Entries from March 2007 ↓
March 19th, 2007 — internet, web social
O New York Times colocou dois críticos para baixar filmes, assistí-los no PC e escrever como a revolução digital poderá afetar nossa experiência cinmatográfica.
Por incrível que pareça, as críticas de Manohla Dargis e A. Scott é bem mais otimista do que poderia se imaginar de um crítico deste naipe (preconceito meu?).
Como diz Scott,
It is now possible to imagine — to expect — that before too long the entire surviving history of movies will be open for browsing and sampling at the click of a mouse for a few PayPal dollars.
Evidentemente, há problemas, como computadores lentos e a total falta de intimidade ainda de cinéfilos mais velhos com a máquina, classificada como “infernal” por Dargis, que continua.
(…)you may soon wonder why you’re spending so much time and energy to watch films you’ve never heard of on your computer rather than watching a “Children of Men” DVD on your dreamy big television.
(Tungado do Olha Só).
March 19th, 2007 — internet, web social
Quer entender melhor a influência que a Rede Globo tem na internet brasileira? Dê um pulo na página de recados do Alemão, do BBB7, e espere alguns minutos para ler novamente a página.
O número de recados se multiplica pela base de quase um por minuto - nas noites de domingo e terça, a taxa é ainda mais rápida (porra, Guilherme, tu não tem nada melhor pra fazer, não?).
Uma pequena nota: na manhã seguinte à matéria sobre Second Life (que também está na capa da Época desta semana) no Fantástico, nada menos que três das cinco matérias mais lidas do Now! até o meio dia eram sobre a rede social - culpe o Google por isto.
Maurílio Shintati (ouça o tranqüilo executivo), o CEO da Kaizen, empresa responsável pelo Second Life no Brasil, não poderia estar mais satisfeito.
March 19th, 2007 — internet, web social
O Massachustes Institute of Technology já tinha colocado na internet material pedagógico baseado em seus cursos que serviriam como um e-learning sem qualquer acompanhamento profissional.
A coisa vai ainda mais longe. O instituto, que apresentou Nicholas Negroponte ao mundo na década de 60, colocará materiais de todos os seus 1,8 mil cursos no OpenCourseWare até o final do ano.
O site deverá acumular transcrições de palestras, apostilas, leituras obrigatórioas e até mesmo podcasts e webcasts com aulas de um dos institutos de tecnologia mais prestigiados do mundo.
Ao Information World Review, Anne Margulies, diretora-executiva do OpenCourseWare, afirmou que não havia como ganhar dinheiro com o conteúdo, por isto resolveu compartilhá-lo livremente.
Parada obrigatória para estudos que envolvam tecnologia.
March 17th, 2007 — internet

Não precisa falar muito. Trabalho do tcheco Pixy.
March 14th, 2007 — internet, web social
Na manhã de ontem, o Slashdot publicou notícia citando o Mumbai Newsline em que o Google teria concordado em repassar à polícia indiana os IPs de usuários envolvidos em manifestações anti-indianas no Orkut.
A notícia motivou comentários inflamados dos usuários, que teriam toda razão, não fosse a imprecisão do Mumbai Newsline.
John Ribeiro, editor do IDG em Bangalore, esclarece numa troca de e-mails que a notícia beira a ficção.
O Google, na verdade, ofereceu às autoridades indianas a mesma ferramenta de aproximação bolada para satisfazer as pressões do Ministério Público Federal quanto à existência de conteúdos maliciosos (leia-se pedofilia, incitação ao ódio, tráfico de drogas e outras benesses da Web 2.0 brasileira).
A entrega dos IPs de mão beijada na Índia, da maneira como o Slashdot esclareceu, seria um tiro no pé tanto na filial Brasil - o MPF viria babando sobre a empresa, que seria obrigada a dar os endereços dos brasileiros - como no headquarter - “Don´t be evil my ass”.
O que realmente intriga é a participação apaixonada da comunidade, a mesma que escalona as notícias que fazem a capa do rival (e cada vez mais algoz) Digg - em 241 comentários trocados, nenhum aventa a possibilidade da notícia estar incorreta.
