Também dentro do especial de 10 anos do Now!, a matéria com operações online que sobreviveram à Bolha ficou mais magra no último minuto.
Decidiu-se não colocar uma empresa nascida como provedora e transformada o portal, o que tirou a NutecNet da parada- a inclusão abriria brecha para um sem número de outras companhias.
De novo, o Creative Commons é o nosso pastor e nada nos faltará.
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NutecNet: do Vale do Silício para a liderança em banda larga
Quem vê o Terra usando sua base de assinantes de banda larga - a maior do país - para se manter na guerra dos grandes portais brasileiros pode não imaginar a tradição que o portal tem no setor de acesso doméstico.
Muitos anos antes de se tornar o portal controlado pela Telefônica, a Nutec, criada em 1987 pelo empresário e surfista Marcelo Lacerda, tinha como pretensão vender sistemas em Unix para o mercado internacional.
O sistema Image, desenvolvido em Unix para terminais em sistemas multiusuários, levaria a gaúcha Nutec a abrir, em 1992, um escritório no Vale do Silício para vender a solução a empresas norte-americanas.
Na Califórnia, a Nutec percebeu o potencial da internet comercial, o que levou a empresa a, dois anos depois, integrar todos seus produtos - que tinha até um browser baseado no Mosaic chamado NutecDesktop Navigator - à web.
Com a experiência no Vale, a Nutec foi convocada por Tadao Takahashi, então presente da Rede Nacional de Pesquisa, para montar o modelo da internet brasileira, às vésperas da quebra do monopólio da Embratel para acesso doméstico.
“O governo nos pediu não um aporte do backbone, mas ajuda para entender aplicativos e sistemas para que o usuário navegasse”, conta Paulo Castro, presidente do Terra.
Quando o Ministério das Comunicações abriu o mercado para novos provedores, a Nutec já tinha experiência com acesso doméstico e serviços bancários na internet - em 1995, a empresa fez tanto um piloto com 4 mil usuários como inaugurou os serviços online de Bradesco e Bamerindus no mesmo dia.
“Em dois meses, lançamos a NutecNet, com acesso disponível para as cidades de São Paulo e Porto Alegre”, relembra Castro, contratado como décima segundo funcionário da Nutec original.
Como o provedor não tinha capital para abrir filiais regionais, resolveu apostar em franquias - se lanchonetes e lavanderias têm, por que não um provedor de internet? A primeira aposta para vender franquias foi na Fenasoft de 95.
“Saímos da feira com oito franquias fechadas, o que nos deu a maior rede nacional naquele ano”, diz Castro. A explosão de procura foi questão de tempo - no final de 96, já eram mais de 80 franqueados atendendo 120 cidades brasileiras.
O sistema de franquias, admite Castro, salvou a NutecNet do estouro da bolha. “Não dependíamos de especulação financeira, já que tínhamos um modelo sólido de negócio”.
No final do mês, eram os franqueados que tinham que pagar a conta, o que salvou a pele do provedor gaúcho, renomeado para Zaz após acordo com a rede regional RBS.
“Para não dizer que não passamos incólume, fomos comprados pela Telefônica” que, segundo Castro, tinha acumulado dinheiro com a movimentação do capital no mercado de internet.
A compra da Telefônica e mudança para o atual nome foi em 99, ano em que o acesso discado ainda era maioria esmagadora. As mudanças decorrentes da explosão da banda larga, sentidas pelo Terra principalmente a partir de 2002, fizeram com que o provedor alterasse seu papel no mercado de internet.
“Agora nos apoiamos tanto no acesso, principalmente banda larga, como na publicidade, que já não é tão incipiente, como nos serviços de valor adicionado, como softwares de segurança e venda de música”, analisa.
Com atuais 2,1 milhões de assinantes (85% são de banda larga, diz Castro), a manutenção da liderança do Terra em acesso domésticos à internet prova que, para se manter na web brasileira, é preciso seguir as voltas que o mundo dá.









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