Entries from April 2007 ↓

a nova entidade antipirataria do Brasil

Há duas semanas, o Brasil ganhou a APCM (Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música) em substituição às (fracas) operações nacionais de MPA e IFPI - em ordem, para filmes e música.

O responsável por coordenar o novo órgão, que liderará ações de conscientização e repreensão contra piratas físicos, principalmente, é o delegado licenciado da Polícia Federal Antônio Borges.

Em conversa após o evento, Borges afirmou que seu único contato com pirataria musical havia sido no Paraná em 1997, quanto comandou uma ação que apreendeu milhares de CDs virgens.

Sua nomeação foi aplaudida pelos executivos internacionais dos órgãos presentes. Mas é evidente que a atuação da APCM continuará fraca como suas antecessoras já eram.

É difícil esperar grandes mudanças na abordagem (e mesmo no volume de ações) do órgão com uma direção claramente nada habituada com o mercado nacional de música digital.

E isto não é necessariamente ruim.

A ABPD afirmou que foram baixadas 1 bilhão de músicas no Brasil, mas assume com todas as letras que a fatia dos que baixam é insignificante - é preciso ter banda larga em casa num país em que 79% nunca entraram na web (dados do IBGE).

Por isto, quem baixa músicas pra consumo próprio e não compartilha mais de 5 mil arquivos está fora dos futuros processos contra usuários brasileiros. Mesmo acanhada, a IFPI assume isto com todas as letras.

O foco é o centro do esquema de pirataria que troca os chineses (ou coreanos) presos em ações como a do Stand Center como Lemmings - corta-se os tentáculos, mas o polvo ainda fica ali.

Resumo? A APCM nasceu, o mundo continua rodando no seu eixo e você não vai parar de baixar músicas por isto.

dado novo da Novadata

Notícia rápida. A Novadata, fabricante de PCs e notebooks e participante do programa Computador para Todos, entrou com pedido de concordata.

O por quê? Vou tentar descobrir e já volto.

Update: Eu, não. Taís Fuoco e o santista Alê Scaglia descobriram que a empresa baiana, quinta maior fabricante de PCs em 2005, teve que recorrer à Lei de Falências para não fechar suas portas.

Esta é a versão “oficial” que a empresa confirma, embora não se pronuncie oficialmente. O mercado, no entanto, dá como certo o fechamento da Novadata - entre segunda e quarta da semana passada, inclusive, foi assinado o pedido de concordata.

Não custa lembrar que veio da Novadata a venda do DualBoot (PCs com Windows e Linux) dentro do Computador para Todos, que obrigouo Governo Federal a reiterar que o programa exigia apenas o uso de Linux nos micros.

Eu Curti de cara nova (e sem spammers ?)

O Eu Curti saiu do ar na semana passada, despertando uma incompreensível apreensão na blogosfera - vem cá, alguém ainda categorizava notícia no meio de tanto spam?

A explicação é a explosão de acessos que estourou a banda do site - 15 mil simultâneos. Veja bem: 15 mil não é um número expressivo o suficiente para o rebuliço causado e até mesmo os responsáveis pelo Eu Curti sabem e assumem isto.

No meio da histeria, uma novidade: até o fim da semana, estréia um novo Eu Curti, com interface nova (vai lembrar o concorrente direto Rec6) e com sistema de publicação Pligg 9.0, que promete banir os spammers que encarnam o Gérson 2.0.

A estréia, quer dizer, só acontece com uma condição: se a DreamHost devolver o banco de dados seqüestrado com o estouro de banda.

O estouro, aliás, foi ocasionado pelo acúmulo de acessos e links publicados com putaria referente ao BBB - buscas no Google e acessos direto atrás de fotos e notícias com teor erótico derrubaram o Eu Curti.

