Entries from February 2007 ↓

protegendo a proteção (ou a Microsoft não aprende)

Em junho de 2006, o favorito aqui do Chá David Pogue escreveu um artigo para o NYTimes sobre o lançamento do OneCare Live, antivírus da Microsoft.

Ácido e divertido, Pogue pergunta à queima-roupa: “Por que o usuário deveria comprar um software da Microsoft para proteger outro software da Microsoft?”. E segue:

“Microsoft, the company whose inattention to security made antivirus software a necessity in the first place. “

Vale lembrar que os produtos da Microsoft são alvo tão freqüente de falhas de segurança, que a empresa se viu forçada a marcar um dia do mês apenas para divulgar correções - conhecido como Patch Tuesday.

Foram pouco mais de seis meses pra Microsoft provar a razão de Pogue. Nas primeiras atualizações após o lançamento do Vista, são seis os patches críticos, daqueles que, se explorados, trazem crackers pra dentro do teu PC.

Um deles é para o OneCare Live, exatamente o software que deveria proteger seu computador contra as falhas de software da Microsoft.

E pensar que Symantec, McAfee, Panda, Kaspersky, F-Secure e tantas outras chiaram quando a MS deu seus primeiros passos no setor…

egotrip - fevereiro/07

Semaninhas movimentadas. Vamoaí.

Na quarta-feira, um comentário com o Paulo Henrique Amorim sobre a (espertíssima) proposta do Steve Jobs para abolir o DRM caso as quatro grandes gravadoras concordassem.

Só um aviso: eu não acredito que a carta aberta de Jobs é apenas marketing, como insiste a apresentação do texto.

Lá pelos 10 minutos, Amorim começa a perguntar se eu acho a atitude “apenas marketing” e já emenda um comentário sobre a Economist. Pimba. Pequena distorção que me mexeu com a fúria dos Macmaníacos.

Na segunda, atualização da notícia com comentário sobre a suposta (e possível) venda de canções sem DRM pela EMI.

No fim de semana, Ricardo Bernardo, que monitora a Web 2.0 portuguesa no NaWeb2, colocou no ar uma entrevista rápida, motivada pelo Mestrado, sobre a Web 2.0 no Brasil e os objetivos da pesquisa.

Na semana passada também, Nelson de Sá, da coluna Toda Mídia, da Folha de São Paulo, descobriu (com dois meses de atraso) a listagem dos 10 blogs mais populares da internet brasileira, publicada originalmente em dezembro. Não tem crédito pro repórter, mas tá lá.

Por fim, já está no ar a (belíssima) reformulação do site da Tecnologia da Inteligência e Design Digital com perfil básico e linha de pesquisa - agradeça ao Dolemes, ok?

a segunda vida do brasileiro

Se você tem alguma dúvida sobre o Second Life (como eu jogo?é de graça?meu PC agüenta?pra quê eu preciso disto?), dê uma olhada no FAQ do Second Life dentro do Chá Quente.

PSDB_Second_life

Programada originalmente para dezembro, a versão brasileiro do Second Life deverá estar acessível aos seus pés virtuais em algum ponto de fevereiro - ou na primeira semana de março.

Responsável pelo projeto no Brasil, a Kaizen Games se viu forçada a atrasar o lançamento pela “quantidade de acordos comerciais fechados dentro da rede social” - a informação é do iG.

fecomercio_SL

A primeira foi a Fecomércio, que inaugurou uma réplica do seu prédio na ilha Itaim para ministrar palestras - serviços reais que é bom, nada.

Enquanto a Kaizen mantém as parcerias secretas, as ilhas brasileiras vão crescendo - já existem a Nelore, Berrini, Itaim e Brasil.

A ilha construída pela Kaizen, guardada a sete chaves, é realmente impressionante, segundo os (poucos) estúdios que conseguiram entrar - é ali que estarão réplicas digitais da Avenida Paulista, Cristo Redentor e Copacabana.

Das empresas já conhecidas que estarão no Second Life brasileiro (não confunda com a ilha da Kaizen), estão Cavalera, Performance CG, Gamenetx, MPK Brasil, Mídiadigital, PSDB (acima) e Opice Blum Advogados (que, esclarece o escritório, não tem nenhum acordo com o iG), além da surpreendente Galeria de Arte de Embu das Artes (!!!).

Das ainda secretas, temos um banco, uma universidade, uma construtora e uma agência de publicidade.

A expectativa da Kaizen (”hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje” em japonês, sabia?) é alta: 2 milhões de usuários em um ano. A se considerar a repercurssão no Google da matéria do Fantástico deste domingo (11/02), espere mais.

Se você tem alguma dúvida sobre o Second Life (como eu jogo?é de graça?meu PC agüenta?pra quê eu preciso disto?), dê uma olhada no FAQ do Second Life dentro do Chá Quente.

efeméride II

Em algum ponto da semana passada, o Chá Quente ultrapassou a marca dos 10 mil visitantes. Foram necessários sete meses para tal. Outro motivo para comemorar na semana passada: o Chá Quente adentrou a lista dos 100 mil blogs mais linkados da internet. 10 mil acessos (11 mil and counting) é pouco e até diário adolescente chega aos 100 mil blogs?

