Entries from March 2007 ↓
March 28th, 2007 — internet, web social
Enquanto a RIAA se enrola em frente aos consumidores que a sustenta, o tecnobrega vai indicando caminhos bem palpáveis sobre como o copyright pode ser repensado.
Em matéria que cita estudo da Fundação Getúlio Vargas (coordenado pelo incansável Ronadl Lemos) sobre o fenômeno musical no Pará, Thiago Ney esclarece na Folha de São Paulo desta terça-feira (27/03) o “open bussiness” que rege o negócio.
Grupos de aparelhagem gravam músicas em estúdios caseiros, espalham entre DJs da região e, conforme o sucesso alcançado, são contratados para shows na região - a grana dos artistas vem daí, uma simbiose com quem grava coletâneas de sucessos que vão rodar de mão em mão.
O mesmo fenômeno, também impulsionado pela massa, mas ignorado pela indústria, deu corpo ao funk carioca até que alguns artistas transbordassem as rádios comunitárias e fossem parar no dial comercial.
A história é muito bem detalhada pelo Sílvio Essinger no “Batidão - Uma História do Funk”, leitura recomendada pelo Chá que ainda vai impulssionar um artigo sobre o fenômeno da Cauda Longa dentro do funk carioca.
Sem preconceitos, por favor.
March 28th, 2007 — internet, web social

Em dois posts escritos em dezembro, Chris Anderson, o editor da Wired e autor da teoria da Cauda Longa, cogita implementar um processo de “transparência radical” na publicação, que abriria processos editoriais internos para a participação do público.
Em seis argumentos no segundo post, Anderson lista os benefícios e riscos que a implementação da chamada Web 2.0 na mídia tradicional (a Wired, no caso) acarretariam à rotina editorial da revista.
Agradável na teoria, a idéia pode se tornar um inferno para redações se não houver uma análise (metódica) das conseqüências, como a oficialização da cópia entre veículos e a enxurrada de pautas desinteressantes no lugar da construção coletiva de conhecimento e divulgações específicas para jornalistas específicos.
Quatro meses depois, o assunto culminou na capa da Wired de abril, em que Jenna Fischer explica, de maneira bem agradável ao público masculino da publicação as vantagens da transparência radical.
Mesmo com a extensa matéria, o projeto de Anderson, bem sabemos, não chegou a ser aplicado na publicação que, bem observou Bernardo Carvalho no BlueBus, faz um evidente culto à Apple (seu blog de Mac chama-se Cult of Mac), a empresa menos transparente do planeta.
Evidentemente, não devemos confundir a humanização do executivo com a transparência radical que a Wired enaltece na sua edição - por mais que se revele “gente como a gente”, Jonathan Schwartz, o CEO da Sun, ainda preza por segredos corporativos da empresa que, em razão do seu capital aberto, devem ser guardados.
Mesmo que fuja à proposta original da revista em cobrir novas tecnologias, a transparência na capa da Wired reflete tanto o crescente poder de influência do público como o estado de fragilidade que se abateu sobre as antes impávidas redações com seus novos blogs.
A imaginada transparência, pelo menos no jornalismo brasileiro de tecnologia, é apenas a segunda parte de um movimento que exige, antes de tudo, o fim de um verniz conservador que ainda separa o jornalista de redação do blogueiro independente.
March 24th, 2007 — internet
Cogitações sobre a andança de executivos da Nintendo internacional pelos corredores da GameCorp, amparadas por informações privilegiadas.
1 - A Nintendo é representada comercialmente no Brasil pela Latamel, empresa do Panamá que prometia a plenos pulmões trazer o Wii ao Brasil desde o começo do segundo semestre de 2006. Há fortes indícios de que a negociação não passa por ela.
2 - No seu Gamer.Br, Pablo Miyazawa cogita que a Nintendo poderia fazer um programa ou mesmo transformar a PlayTV numa Nintendo TV. A idéia é praticamente rejeitada lá dentro por dois motivos: o canal não conseguiria produzir conteúdo apenas da japonesa, mesmo para as poucas horas que funciona e a GameCorp não quer “se queimar” com a Microsoft, única representante oficial de um console no país.
3 - Ao contrário do que indica o senso comum do mercado, a gerência de Fábio da Silva, filho do Presidente, atrai anunciantes. Pelo contrário. Fora a Telemar, que injetou milhões de dólares na GameCorp (assim como fez com a MTV também), a PlayTV não tem anunciantes. Assista aos programas para confirmar.
4 - No meu segundo ano em São Paulo, o GameCube chegou às prateleiras mundiais - inclusive de algumas lojas de brinquedos brasileiras. Nesta época, outdoors espalhados por São Paulo (lembro bem da Brigadeiro Luís Antônio) festejavam tanto o console como o game Metroid. Nenhum anúncio oficial sobre representação oficial foi feito.
March 24th, 2007 — internet, web social
March 24th, 2007 — internet, web social
A premissa de Dante Calligaris sobre a Web 2.0 brasileira, de tão verdade, vai se transformando numa situação deconfortável, senão irresponsável.
A montadora Nissan montou uma nova campanha para vender o novo sedã Setra. A campanha, bolada pela agência TBWA, envolve a criação de uma banda ficcional, a “The Uncles”.
A tal banda conta com site (muito bem feito), onde músicas ouvidas por ouvidos mais treinados detectam um profissionalismo nada digno de quem volta à estrada depois de décadas separados.
A TBWA também preparou entrevistas ficcionais no YouTube com a banda explicando o porquê da volta. Inserções foram feitas também em blogs de entretenimento de amplo alcance, como KibeLoco e Jacaré Baguela - se foram pagos ou não, não se sabe.
A campanha seguia seu tradicional caminho da agência grande que tenta fincar a marca na cabeça do usuário por um viral até que um verbete sobre o The Uncles (já fora do ar) foi criado na Wikipedia.
O erro da TBWA é confundir uma ação esclerecidamente de marketing com conteúdo didático - quem entra na Wikipedia, que permite edições de qualquer usuário, pode realmente acreditar que o material é verdadeiro.
Pode soar perigoso generalizações, mas não chega a ser ficcional afirmar que o departamento de marketing encara divulgações online sem qualquer cuidado (ética também seria uma boa palavra aqui).
Marketing é marketing. Mesmo se avisasse sobre a não-veracidade das informações, o que a TBWA estaria fazendo ainda seria errado e, infelizmente, exemplifica novamente a falta de critério que alguns setores da propaganda online brasileira têm com a Web 2.0.
De novo, para alegria de quem se desgosta com a TBWA (e eu levanto a mão nesta) a comunidade mostra sua inteligência coletiva - o artigo foi votado para ser limado da enciclopédia online.
Em tempo: na apuração, votei pela eliminação, mas um outro usuário desclassificou meu voto por falta de edições. Novo que sou neste lance de Wikipedia, descobri que votos são válidos apenas para quem está acostumado a contribuir. Muito válido.
Ao contrário de outros usuários que desfilam seus méritos na comunidade (e não encare isto como uma crítica), André Koehne usa seu perfil para denunciar a permanência, em votação semelhante, do artigo explicando o “Movimento Pró-Pedofilia”.
Não, não é brincadeira.
March 22nd, 2007 — Uncategorized