Cara e ferramenta novas não implicam em conteúdo novo. E, neste aspecto, se nem Eu Curti nem Rec6 (que decaiu espantosamente rápido nas últimas semana) se aprumarem rápido, a internet brasileira corre risco de não ter Digg interessante nenhum.

do youtube/google: nicolelis e seus macacos biônicos

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=7-cpcoIJbOU]

Quem são os brasileiros que te dão orgulho? Minha (limitada) lista ganhou um nome de peso durante uma apuração: Miguel Nicolelis.

Fanático pelo Palmeiras, Nicolelis é pesquisador do Laboratório Médico da Universidade de Duke. Sua especialização é neurociência e o motivo do orgulho é exemplificado na matéria da BBC acima.

No seu experimento de maior sucesso, Nicolelis ligou os neurônios de um macaco a um sistema eletrônico conectado a um braço mecânico. Após horas mexendo em um joystick, o macaco percebe que pode controlar o braço mecânico com o cérebro.

Foi a primeira conexão feita pela ciência entre chips e neurônio animais, o que abre precedentes para ciborgues de verdade.

Fui descobrir depois que Nicolelis também tem um blog sobre o assunto no G1, o NeuroLog.

Não bastasse, Nicolelis criou um grupo de estudo sobre o assunto em Natal (!) (RN) - é o Instituto Internacional de Neurociência, onde trabalha em conjunto com o pesquisador Sidarta Ribeiro.

blogsxmídia: dois casos do jornalismo online

Duas posições do Chá quanto a recentes casos de jornalismo online.

1 - Me espanta assustadoramente a completa falta de tato com que alguns figurões da grande mídia norte-americana abordaram o norte-americano Paul no seu blog do Live Journal.

Kate, a namorada de Paul, estava em uma das classes da Virginia Tech quando Cho Seung-Hui atacou o campus atirando. Com ele, 32 pessoas morreram. Kate não foi uma delas e ligou para Paul para tranquilizá-lo.

Nas 7 páginas de comentários do seu post, são 9 os convites de grandes conglomerados de comunicação pedindo que Paul fale. Alguns enviam condolências. Outros tratam o assunto com uma impessoalidade além do que a profissão pede.

É o caso de Desiree Adib, produtora (a ou o?) da ABC News.

“please call me, im an abc news producer
desiree.adib@abc.com
or 212 456 7682
thanks.”

Da ABC e ainda pedindo “por favor”? Grande bosta.

2 - A manchete é “HP Stops Selling Printers, Starts Selling Prints”. A reação é ligar para a HP. A frustração com o Slashdot, que já foi muito mais sério e preciso, é crescente - lembra do caso do Orkut na Índia?

A matéria da ZDNet, que motivou o post, não cita o fim de produção de nenhuma linha e se aplica apenas ao mercado australiano (!). De impreciso, o título se mostra completamente falso.

*

A grande mídia e a blogosfera dão bons e maus exemplos de interação.

E ainda teve blogueiro/jornalista que acreditou que os blogs/jornais iam atropelar os blogs/jornais. Tsc tsc.

da web: o rastro d´os gêmeos

gemeos

gemeos_vai

Favoritos aqui do Cha, os gêmeos (é minúscula mesmo, ok?) tiveram uma exposição fodida com direito a recriações 3D dos seus grafittis no 2º semestre de 2006 na Fortes Vilaça - que, inclusive, foi pintada pela dupla.

No Flickr, Lu Terceiro fez fotos sensacionais da exposição para quem não foi à galeria (como eu). Fodidíssimo.

Pra lembrar: o Flickr também traz o set da grafittagem do túnel que liga a Avenida Paulista à Avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, com motivos orientais.

do youtube/google: o homem que arrepia o torcedor

 [youtube=http://youtube.com/watch?v=ZBkIwY2VuC0]

Não esconda: qualquer torcedor de futebol acostumado com a Rádio Bandeirante já se arrepiou com José Silvério gritando gol pra sua equipe. Até hoje, sua narração do último gol da final do Campeonato Brasileiro de 2002 ressoa na minha cabeça - é lindo demais.

O vídeo acima é um “peer-content” de luxo: na cabine da Bandeirante, José Silvério narra o terceiro gol da Seleção contra Gana, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo 2006, filmado pelo comentarista Mauro Beting.

