar os XOs a Salvador e João Pessoa, respectivamente, suas terras-natais.

Só há um problema: as duas cidades que testarão o XO no Brasil, já decidiu o MEC, serão São Paulo e Porto Alegre. Um colégio de João Pessoa testará notebooks convencionais na sala de aula, enquanto Salvador nem no cronograma do MEC figura.

Diz o anúncio que “these artists/community activists immediately saw the benefits for for learning and inclusion”. Blefe da MPB?

Update: Com uma atenção além do corporativismo, David Cavallo esclarece que a ação de Brown e César se dará caso o Governo escolha a plataforma da OLPC para os colégios brasileiros.

E quando diz que “advoga para o envolvimento de muitos grupos para melhorar em escala a qualidade das escolas”, Cavallo tem um ponto: será difícil que Salvador e João Pessoa não recebam os portáteis, caso o Governo decida pela OLPC.

6 perguntas: Edney Souza, fundador do InterNey

Celebridade da blogosfera brasileira, Edney Souza largou seu emprego de gerente de sistemas da Divicom em agosto de 2005 pra viver do InterNey, seu blog.

Aliado a conteúdo de extremo apelo popular (como ele mesmo admite no caso do Gerador de Números da MegaSena), um sistema financeiro de anúncios integrado por Souza entre anunciantes como Buscapé, Google e Mercado Livre são a ele uma renda maior hoje que no seu tempo de firrrma.

Agora, InterNey empacotou sua solução financeira e começa a monetizar (decentemente) blogueiros de certo prestígio, numa jogada que deve dar ao rapaz um papel de padrinho da birrenta problogosfera brasileira (ele mesmo rechaça o termo).

Nascido no final de fevereiro, o InterneyBlogs agrega 21 blogs de começo.

Qual o sistema econômico que você montou e aplicou aos 21 primeiros blogs do Interney Blog?
Hoje, temos de certo o AdSense (do Google) para páginas e uma parceria com o Mercado Livre (parte do projeto Mercado Livre Sócio) para puxar anúncios da maneira mais interessante (para os anunciantes). Desenvolvi um algoritmo que analisa o que a pessoa escreveu, analisa base se dados do Mercado Livre e procura anúncios que tenham relação com texto. Com base nesta relação, ele escolhe os melhores.

O sistema não tá todo implementado. Navegue pelas categorias agora e você verá que a maioria ainda tem anúncios relacionados apenas à matéria principal da categoria (culinária, literatura ou esportes, por exemplo). Financeiramente, o contrato firmando entre Interney e os 21 blogs (até agora) é que pode ser explorado para gerar lucro a partir da audiência gerada. Na divisão, 80% fica com o blogueiro e eu recebo comissão de 20%.

Quem traz mais visitantes, tem participação maior (no lucro). Sinceramente, não quero saber da grana que ele ganha, mas da audiência que atrai. Esta audiência traz credibilidade, por isto estamos valorizando aspectos e blogs de todos os assuntos.

Não pegamos blogueiros novos à toa. Pegamos blogueiros com maturidade, que tem gente que trabalha com escrever e que sabe da importância da qualidade. O que interessa é conteúdo de qualidade. Se deturpar e queimar credibilidade (para atrair mais audiência e,logo, mais dinheiro), pedimos pra sair.

Como foi a estruturação do IB?
Hoje, estou usando o excedente de hospedagem do meu servidor para bancar o início do IB. Quando houver tráfego significativo pra exigir mais banda, vou abater da hospedagem, assim como possíveis despesas com design, que serão discutidas entre os membros.

No dia de estréia, tivemos 3 mil unique visitors. É OK pra o primeiro dia. Ainda tenho hospedagem para dobrar o tráfego do Interney, que recebe de de 3 milhões a 4,5 milhões por mês, com número de page views passando 18 milhões - o Interney é o 113º site mais acessado do Brasil, segundo levantamento feito pelo Ibope em dezembro.

Queremos diversificar os assuntos (já temos cinema e culinária, entre outros). Não temos, por exemplo, blogs sobre games ou sobre carros e tunning. Existem nichos não explorados e queremos achar alguém para preencher esta lacuna. Se fosse pra chamar qualquer um, a gente tinha feito algo e colocado no ar.

