Entries from November 2007 ↓
November 19th, 2007 — internet, web social

Encontro o assessor cerca de 40 minutos antes do tempo marcado - algo excepcionalmente raro pra alguém com dificuldade de entender a divisão diária por horas. Enquanto ele tentar localiza um terceiro, ficamos sentados no saguão do luxuoso hotel na Barra da Tijuca matando tempo online - estamos em uma conferência sobre internet, nada mais natural.
O terceiro passa com um ar tranqüilo e o assessor corre para se apresentar “antes que alguém o alugue”. Ele pede vinte minutos antes de subirmos e se dirige ao elevador. Matamos mais um pouco tempo tempo esparramados no grande sofá caramelo e, às 8h50, subimos.
Estamos no sétimo andar. O sinal gratuito de internet sem fio usado por dezenas de pessoas no lobby não chega aqui. Uma norte-americano nos seus 50 anos bastante solícita pede que aguardemos. Ele não atrasará, avisa. Dez minutos depois, sai a equipe de filmagem. Nos cumprimentos com a cabeça e ela pede que nós entramos.
Estou dentro do quarto de Vint Cerf, o responsável por você estar lendo este texto agora. Cerf criou, junto a Bob Kahn, o protocolo TCP/IP que permite que cada PC tenha um IP (é, o RG digital) e se autentique em uma rede para navegar.
Entre profissionais da área e qualquer um com um certo conhecimento sobre a história da internet, Cerf é tratado como uma lenda viva.
Foi ele quem criou a base da rede que usamos hoje. Ele percorre o mundo em seminários pagos para falar a centenas de ouvintes suas idéias sobre o futuro da internet. Ele vai a festas dadas em seu nome por entidades que representam grupos de internet e telecomunicações. Ele é evangelista (e atual funcionário mais velho) do Google.
E mesmo assim, Cerf pega seu cartão sobre a mesa assim que seu acompanhante, um americano avermelhado além dos 50 anos, sai da anti-sala transformada em escritório e o estende em minha direção com as duas mãos, fazendo um cumprimento com o olhar.
Trocamos cartões, o assessor puxa uma cadeira e me instalo de frente a ele, olhando por sobre seu ombro para belas coberturas na orla da Barra da Tijuca. Como esqueci meu gravador, lhe aviso que terei que digitar toda a conversa no laptop, que fica aberto de costas para Cerf.
Ele sorri, diz que não tem problema e que tentará falar pausadamente. Pega meu cartão e cita o pesquisador responsável por desenvolver o padrão Ethernet (é bem provável que você também o use para ler isto) simultaneamente ao TCP/IP, que depois assumiu o cargo de publisher na multinacional onde trabalho.
E começa a contar histórias. Com sua barba branca bem aparado e sua fala mansa, Cerf lembra muito bem um avô sem pressa ou, melhor, pressão nenhuma para lhe contar da maneira mais detalhada possível (e sem nenhum media training também) os assuntos que ali lhe parecem mais pertinentes.
Sua amizade com Bob Metcalfe quebra a tensão e, no meio da sua digressão sobre seu papel como evangelista sênior do Google pode ajudar a molecada mais nova que trabalha ali, ele percebe que está falando demais sobre assuntos que podem não ter nada a ver com a entrevista. Ele não pode atrasar.
Pergunto sobre o papel do ICANN dentro das discussões que acontecem no Internet Governance Forum, evento organizado pela Nações Unidas no luxuosos hotel carioca que, além de Cerf, reúne a diretoria do órgão e do CGI, responsável pela internet brasileira.
NO meio de respostas faladas apressadamente, Cerf engasga e pede ao assessor um copo d´água. Toma a água, enxuga a gargante e se desculpa. Falo que não tem problema, não vou transcrever a tosse na entrevista. Ele brinca, me pergunta como se soletra COOOOOFFFFF (como se soletra uma tosse, afinal?) e a conversa segue.
Pergunto sobre a desconfiança do papel do ICANN. Ele parece incomodado e me pergunta se eu assistir a todas as palestras. Respondo que não, seria humanamente impossível. Pergunta se assisti uma só sobre o ICANN. Não, perdi. Ele pensa um pouco, respira fundo e, com um olhar incisivo, afirma que há problemas muito mais urgentes do que se pensar em um novo órgão, como o ministro Mangabeira Unger clamou na abertura do evento.
A cinco minutos do fim, o assessor avisa. Pergunto sobre web semântica. Ele parece ressabiado, fala que Tim Berners Lee sabe melhor que ele e, surpreendentemente para alguém aparentemente tão inseguro, responde devagarinho o que me pareceu a melhor definição já ouvida sobre a tendência. O tempo acaba, o assessor se levanta e Cerf parece assustado quando lembra que tem outra entrevista pela frente. Se despede cordialmente.
Na saída, cruzamos com outra equipe de filmagem. São 9h30. Sem atrasos.
*
Quase 12 horas depois, estou sentado no mesmo saguão onde meu dia começou esperando para entrevistar uma fonte de internet que, após participar de uma mesa de debate, se atrasou. Mesmo que o evento se encerre oficialmente no começo da tarde do dia seguinte, o clima geral é de descontração - para a maioria, será a última noite no Rio.
Há vários grupos espalhados pelo lobby e o apertado bar com parede acarpetadas ali do lado parece não comportar a quantidade de executivos que buscam uma cerveja. Mulheres arrumadas, homens de bermuda e pochete e até uma noiva desfilam pelo saguão.
É daí que aparece Cerf de novo. Não houve uma ocasião que não o tivesse visto no IGF que não estivesse escoltado por uma série de homens engravatados - possivelmente conhecidos ou admiradores. Ele bem apressado, passa pelo bar fazendo cumprimentos leves com a cabeça e se reúne com outros grupo maior. Já perto da porta, onde está minha poltrona, vira-se para o lado esquerdo, me vê e faz, com um sorriso tímido no rosto, um sinal de pistola com o dedo da mão direita. Até agora não entendi o que foi aquilo.
November 19th, 2007 — internet