Mais atento, o BoingBoing embarcou no hype, mas publicou comentários de leitores brasileiros alertando sobre a comida de bola e citando a experiência brasileira.
Enquanto isto, Kevin Rose bebe suas cervejas e dirige também a invasão dos portais de webcasts, como o Revision3.
March 14th, 2007 — internet, web social

Na semana passada (atraso de novo, Guilherme?), a França surpreendeu a internet ao proibir qualquer um que não seja jornalista de registrar um ato de violência.
Caso seja desrespeitada, a lei prevê prisão de até cinco anos e multa de 75 mil euros para o responsável pelas imagens - a multa vale também para sites que hospedem o vídeo.
Evidentemente, como serviços populares de vídeo não estão em território francês, a aplicação da lei na reprodução do vídeo se torna um potencial fiasco.
Ironicamente, a lei foi promulgada 16 anos após o espancamento de Rodney King, cujo registro feito de maneira amadora provocou uma guerra racial em Los Angeles.
O redator da lei, o ministro Nicolas Sarkozy, afirma que a lei pretende diminuir tensões causadas na sociedade pela violência.
Ao invés de exibir e resolver o problema, o Governo da França criminaliza o peer-content para que a sociedade não seja impactada - grupos de liberdade de imprensa, como o Repórteres Sem Fronteiras e o Odebi, evidentemente, já chiaram.
Para desmotivar o crescente (e estúpido) fenômeno de “happy slapping” entre os jovens, a França amordaçou o jornalismo cidadão.
Irônico a proibição vir do país que carrega como um dos seus símbolos a Liberdade adquirida por seu povo na Revolução Francesa.
March 13th, 2007 — internet, web social
Rápidas considerações sobre o acordo entre iG e Google, revelado na semana passada. Outras boas análises saíram tanto pelo Henrique como pelo Ralphe.
1 - É o primeiro contrato de grande porte (leia-se: com um portal) do AdSense no Brasil. Ponto pro iG: as buscas de todos os portais são péssimas. Sorte do Google: a quantidade de conteúdo do iG deve render uma bela fatia publicitária.
2 - Caio Túlio, presidente da Brasil Telecom Internet, comentou que agora o iG pode se concentrar em conteúdo em português de qualidade. A afirmação faz sentido, sim, se o iG mudar da atual aposta em blogs sem links e cópias de Web 2.0 (iGpedia e Minha Notícia, já disse, são de doer) para conteúdo merrrmo.
3 - Líder de conteúdo e de páginas vistas da web brasileira, o UOL não tem um acordo do tipo fechado. Quem fecha? O Google Brasil já disse que o acordo com o iG não é exclusivo, mas deve atrasar futuros outros contratos.
4 - O UOL é conteúdo. A Globo.com é multimídia (vídeo, principalmente). O iG é peer-content. O Terra é acesso banda larga. Se você previsse futuras estratégias de plataformas de links patrocinados, atacaria qual? Eu iria no primeiro.
5 - O Google Apps nem bem saiu do papel e o Google Brasil já aventa a possibilidade de oferecer serviços corporativos pelo iG - o Gmail é o primeiro, uma espécia de laboratório. Nada confirmado ainda.
March 12th, 2007 — internet, web social
A Vejinha, quem diria, usou do seu extenso conteúdo com bares, restaurantes e botecos para turbinar a DicaSP, rede social formulada pelo cumpadre Tharso que se tornou pública na última semana.
A idéia é simples: faça seu perfil, ache seus amigos e escolha os lugares que você conhece, definindo por que você gosta (ou não) de lá com tags e um pequeno resumo.
Além de contar com o apoio da gigante Abril, o DicaSP não aceita conteúdo de usuários - pensou em escreve um review do teu boteco preferido? Não dá.
O Bar do Pedro, no Mercado de Vianelo, com seus pastéis quentes, sua rã frita e sua cerveja no balcão melado, vai ter que ficar pra próxima.
A escolha faz sentido: além da qualidade do roteiro da Vejinha, abrir pro peer-content seria instaurar uma zona que o Orkut conhece muito bem.
Tá nos planos, diz Tharso, que espera encontrar algo que apele à organização que falta ao internauta. Dá um pulo lá.