Podemos colocar dois blogueiros do mesmo assunto pro usuário apreciar conteúdo de boa qualidade. Ter duas ou três pessoas que escrevem bem sobre o mesmo tema não significa que estamos esgotando o conteúdo.

Você pretende levar este modelo para uma consultoria de SEO, por exemplo?
Muita gente me cobra serviços de SEO pelo PageRank do Interney (nível 7, assim como UOL, Terra, Globo e Mercado Livre. No Brasil, só eles são 7).

Não é objetivo hoje, por que tem muita gente que faz um trabalho de SEO para enganar o usuário em todo o mundo. Você consegue usar técnicas BlackHat que dão resultados bons em curto prazo. Este tipo de profissional deixa de valorizar seu trabalho por que o resultado (do posicionamento em resultados de buscas) tem que ser a médio e longo prazo.

O Google verifica e “desarma” alguns destes truques de vez em quando. Mas, até lá, o SEO já apresentou resultados para o cliente, que fica satisfeito também no curto prazo. Não é ético e pode prejudicar quem trabalha decentemente, por que o Google pode demorar anos para perceber “a falcatrua”. Não gostaria de trabalhar num setor onde você tem que apontar pros outros e dizer que não é legal o que se está fazendo.

Também não acredito que um portal grande contrate meus serviços e me pague uma quantia vultuosa. Se for pro setor, terei vários pequenos clientes. Mas, no mercado brasileiro, ainda não tem gente com conhecimento elementar suficiente para manter este tipo de trabalho (no médio prazo). Fora da web, sou um Zé Ninguém.

O que talvez possa lançar é uma ferramenta que rode em outro sites com espaço para propagandas. Precisamos apenas ver como acordos comerciais deste tipo podem ser fechados. No IB, todo mundo concordou que eu ganhe, faça os cálculos, passe o relatório e deposite (o dinheiro). Existe amizade para formar confiança entre nós. (Com outras empresas), o problema é fazer um contrato com este nível de segurança.

Mas esta monetização de blogs em massa te coloca como um dos principais SEOs do Brasil, não?
Não me considero o principal SEO do Brasil. Só trabalhei com meu site. Precisaria ter trabalhado com uma base maior de sites para dar meu argumento. O modelo financeiro que deu certo no InterNey está rodando no IB. Todas as análises dizem que vai dar certo.

Você já recebeu reclamações sobre o exagero de anúncios no Interney?
Sim. Os anúncios atrapalham a leitura, sim. Mas nunca me causou nenhum tipo de problema. Meu foco é conteúdo. Não escrevo só pra atrair visitantes. Escrevo para coisas que as pessoas querem ler. O visitante vai mesmo que esteja poluído por que sabe que o material é interessante para ser lido.

Existe uma tolerância grande do usuário brasileiro de maneira geral. Não existe esta tolerância quando o post engana o usuário, colocando diversos anúncios no caminho sem entregar o conteúdo prometido no início.

Você se considera um problogger?
Nunca me chamei de problogger por que o Brasil criou uma bolha com o cara fazendo anúncio só para catar clique. Sou um blogueiro profissional, mas se arracansse tudo que não é blog, daria pra viver muito bem. Eu obtenho lucro suficiente para viver.

Agora, não gosto de usar o termo ProBlogger. Quem é, vive em meio às polêmicas. Não quero saber quem ganha quanto com o AdSense. Não vou discutir o que faço com o dinheiro ganho.

Acho que tem pessoas que fazem por merecer as críticas, mas tem um grande exagero de falar que todo mundo é “comunista comedor de criancinhas”. Não quero discutir se aquilo é bom ou ruim para ganhar dinheiro com blogs. Uso isto pra falar de outros tipos de conteúdo.

Yahoo Pipes: mash-ups para massas

As imagens tinham o Flickr. Os vídeos tinham o YouTube. O texto tinha tanto Wordpress como Blogger. A categorização de conteúdo tinha o Digg. O taggemento, o del.icio.us.