Pode ser. De novo, é muito, mas é pouco. E, de novo, meu muito obrigado pela atenção com o Chá.

enfim, o primeiro GSM da Vivo

Quando Claro e Tim consolidaram o GSM como principal tecnologia no país, a Vivo espalhou pela Marginal Pinheiros, em São Paulos, outdoors com seu boneco gelatinoso montado no símbolo do Euro.

O anúncio perguntava “se o cliente sabia qual a tecnologia de última geração usada na Europa” e arrematava dizendo que a Vivo era a única CDMA de São Paulo.

O anúncio da mudança foi tímido, quase envergonhado. A divulgação dos primeiros aparelhos também não poderia deixar de ser. Mas a foto acima prova: já existem SIM cards da Vivo no mercado, graças à dissecação feita pelo buddy Henrique Martin.

Funcionam apenas na cidade de São Paulo no modelo pré-pago em celulares simples da Sony Ericsson, Nokia e Motorola - como o Motofone acima, a versão brasileira da empresa pro celular de 30 dólares.

Update: Daniela Moreira avisa que Roberto Lima, presidente da Vivo, afirmou que chegam em março os primeiros pós-pagos em GSM, completando o portfólio da empresa.

Diz ele também que a operadora não vai investir nada em marketing por que “nosso objetivo é vender serviços, e não tecnologia”. Ah, tá. Finjo que acredito.

Update 2: Ô, cabeça. Logo em dezembro, quando a Vivo começou a vender os aparelhos, o Alexandre Fugita, do TechBits, mostrou ao mundo, pela primeira vez, a cara do cartão SIM da Vivo e testou o aparelho por São Paulo.

O post repercutiu tanto que, entre os comentários, dá pra descobrir que o GSM da Vivo já está em Campinas, São Bernardo do Campo, Goiânia, Rio de Janeiro e, segundo informa o Rigues, Curitiba também. Web 2.0 na veia.

do youtube/google: a Web 2.0

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE]

Para quem acha que entende bem e pra quem não tem a mínima idéia do que Web 2.0 é, uma dica: guarde o vídeo acima para assistir de vez em quando.

Michael Wesch, professor-assistente de antropologia cultural da Universidade do Kansas, espremeu em cinco minutos alguns dos preceitos básicos do movimento, sem se concentrar nos serviços, mas num histórico da web.

Wesch chega ao ponto da web centrada no indivíduo sem termos acadêmicos ou técnicos - seu principal mérito. Não é a toa que é o atual (09/02) vídeo mais linkado no Technorati - com 5 vezes mais referências que o segundo colocado.

Ainda que não esclareça totalmente, é um ótimo ponto de partida para iniciantes e uma espécie de filtro para baboseira que iniciados ouvem (e falam).

No bookmark.

do jornalismo de tecnologia brasileiro

Em uma conversa sobre o mercado brasileiro antes da coletiva, o executivo Hiroshi Kishima, gerente de produtos da Semp Toshiba, me interrompeu para perguntar se eu conhecia alguém do “Estadão online” (as palavras são dele).

Disse que sim, mas só de vista. Perguntou então se eu tinha vazado alguma informação ao veículo, supostamente concorrente. A evidente resposta era não.

Kishima afirmou achar estranho então que a mesma notícia sobre o lançamento do primeiro tocador no formato HD-DVD da empresa tenha sido remarcada para o primeiro semestre deste ano, sendo que a única entrevista que ele havia dado sobre o assunto foi para mim.

No site do Estadão, está a prova para o estranhamento de Kishima.

No mesmo dia 18 de janeiro em que a notícia do Now! foi publicada, Alexandre Barbosa, que estreou um recente blog no portal, assinou nota citando o atraso do player HD-A2 e sua provável chegada ainda no primeiro semestre.

A notícia do Estadão, diz o horário, subiu às 16h54. A original do Now!, 11h38 do mesmo dia 18 de janeiro.

(Caso a notícia seja apagada, cá está uma boa e velha captura da tela, feita na noite desta terça-feira, 6 de fevereiro - clique nela para ler)
copia estadao
Voltei a perguntar com quantos jornalistas ele tinha falado sobre o assunto até então, e Kishima voltou a citar apenas meu nome.

Tente entender: não foi o jornalista que enquadrou a fonte sobre uma possível entrevista do concorrente. Foi o próprio executivo que se revelou surpreso ao dar apenas uma entrevista e ver duas notícias com teor idêntico.

No jornalismo online, é normal que um veículo dê uma notícia antes e que seu concorrente não a descarte por questão de importância. Apura-se a nota de maneira decente e se publica. Aqui, o próprio executivo nega a apuração.