March 12th, 2007 — internet, web social
Nicholas Carr defende em post recente do seu Rough Type a “blogagem parasita”, como ele bem define - a dica é do Renato Cruz.
Ao invés do conteúdo original, Carr vê como válido o blog como o registro de assuntos, conteúdos e pessoas que façam sentido à uma linha de pensamento ou mesmo ao cotidiano de quem edita o blog.
Carr diz se sentir entusiasmado por fazer parte da definição de uma nova forma de literatura, ao mesmo tempo em que admite ter feito parte, no início, do grupo de jornalistas que afirma que não existiria blogs sem o conteúdo produzido pela grande mídia.
Conhecido por ter questionado o valor de TI num mercado que movimenta bilhões de dólares, Carr parece mais polêmico do que efetivamente é - ainda que se ocupe demais no seu texto em comparações pontuais com um livro que vem lendo.
Valeria até remeter ao artigo “Por que os blogs de jornalistas não funcionam“, de Júlio Dário Borges, não fosse as generalizações, por vezes, preconceituosas contra jornalistas.
(OK, vamos esclarece algo: não defendo classe nenhuma - quem tá dentro sabe muito bem como é -, mas admitir que “nenhuma opinião, jornalisticamente falando, é 100% firme no Brasil” é puritano demais)
Reciclar conteúdo segundo sua própria óptica é algo premeditado pela Web 2.0 (o que são mash-ups?) e até mesmo por outras áreas que não envolvem tecnologia - pense sobre o trabalho de um DJ, como fez o cartunista (e favorito do Chá) Laerte em entrevista à Caros Amigos.
Aqui entraria uma semiótica que o Chá Quente não se propõe a discutir. Carr tem um ótimo ponto quando afirma que não vê graça em blogs que replicam fórmulas jornalísticas, publicando notícias no formato formal que veículos pedem.
Mas o blog pede interação, cumpadre, o que significa que aplicar o que eu chamei de “lei do Gérson da Web 2.0” continua a ser uma filha da putagem digital. Blog também é aplicar seu pensamento sobre um conteúdo criado antes - te lembra daquela história de construção coletiva?
Pra tanto, Thomas McMahon enumera quatro maneiras de referenciar conteúdo alheio sem ser taxado como copião.
Por outro lado, não é obrigação que todos os blogs tenham de servir como um registro de navegação, a não ser que por escolha própria - a referenciação é complementar, não restritiva. O Chá Quente se assume como uma mistura de ambas as posturas.
Se você tem algo interessante a dizer que fuja da verborragia comum em muuuuuuuuuitos assunstos da blogosfera brasileira (muita gente falando o que pouca gente já pensou e definiu muito bem), be my guest.
March 11th, 2007 — internet, web social
Não adianta nada tentar comentar todo assunto que aparece por aí - o Chá Quente, você já deve ter notado, é mais uma coluna de jornal que um amontoado de post-its (e isto é errado? Não sei).
Pra isto, segue o primeiro apanhado de textos achados por aí que merecem alguns minutos (horas, em alguns casos) de atenção em diversos assuntos.
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A Piauí de fevereiro traz um belíssimo artigo do escritor e historiador Simon Schama sobre o talento de Tom Waits em dissecar o “sonho americano” na podridão, aproveitando como gancho o lançamento do triplo (e fodido de bom) Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards.
Ainda na música, a New Yorker publicou um (bom) artigo sobre “Cê”, o novo álbum de Caetano Veloso, rememorando com adjetivos dignos de estrangeiros trabalhos anteriores do baiano. A leitura vale pela credibilidade de Veloso lá fora.
Na BBC Brasil, Ivan Lessa discorre sobre Second Life de maneira um tanto exagerada, admito, mas com um final de matar a pau.
Já a Slate derruba, no “jTunes”, de Paul Collins, a crença de que a venda online de música é sinônimo de explorar a Cauda Longa invariavelmente, com o bloqueio que a Apple fez de artistas regionais na sua iTunes Music Store.
Por fim, a PitchFork entrevista Joe Stevens(acima), fotógrafo que acompanhou pistolões da música entre as décadas de 50-80 - a matéria traz, inclusive, uma prévia do livro com fotos, atrasado em 12 anos (!).