Pelo (belíssimo) gol, pela visão diferente de um estádio na Copa, pela narração ou pelo rosto de Silvério, assista.

Em tempo: estive no Pacaembu assistindo o horrendo jogo entre Santos e Bragantino - se a diretoria santista, aliás, quiser encher os cofres aos pouquinhos, transfere a Vila Belmiro pro Pacaembu.

Num segundo tempo cheio de palavrões da torcida para a péssima atuação do time, uma torcedora de, no máximo, 10 anos, destoava dos gritos. Maldonado pegava na bola e ela: “Vai, cabeludo”. Pro Antônio Carlos, o incentivo, evidentemente, se invertia.

o retorno ao velho del.icio.us

Desisti de usar a nova extensão oferecida pelo del.icio.us para o Firefox. Não deu. Encontrei a novidade no TechCrunch há semanas, que afirmava que, de tão boa, atrairia quem ainda tinha um pé atrás com a rede.

Atualizei. Ao invés de oferecer ícones que taggeam a página sem que ela se feche e que levam o usuário a sua lista de sites favoritos, a extensão acumula as notícias em uma nova barra no Firefox, além de todas as tags usadas pelo usuário num menu parecido ao de Histórico.

Problema é que a extensão deixou meu Firefox lento. Demais. Atualizo meu del.icio.us freqüentemente todos os dias. A cada atualização, o browser travava por alguns segundos para carregar o novo endereço na barra de favoritos.

E, no trabalho, onde fiz o experimento, meu PC está longe de ser uma carroça e a banda é bastante larga.

Em casa, com equipamento menos sofisticado, a extensão original continua funcionando maravilhosamente bem - afinal, não precisa das últimas notícias taggeadas bem na frente dos meus olhos.

Só eu tive este problema?

a história por trás do Moto-A-Porter

Durante o São Paulo Fashion Week, a Motorola resolve convocar blogueiros nacionais e internacionais para cobrir o evento de moda sob o Moto-A-Porter, blog coletivo de moda que gerou debates sobre a validade de uma empresa incentivar o “peer-content” .

Por meio do Blue Bus, Marcelo Tas saiu a público criticando a iniciativa por ser “plantada” pela Motorola. O fundador e editor do Blue Bus, Júlio Hungria, concordou com Tas, afirmando achar “incômoda (para a internet) a promessa dos ‘maiores blogueiros do mundo’”.

A reação foi imediata: no seu blog e no Moto-A-Porter, Marisa Toma, do Objeto de Desejos, classifica o comentário de Tas como um “ataque de ciúmes” e clama a cobertura dos 21 blogs como honesta, mesmo atrelada a uma marca.

O que você não sabe é que a própria Motorola se sentiu incomodada com a polêmica. A começar pelos comentários no post de Marisa no Moto-A-Porter - alguns deles foram publicados, de maneira anônima, por funcionários da Ag_407, que coordenou o projeto.

O comentário número 10, de “ed”, por exemplo, foi publicado por Alex Schönburg, sócio da Ag_407, apresentado poucos argumentos plausíveis (”Come one”???) - as informações vêm de envolvidos extremamente confiáveis.

Mais que isto: após o IDG Now! questionar a Motorola sobre o pagamento de blogueiros nacionais e internacionais, sua assessoria acionou a responsável por fazer a ponte entre a Ag_407 e os blogueiros.

Um e-mail foi disparado afirmando que, caso jornalistas perguntassem sobre remuneração, blogueiros deveriam responder que estavam nesta não pelo dinheiro, mas pela “iniciativa inovadora”e pela “maravilhosa oportunidade” de fazer o blog.

A resposta polida da Motorola se transformou em post no Blog dos Blogs, do editor do Now!, Ralphe Manzoni Jr.

Por fim, a Motorola emprestou a cada blogueiro um aparelho MotoRizor Z3 para tirar fotos e fazer vídeos para o blog, prometendo que o aparelho seria do blogueiro. O evento de moda terminou no dia 29 de janeiro.