E o mash-up, único dos pilares da Web 2.0 ainda sem um aplicativo online para usuários finais, ganhou o Yahoo Pipes no começo de fevereiro.

Usuários finais? Nem tão rápido, rapá. Mesmo que o Yahoo tenha facilitado o desenvolvimento de mash-ups que canalizem informações a partir de diferentes fontes (entendeu o Canos?), mexer no Pipes não é nada simples.

Além de compartilhar, interagir, agrupar e formar comunidades, a tendência de Web 2.0 prevê consumir a informação da maneira mais pessoal do possível - isto envolve palavras-chave de um site, imagens de uma comunidade de fotos e informações que envolvam apenas determinados gostos pessoais ou localizações.

(O LifeHacker preparou um ótimo tutorial que explica os papéis das caixas de diálogos, ligações e formatações do Pipes. Demora um pouco para se acostumar, mas se pega o jeito).

Mesmo trabalhoso, o Pipes aproxima mash-ups da comunidade de entusiastas ou de usuários que, como eu, entendem um mínimo, mas são incapazes de mergulhar nos APIs que o Google oferece para seu Google Maps ou Google Earth carregue informações de milhões de fontes.

O gigante de buscas, aliás, entende do riscado demais - os melhores mash-ups hoje, como informações imobiliárias, turísticas, biológicas e tantas outras, estão sobre os mapas detalhados do Google Earth e à vasta biblioteca de APIs suportadas pelo buscador.

Se chegar ao Brasil o Froogle e o Google Local, como juram de pé juntos fontes do mercado, o mash-up fica ainda mais interessante.

Ainda que longe do ideal para alcançar as massas, o Yahoo Pipes ganhou a classificação de “marco na história da internet” de ninguém menos que Tim O’Reilly, o pai do termo Web 2.0, por mastigar um dos pilares do movimento sem muito tecniquês.

Se o Google quiser entrar na briga, sorte nossa.

egotrip extra - Toda Mídia

Este blog foi destaque na coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá, na edição do dia15 de janeiro de 2007 da Folha de São Paulo. Segue a reprodução do site da Folha (pede senha do UOL).

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O Chá Quente, de novo, agradece tua atenção.

Interney Blogs: nasce o conteúdo aliado ao modelo econômico

Depois do Gardenal e do Insanus, a blogosfera brasileira ganha outro portal de blogs: o Interney Blogs que, ao contrário dos dois primeiros, conta com uma diferença fundamental.

Escorado pelo pioneirismo de Edney Souza (o tal Interney que dá nome ao portal), o primeiro (e talvez principal) problogger brasileiro, o portal já nasce com um modelo comercial empacotado para os 21 diários (algum problema aqui, Fugita?) que congrega.

Pare um pouco pra navegar pelo Interney - a abordagem financeira explícita implica em sérias restrições de conteúdo e usabilidade, com banners e links comerciais polvilhando todo o blog.

Os blogs do Interney Blogs não são assim tão explícitos, mas usam um sistema comercial bolado pelo próprio Souza para transformar palavras-chave dentro dos posts em anúncios pontuais (e, conseqüentemente, grana) - a informação é do próprio Interney.

É inegável imaginar que, com o meio-de-campo do Interney entre anunciantes e blogs que você já ouviu falar, como o Virunduns, o Jornalista de Merda e o Uma Dama Não Comenta, o portal dê uma bela grana.

Puxando a fila dos blogs está o Inagaki (ex-Gardenal), do popular (e copiado à exaustão) Pensar Enlouquece. Amanhã tem entrevista aqui com o Interney e com o Inagaki.

Update: A do InteNey já está no ar. Quando o Inagaki responder, ela também vai. E foi merrrmo, pode conferir.

frases - Oscar Clarke, presidente da Intel no Brasil

“Só queria deixar claro que este é um projeto educacional, não um projeto de notebook” Oscar Clarke, o bonachão presidente da Intel, repetindo o mantra do pesquisador Nicholas Negroponte, fundador da One Laptop per Child, sobre o XO, o popular “notebook de 100 dólares”.

o Joost vai bem, o YouTube vai

Dizer que o YouTube está em risco é arriscado - considere sua imensa popularidade aliada à ação do poderoso Google. Mas é o juggernaut do vídeo online vai se encaminhando para uma situação nada agradável.