Na real: não me assustaria a cópia de notícias por sites concorrentes (é péssimo ficar calejado neste aspecto), mas me surpreende demais um executivo chamar a atenção para do jornalista que publicou a notícia originalmente sobre o caso.

E não o contrário. Estranho este setor do jornalismo brasileiro que cobre tecnologia - na minha terra (ou em qualquer outra), isto se chama outra coisa.

Update: Agora é novembro e a notícia saiu do ar. Mas o printscreen acima é nosso pastor e nada nos faltará.

da web: grafitti na paulista, correria em todo o mundo

Dois links bacanas roubados do Blog do Marcelo Tas: no primeiro, uma belíssima seqüência feita durante a grafittagem coletiva feita no túnel que liga a Avenida Paulista à Rebouças, em São Paulo, homenageando a colonização japonesa no Brasil.

grafitti_paulista

No segundo, uma idéia simples: arme sua câmera no timer e saia correndo. O Running Camera tem fotos na floresta, pista de corrida, mercado, parque, casa, estacionamento, ponte, escritório…

Arte de um lado, simples diversão do outro.

os três laptops no Brasil. e o dinheiro?

xo_mobilis_classmate

Olhe bem para a foto aí em cima. Em abril (promessa do Governo), um dos três notebooks acima, finalmente fotografados juntos graças a Espartaco Madureira, do MEC, será definido como plataforma educacional para os colégios brasileiro.

Como prova, o Ministério da Educação já tem as três máquinas e começa a definir os testes. Vários institutos de pesquisa já divulgaram ter recebido os portáteis, mas escolas definidas para os testes educacionais ainda são só três.

Os colégios Luciana de Abreu (RS) e Ernani Silva Bruno (SP) receberão os XOs, da OLPC. Já a escola Castelo Branco (RJ), em reviravolta do MEC, receberá o ClassMate PC, da Intel.

O Governo aproveitou para reafirmar que o brasileiro Cowboy está realmente fora do páreo - “o próprio (Eduardo) Morgado (responsável na Unesp) admitiu que não é um notebook”, diz o Governo, fora o uso de Windows CE pela plataforma.

Do lado dos notebooks, a movimentação continua. A Encore, sob a representação da RF Telavos, fabricará o Mobilis no país a partir de abril, mas já avisa: “Não estamos preocupados com a escolha do Governo”.olpc_sitenovo

De novo site (mais claro e com direito a foto de Lula em Purpose), a One Laptop Per Child anunciou a versão B2 do seu XO, com bugs (ainda não divulgados pelo grupo) corrigidos em relação ao primeiro laptop.

Segundo o cronograma da OLPC, a versão final sairá apenas depois da B3 em junho ou julho. O projeto de Nicholas Negroponte contou com a entrada de Uruguai, Ruanda, Chile e Nepal.

Mais que as novidades dos grupos (ou falta de, no caso da Intel), uma dúvida ainda paira: a procedência do dinheiro para comprar os notebooks. O Governo fala no Fust, mas o MiniCom já disse que o Fust sai até o final do primeiro semestre, diz a cumadre Camila Fusco.

Na quinta-feira (08/02) o Chá Quente tem novidades.

Flickr e del.icio.us no Brasil: velório da Web 2.0 está marcado

O ainda crescente mercado de Web 2.0 brasileiro acaba de ter seu velório marcado. O Yahoo confirmou ao palmeirense Ralphe Manzoni Jr. que pretende trazer ao Brasil, ainda no primeiro semestre, versões nacionais de del.icio.us, Flickr e Yahoo Video.

O Valor Econômico já havia adiantado os dois últimos, junto à plataforma de links patrocinados Panamá - o primeiro é novidade.

Sob um olhar catastrófico, a novidade deverá ter um impacto devastador no prematuro mercado nacional de Web 2.0 pelo fato de grande parte das start-ups explorarem modelos de sucesso desenvolvidos lá fora e ainda sem representantes nacionais.

Não chega a ser tão difícil assim. Por mais que trate de dois serviços diferentes (acesso e conteúdo), basta comparar o florescimento de pequenos provedores ocorrido nos início dos anos 90 com a crescente popularização da internet residencial.

Dentre centenas, a partir de quais você, usuário de dial-up, acessa a internet hoje do conforto da sua casa?

O ainda incerto modelo de negócios brasileiro de Web 2.0 se apóia na crença de que haverá usuários suficientemente acostumados com sites internacionais que pagarão um pouquinho por alternativas brasileiras.

Assim, já se parte mal. Com a introdução de arrasa-questeirões no Brasil, o cenário fica ainda pior para os pequenos.

Diz o Yahoo que ainda não há modelo de negócio definido para cada um deles - o Flickr Pro, já se sabe, não será trazido. O investimento estimado de US$ 1 milhão, no entanto, sinaliza para algo mais além da simples tradução. Esperemos, com a vela acessa nas mãos.

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