Setenta oito dias (and counting) após o SPFW, o celular ainda não foi entregue. Jabá? Cada um escolhe se aceita ou não, mas prometer e não cumprir é, no mínimo, deplorável por parte de uma grande empresa.

Em outubro do ano passado, a Nokia, concorrente mundial da Motorola, fez uma campanha silenciosa na blogosfera, pagando para blogs como o Sedentário& Hiperativo e GameReporter para divulgar boatos sobre o tal de Mysterious Ad.

Comenta-se que a empresa pagou 500 reais a cada blogueiro pela divulgação. O buzz rendeu - veja no BlueBus, no Flickr e no Technorati.

Outras empresas já investem na blogosfera nacional com ações de marketing não tão camufladas como a Nokia - veja a Antártica e os Estúdios Fox com blogs como o Jacaré Banguela, blog do Noel e Marmota.

Até mesmo a Nissan, em sua perigosa campanha da suposta volta da banda “The Uncles” para vender o sedã Setra, recorreu à blogosfera (seria irresponsabilidade dizer se por pagamento ou não).

Na teoria, a iniciativa da Motorola é louvável. Mas sua prática enrolou-se no mesmo corporativo que empresas aplicam na hora de tratar com blogs, vistos como meios de divulgação baratos.

Mais triste ainda notar um certo deslumbramento de quem participou - veja o e-mail enviado por uma das blogueiras para “convencer” seus colegas. Assim, a seriedade se manterá a quilômetros de distância da blogosfera brasileira.

o Google gasta US$ 3,1 bi para ganhar mais

Talvez pela empresa desconhecida ao grande público ou pelo ingrato horário que foi divulgada (sexta-feira à noite, quem lê notícia de tecnologia?), uma nova compra do Google repercutiu menos do que devia.

Fora a quantia - quase o dobro dos US$ 1,65 bilhão gastos com o pop YouTube -, a aquisição da DoubleClick por nada menos que US$ 3,1 bilhões indica um novo passo do gigante (também) da propaganda online para aumentar sua fatia.

A competição era tamanha que a Microsoft, recém-entrada com uma mão na frente e outra atrás, alegou violações de negociações na compra, a maior já feita pelo Google, nesta segunda.

A compra aumenta a rede de grandes companhias que vendem anúncios pelo Google, além de potencializar o setor de banners do gigante de buscas para bater de frente com o Yahoo - única categoria onde este ainda levava vantagem.

Haverá mais anúncios, o que tornará os leilões do AdSense ainda mais competitivos com a entrada de grandes empresas. Haverá integração de ferramantas dos diferentes tipos de propaganda online, como os bons e velhos relatórios de entrega de banner unificados aos de links patrocinados.

E, mais que isto, haverá mais dinheiro no bolso do Google - juntos, fundadores e o CEO do Google valem mais que Bill Gates.

Pra entender melhor a crescente ferocidade do mercado de publicidade eletrônica, duas sugestões: vá primeiro ao excepcional “The Quest for the Perfect Online Ad”, de Paul Sloan, e depois a “How Yahoo Blew It”, em que Fred Vogelstein explica como o mercado de anúncios online escapou das mãos do Yahoo.

Update: Sílvio Meira também escreve sobre o tema, focando na “vitória” do Google sobre Yahoo e Microsoft na compra.

Já o analista David Hallerman escreve para o e-Marketer sobre um possível monopólio do Google no mercado de anúncios eletrônicos.

Achou US$ 3,1 bilhões muito? Só o mercado dos EUA de publicidade online vai movimentar US$ 19,5 bilhões - o faturamento do Google será o dobro do que ele gastou.

Veja o excepcional gráfico abaixo pra entender o problemão de Yahoo e Microsoft.

grafico_propaganda

 

Dá pra entender por que até o Google Brasil pode se dar o luxo de cogitar a compra de um PlayStation 3?

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