Saiu nesta segunda o anúncio da parceria entre Joost e Viacom. O suposto ‘YouTube killer’ poderá transmitir - de graça - programas da MTV e filmes da Paramount Studios - mesmo que haja, nenhum dinheiro foi quantificado no acordo.

Mesmo ainda em Beta - versão 0.7 em testes, vá lá pedir seu convite -, o Joost já conseguiu o que o YouTube não tem: a benção de um conglomerado de mídia, enquanto o site do Google fecha uma série de acordos que, se “legalizam” a presença de canais no site, não apontam para nenhum modelo comercial sustentável.

Enquanto isto, o Google/YouTube vai queimando gordura. E dá-lhe gordura pra queimar da popularidade caso acordos semelhantes sejam fechados - colocar trechos do Letterman, como a CBS faz, não vale.

Outra coisa: assistir ao Joost é rebaixar o YouTube no quesito qualidade. No primeiro, as imagens fluem muito bem a ponto de, aliado a uma ótima interface, seu notebook parecer uma TV. Sem telas pequenas e granuladas.

OK, se o Joost abrir sem filtragens de conteúdo compartilhados, vai ter o mesmo problema legal. E o YouTube ainda é mais legal (não no sentido jurídico, por favor) pela quantidade de videos sensacionais - veja o Do YouTube deste blog.

Mas já são ótimos indicativos pros caras que têm Skype e Kazaa na corcunda.

O Joost ainda não tem data de estréia. Até lá, o Google tem espaço para provar que Mark Cuban não tinha razão.

do youtube/google: elis atrás da porta

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg]

É meio da tarde e o buddie Vinícius Cherobino interrompe meu trabalho com um link do YouTube. “É a Elis cantando ‘Atrás da porta’ depois de terminar um casamento. Foda”. Foram seis dias até que a reprodução do vídeo.

Não há como não concordar com Cherobino. Em palco com uma horrenda roupa dos anos 80, Elis inicia a música de Chico Buarque abatida. E vai desmanchando aos poucos. Esconde o rosto com os cabelos, pressionados pelas mãos em forma de concha.

Quando levanta a cabeça, Elis chora. Copiosamente. Reza a lenda que, na noite anterior, seu casamento com César Camargo Mariano, que arranja e toca piano no show, havia acabado.

No final da canção, uma abatidíssima Elis surrusa que rastejará “até provar que ainda sou tua” com a voz falhada pelo choro.

Uma conversa com a patroa revela que a própria Maria Rita também passou por momento parecido em temporada feita em São Paulo no final de 2004, chorando copiosamente ao cantar “Vero” após o fim do casamento.

Vale o lembrete: o vídeo é nada aconselhável a corações com feridas recentes.

bem-vindo a 2007?

iPhone, YouTube bloqueado no Brasil, configuração do Notebook para Todos, lançamento mundial (e nacional) de um novo Windows (o Vista), TV ainda mais online pelo Joost, 100 milhões de celulares (PDF), Flickr e del.icio.us no Brasil, (suposto) primeiro computador quântico, Second Life dobrando de população em dois meses

E nêgo ainda tem coragem de falar que 2007 só começa agora, depois do Carnaval? O ano começou quente. Vamoaí.

a alegria da Vex no caos dos aeroportos

No meio do caos instaurado em aeroportos brasileiros em dezembro com a chamada “greve branca” de controladores de vôo, uma empresa não teve do que reclamar.

A operadora Vex viu o tráfego dos seus hot-spots, espalhados por todos os aeroportos internacionais brasileiros, aumentar em 6 vezes se comparado ao uso normal.

Mesmo com a explosão no acesso, a crise também minou um bocado o humor de executivos da empresa, presos em vôos domésticos. “Fiquei seis horas no Galeão. Não tinha mais site pra visitar”, diz um executivo da empresa.

  • o IDG Now! no seu blog

       IDG Now!

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