Entries from January 2008 ↓

os melhores mashups de 2007

mashups2007

Saiu, pois é, o Best of Bootie 2007 há quase um mês - tem mais onze pela frente pra curtir a coletânea, se preocupa não. Baixa aqui ó. As de 2006 e 2005 também tão na roda.

por quê você deve torcer pelo Google no leilão dos 700 Mhz

A Comissão Federal de Comunicações, a Anatel responsável por gerenciar espectro e ditar regras de mercado de telecomunicações norte-americano, começou na última semana a leiloar as licenças para exploração da freqüência de 60 MHz do espectro dos EUA - entre elas, está o bloco C, responsável pela banda de 700 MHz.

Enquanto o Brasil engatinha na TV Digital, os EUA matarão a TV analógica, cujo sinal hoje é propagado pela freqüência de 60 MHz, em 17 de fevereiro de 2009, deixando o espectro vago. Uma das características técnicas da tecnologia são ondas de melhor propagação e menor ruído frente a obstáculos quanto mais baixa for a freqüência.

Como redes de dados telefônicos estão hoje entre os 800 MHz e os 850 MHz, faça a matemática e chegue à conclusão que a banda de 700 MHz é um pote de ouro para a transmissão de dados em uma espécie de banda larga sem fio de melhor propagação e alcance, mas não tão boa em carregar dados, que os atuais serviços 3G nos EUA.

O leilão da banda vaga atrairia tradicionalmente operadoras de telefonia interessadas em montar um serviço de transmissão de dados explorando seus benefícios técnicos ou simplesmente em sentar sobre a licença para impedir que concorrentes ameacem mudar o atual modelo de tráfego de dados sem fio nos EUA.

O interesse do Google no leilão, oficializado no final de novembro de 2007, dá conta do interesse do buscador em algo já testado, ainda em que em grau muito menor, nas redes sem fio gratuitas oferecidas na região de Mountain View - oferecer acesso (gratuito, provavelmente) nacionalmente pelos 700 MHz, já que a licença prevê penetração nos 50 estados dos EUA.

Entenda: operadoras de telefonia queimam aparelhos no mercado, seja ele o norte-americano ou o brasileiro, para atrelar usuários a planos longos em que suas redes são bastante usadasO negócio principal é a rede de dados, não os aparelhos.

Não há nada mais sagrado para uma operadora do que sua rede de telefonia. A relação entre operadoras e fabricantes de celulares segue um círculo vicioso - a segunda faz um celular que agrade o usuário e a primeira o oferece a preços irrisórios. Celular comprado, ganha a fabricantes, que vendeu mais um gadget, e a operadora, que terá serviços de telefonia garantidos por alguns meses em planos fechados.

Um caso raríssimo em que operadoras deram poder à fabricante envolve Steve Jobs e seu iPhone. Da sensacional matéria de Fred Vogelstein, da Wired, sobre os batidores do celular da Apple.

For years, carriers had charged customers and suppliers for using and selling services over their proprietary networks. By giving so much control to Jobs, Cingular risked turning its vaunted — and expensive — network into a “dumb pipe,” a mere conduit for content rather than the source of that content.
(…)
The iPhone cracked open the carrier-centric structure of the wireless industry and unlocked a host of benefits for consumers, developers, manufacturers — and potentially the carriers themselves.

A ameaça que o Google representa para as operadoras já é um ótimo motivo para você torcer por ele. Mas não pára aí. Com o lance mínimo atingido, a FCC exigirá que o ganhador, além de cobrir o país todo, deixe sua rede aberta para que equipamentos ou serviços de outros empresas pudessem acessá-la.

O IDG News Service cita analistas que consideram que o interesse do Google pode ser um blefe. Diz que quer, acompanha o processo de perto, se beneficia do leilão anônimo e, com os medo das operadoras tradicionais, sai do processo sem a exigência de gastos bilionários na construação de infra-estrutura, mas com uma rede aberta para seus serviços.

Como todo leilão, quem der o maior lance leva. Na 17º rodada, um participante anônimo (os vencedores serão conhecidos só após todas os 1.099  blocos terem sido arrematados) ofereceu US$ 4,7 bilhões. Ninguém cobriu na rodada seguinte. Ainda não terminou - lances podem ser dados até que todos os blocos tenham propostas.