Dica para admiradores de Miles Davis em duas mídias. Do lado vanguarda, o Submarino queima CDs do trompetista, como o fodido Kind of Blue por inacreditáveis R$ 14,90 ou a versão dupla do clássico Round About Midnight por R$ 33,90.
Do lado entusiasta (endinheirado), a DiscoMania (Rua Augusta, 560), em São Paulo, oferece vinis lacrados da fase mais madura de Davis, pouco antes da lisergia (e semi-breguice) dos seus últimos anos de jazz-fusion.
Lá você compra Miles in Berlin, Four and More e o übber-romântico Miles Davis in Europe por preços que vão de R$ 60 a R$ 80.
É caro, mas coça o bolso.
March 22nd, 2007 — internet

O New York Times quebrou a reclusão de Robert Crumb para mostrar como vive o cartunista sessentão e sua mulher, Aline, no que eles chamam de Crumbland: uma casa do século 11 em um vilarejo francês. Pra fãs ávidos e novatos atraídos pelo ótimo “American Splendor”.
John Borland, na Technology Review, que tem o poderoso MIT por trás, começa uma série sobre Web Semântica/Web 3.0 com um ótimo mapeamento de tecnologias, histórias deliciosas de bastidores e alguns baldes de água fria essenciais a este hype deslavado.
Na CNet, um artigo de Patrick Faucher, CEO do serviço Nimbit, evoca a genial frase dita por João Marcelo Bôscoli na gravação do podcast do Now!: “como pode um cara que vende música, um bem tão emotivo, ser odiado? pra mim, é um mérito”.
A Folha juntou pensamento aleatórios de Pier Paolo Pasolini, o cineasta italiano supostamente assassinado pelo pai de uma das crianças empregadas no polêmico “Saló”. Passe batido pelo confuso texto de introdução e mergulhe na acidez das frases.
E na Piauí de fevereiro, Ivan Lessa destrincha um suposto desintendimento literário que culimnou com Mario Vargas Llosa enchendo a mão no olho direito de Gabriel Garcia Marquez em 1976 (fofoca literária agora, Guilherme?).
March 20th, 2007 — internet
A Assessoria Especial da Presidência e a própria Unesp negam, mas o MEC testou o notebook educacional Cowboy, nomeado de “Brasileirinho”, entre as opções que poderão chegar às escolas neste (neste?) ano.
A confirmação está na tabela técnica de comparação publicada pelo Piloto do Projeto UCA.
Não custa lembrar que, entre os quatro apresentados na tabela, o Cowboy é o único que não usa Linux - Eduardo Morgado já reafirmou que seu notebook funciona com Windows CE.
March 19th, 2007 — Uncategorized
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=cYkqIqMbRy8]
Na apuração da nota sobre a proibição do peer-content na França, topei com um mini-documentário que explica a guerra civil que Los Angeles se meteu em 1992 após o espancamento do negro Rodney King por policiais brancos.
Mais que a explicação teórica sobre a tensão racial dos Estados Unidos, que ecoam Martin Luter King, o que mais impressiona no documentário são as cenas do riot em si: jovens negros tomam o bairro de South Central.
Berço de Hollywood e segunda maior cidade dos Estados Unidos, Los Angeles foi abandonada pela polícia, que temia pela reação (justificada) da comunidade negra após o espancamento e absolvição dos policiais brancos.
Morreram 60 pessoas. E, incrivelmente, foi há apenas 15 anos.
March 19th, 2007 — Uncategorized
Uma vaga de trabalho no site do Google levantou suspeitas. A presidente para Portugal e Espanha já confirmou. O Wall Street Journal citou suas (precisas) fontes para confirmar softwares móveis.
Em junho, chega ao mercado dos EUA o iPhone. Teremos um Google Phone ainda em 2007?
Mais: quanto tempo até que o Zune ganhe funções telefônicas - reformulações já estão em vista (sem trocadilho)?