Preferidos aqui da casa, os Autoramas colocaram (quase) toda sua discografia pra download gratuito lá no TramaVirtual. Aproveita que os dois primeiros discos são difíceis bagarai de achar.
Na mesma onda do Cidadão Instigado, outro que botou seus CDs pra download foi o Wado - ao invés do blog pessoal, os links pros 3 álbuns estão no site oficial da banda. Valem, os três.
November 19th, 2007 — Uncategorized

Ela não é bonita, esta roupa transparente também não ajuda muito e sua fala lembra a de uma criança. Mas escute só como Jussara Silveira canta no “Entre o amor e o mar” que, entre temas marítimos de letras meio duvidosas, relê fados com uma delicadeza fodida.
Baixe aqui ou, se a grana permitir, compre direto pela Maianga. Vale.
November 16th, 2007 — Uncategorized

Até o dia 25, tem mostra comemorando 50 anos de carreira do Zé do Caixão no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Se a caixa ainda é um sonho distante, dá um pulo no centro. São 26 filmes - dos clássicos do terror às semiputarias que o Mojica fez nas décadas de 80 e 90.
November 16th, 2007 — internet, web social
marcelo tas. a descoberta, relatada no blog do sérgio amadeu, foi do próprio tas.
mas a tal descoberta não é algo tão pontual. evidente que é dificílimo apontar o real primeiro usuário da web no brasil. sabe-se que a primeira conexão foi testemunhada por um grupo de pesquisadores, entre os quais demi getschko, o tal pai da internet brasileira.
quem garante que não havia algum civil lá? de qualquer modo, o fato do tas ter sido um dos primeiros é (outra) prova do entusiasmo do rapaz.
November 10th, 2007 — Uncategorized

Norman Mailer morreu. O cara concorreu à prefeitura de Nova York, atuou em filmes e escreveu poesia, mas é foda mesmo escrevendo a prosa realista que depois chamou-se de novo jornalismo - vai ler “Os nus e os mortos”.
Em outubro, a New York publicou uma entrevista em que Mailer, ranzinza e mais conservador que nunca, justificava o apelido de “macho prince of American letters“, botando o cara próximo a um deus.
November 8th, 2007 — internet, web social