Uma suposta vitória do Google seria profana - uma empresa de dados no controle de dados não veria a rede proprietária como uma forma de reaver seu caro investimento cobrando muito por conteúdo, mas liberando o tráfego até certo ponto para que outras formas de gerar dinheiro fizessem seu papel (não dá pra não lembrar do AdSense aqui).

A principal razão para você torcer pela vitória do Google é saber que, hoje, ele é uma ameaça real que pode forçar operadoras de telefonia, atualmente tão certas de si a ponto de ofereceram serviços péssimos a seus clientes, a colocarem os pés no chão.

E quem já passou horas tentando cancelar um produto ou uma linha, seja fixa ou celular, sabe bem do que estou falando.

Pra complementar, o Pedro Dória escreve sobre o mesmo assunto, enquanto um texto do Popular Mechanics (usado de base técnica para este post) elucida suas dúvidas mais tecnológicas.

da web: lugares proibidos

tiger
bodyfarm
liveHIV
playboy
quarantine

Taryn Simon ganhou permissão para entrar e fotografar lugares de admissão altamente restrita dentro dos EUA. Foram quatro anos até que ela reunisse imagens suficientes para um livro - An American Index of the Hidden and Unfamiliar, no caso.

Na ordem, um tigre branco com retardo mental no Arkansas; um ambiente para decomposição de corpor humanos no Tennessee; um recipiente com o vírus da AIDS em Boston; uma cópia da Playboy em braile em Washington; e quarentena de aves para estudo de doenças em Nova York.

(via Wired)

a morte do jornal por cauthorn

Quer dizer então que o jornal de papel vai desaparecer?

Robert Cauthorn - Um livro impresso sempre terá razão de ser, já que pode ser lido várias vezes ao longo de muitos anos. Mas quais serão as vantagens do papel para um jornal? A força do hábito para muitas gerações de leitores e o conforto da leitura em folhas grandes, mais agradável do que a leitura na tela. Mas tudo vai mudar com a chegada, após a generalização da banda larga, da tinta eletrônica e das telas flexíveis. Para produzir um jornal de papel, árvores são cortadas, transportadas, transformadas em celulose e depois em rolos gigantes de papel que são transportados para gráficas.Os consumidores os compram, os levam para suas casas e, depois, os jogam no lixo. Eles são recolhidos por caminhões e, na melhor das hipóteses, levados a centros de reciclagem. Tudo isso guarda mais relação com a logística do que com a informação! Para um produto tão imediato quanto um jornal, esse desperdício é obsoleto. Jornais são impressos, embalados, carregados sobre caminhões e depois descarregados nos pontos-de-venda.

De ótima entrevista com Robert Cauthorn, considerado pioneiro da informação digital pela adaptação primária de jornais à web, ao Le Monde e traduzido e publicado pelo Mais, da Folha de São Paulo.

O processo descrito por Cauthorn lembra exageradamente o processo extremamente braçal que hoje é ir ao supermercado - prateleira, carrinho, caixa, sacola, carrinho, carro, carrinho do estacionamento, chão de casa e prateleira de casa.

a ifpi não sabe contar no brasil

ifpi_lista_editado

Saiu o Digital Music Report 2008.  Além da penca de números (faturamento de US$ 2,9, 40% maior que 2006 e share de 15% no mercado total, 1,7 bilhões de músicas vendidas e 34 bilhões de músicas baixadas “ilegalmente”), duas novidades: um ranking dos downloads digitais (liderado por Avril Lavigne) e uma referência a uma nova postura do órgão frente ao compartilhamento de arquivos.

Por mais que o texto sobre processos contra usuários e serviços esbanje um tom otimista, a IFPI afirmou que pretende apoiar e incentivar iniciativas de governos que coloquem a bomba da pirataria no colo dos provedores, citando projeto francês em que a conexão do usuário em determinado provedor pode ser banida caso se comprove o uso de ferramentas P2P.

Ao invés do esmagar uma formiguinha por vez com o polegar, a IFPI resolveu jogar água no formigueiro e vê-las afogando, num modelo de combate já em prática nos EUA, Austrália e Cingapura e em análise pelo Reino Unido e Suécia. Se vai virar tendência mundial, é difícil saber - no Brasil, tal projeto é mais que improvável.