Nerd fashion demais. Valeu, Junior.
November 7th, 2007 — Uncategorized
Um dos propósitos de que colocar o projeto original da tese do mestrado no ar era também usar este blog como um apoio para discutir os caminhos do trabalho, além de sanar algumas dúvidas com os poucos aí do outro lado.
E é pra isto mesmo que este post existe. Quase noves meses depois efetivament do mestrado, começou hoje a me incomodar o fato de que não há uma definição concreta sobre qualé o tema que eu quero levar adiante.
Mudanças na proposta são corriqueiras - você pensa em algo teoricamente com grande apelo, mas vê que ou o assunto é grande demais ou que existem questões mais básicas e que te entusiasmam mais a serem estudadas.
Fiquei na primeira. A tal “viabilidade comercial de serviços de Web 2.0” nasceu como uma resposta à esbórnia financeira da bolha brasileira que ensaiava um retorno (pelo menos na cabeça dos empreendedores) pela avalanche de “serviços de web 2.0″ que surgiam aos montes no Brasil.
Mas já parou pra pensar na quantia de alternativas que podem deixar um serviço dito de colaboração e participação do usuário em pé financeiramente? Patentes de tecnologia, terceirização de soluções, venda para empresas maiores (claro, por quê não?) e, o objetivo deste mestrando, conteúdo criado por sua comunidade.
Vamos nos concentrar (ou fazer um recorte mais apurado, como a academia gosta de dizer) então no conteúdo do usuário - porquê não estudar a viabilidade financeira de serviços online que se mantêm com conteúdo criado pelo usuário. Há exemplos de sucesso lá fora? É possível alguém replicar o modelo no tradicionalmente mirrada mercado brasileiro?
Problema que isto se encaminha pra um mestrado em economia, não tecnologia. Como a popularização de gadgets ajudou a ramificar o jornalismo online? Aí a gente cai num mestrado possivelmente de jornalismo, onde haverá de se explicar conceitos de seleção editorial e lançar um olhar crítico na produção amadora de notícias e a obrigação do “novo editor” em saber separar corretamente.
Em conversa com a Lúcia, surgiu a possibilidade de estudar a tendência de serviços que se apresentam como plataformas para que a produção amadora da comunidade digital se transforme em modelo comercial tanto para o serviço como para o amador. Os objetos de estudo seriam exemplos como o do Flickr, que já de maneira bem incipiente, e do Videolog, que intermedeia anunciantes e usuários que produzam campanhas interessantes.
Notou o grifo no digital? O que impedia a comercialização de conteúdo dos usuários antes da internet? Nada. Ela apenas tornou a exploração do conteúdo exponencial no mesmo conceito destrinchado pelo Chris Anderson chamado de “economia da abundância” que apóia a tal cauda longa. Isto é algo a se considerar na tese pra encarar a banca.
Este me parece o caminho a se seguir, mas ainda não há aquela certeza do objeto a ser estudado que me deixaria tranquilo a ponto de já poder começar a colher material (pesquisa, teoria ou apuraçõa jornalística) pra esboçar o esqueleto da tese sem depois não correr o risco de perder parte das informações por uma imprecisão no recorte.
Outra coisa: um jornalista dentro da academia tem uma tendência a se comportar diferente de quem tem a teoria nas veias. Até mesmo leitores para-quedistas deste blog sabem muito bem que, comparado a muitos de meus colegas, referencial teórico é algo inicial pra mim.
Pior: se a tal da proposta aí de cima (esta maçaroca indefinida ainda) vingar, ficará ainda mais difícil buscar referências teóricas. Se você conhecer livros que apresentem modelos pertinentes próprios da internet, avise. Ajudará a aplacar a ânsia de um mestrando amador.
A principal certeza do desabafo todo é uma: se você quer usar um modelo de base pro seu mestrado, espera que um dia este punhetaço acadêmico todo ganha forma.
November 6th, 2007 — internet
Tô falando, tô falando…
Aliás, Brasil já tem country manager. Mas o Last.FM tá procurando também manager pra Japão, Turquia e Reino Unido.
Update: galera, a história do Last.FM no Brasil já saiu no Now! em outubro. Isto aí é apenas desdobramento.
November 6th, 2007 — internet