Mas há de se considerar as conseqüências: caso haja o precedente do provedor desconectar usuários por “infração massiva de direitos autorais”, o projeto de lei deve deixar claro e detalhar qual o tipo de conteúdo proibido, para que a reprodução de quadros famosos ou MIDs ao fundo de um site não excluam alguém de um provedor.

Outra coisa: dar muito poder a quem dá a conexão é de um perigo tremendo. A maneira simples e nem um pouco claro como provedores podem forjar suas redes (e vamos ao traffic shapping de novo, lembrando que a FCC vai investigar a ComCast após estudo da EFF) pode ser usada, por quê não?, para abuso de poder. Não gosto nem um pouco da hipótese.

Novos modelos de negócios são até citados pela IFPI no relatório, mas com uma certa má vontade por um organização
que deveria estar mais preocupada em motivar a indústria a achar novas formas de lucrar do que se focar na repreensão como forma de aumentar as vendas de um setor abatido pela decadência tradicional de uma mídia morta.

Outra coisa: a imagem aí de cima diz tudo. Das 17  lojas online que a IFPI fiz haver, apenas 7 realmente existem (já falamos sobre isto no Chá) - as outras são parcerias com a iMúsica, se fundiram ou não existem mais (como a Antena1). Isto é reflexo do quê? Talvez da falta de presença do órgão no Brasil, que, oficialmente, só tem um advogado no país que cuida dos 20 processos abertos contra brasileiros há mais de um ano.

uma pergunta: aonde em são paulo?

Quero fazer uma pergunta pra você.

No seu “The Search”, John BatteleThe wisdom of the crowds“, James Surowiecki conta um experimento realizado em 1958 pelo cientista social Thomas Schelling (Prêmio Nobel de economia em 2005) onde estudantes  de Connecticut  deveriam encontrar um desconhecido em Nova York sem qualquer informações sobre um provável ponto de encontro.

Ainda assim, contra milhares de possibilidade disponíveis numa cidade como Nova York, a pesquisa indicou um alto índice de pessoas que escolhiam o mesmo lugar: o balcão de informações da Grand Central Station, a estação central da cidade, em um horário mais ou menos próximo (o meio-dia).

Pra tentar reproduzir, em menor escala, este experimento de consciência coletiva em São Paulo (mal aí, leitores do resto do Brasil), minha pergunta é simples: se o mesmo acontecesse em São Paulo, onde você iria pra se encontrar com o desconhecido?

Só um toque: clique aqui e tente não prestar atenção nos comentários anteriores - você pode não acreditar, mas a “cascata de informações” definida por Surowiecki no mesmo livro tem uma influência poderosa na opinião.

Hot tea

bandeira_US

Pela segunda vez no mês, um frio descabido - primeiro no deserto de Las Vegas, depois na tropicalidade de Orlando -, aglomeração intensa de nerds - CES na primeira, LotuSphere 2008 na segunda - e ovos mexidos, bacon e frutas de cera no café da manhã.

Você já notou que o Chá tá gelando. Uma hora esta peregrinação acaba.

Tem twittagem corriqueira lá no Twitter.

a moda da cobertura online

Virou moda fazer cobertura ao vivo dos keynotes da Apple. O que antes era idéia só de blogs de gadgets, com Engadget e Gizmodo (o mais divertido pra mim) na ponta, se transformou em uma bela alternativa para blogs (TUAW, MacObserver e MeioBit) sites de tecnologia (CNet, ZDNet e, mea-culpa, o IDG Now! também tá nesta) de maneira geral aumentarem seus pages views.

A explicação é uma só: o tal groundswell, inglês para “vagalhão” cunhado pelo analista da Forrester Josh Bernoff para designar o aumento do tráfego online provocado pela curiosidade do usuário. Assuntos que correspondem a determinadas curiosidades humanas, como as supostas ameaças do PCC em São Paulo ou o acidente aéreo com o vôo 3054, promovem mais cliques.

O keynote de Steve Jobs é um destes fenômenos. Problema é que o fenômeno é tão forte que nem a acomodada que o mercado dá pra se ajustar à cobertura online dá vazão aos cliques. Lembrou do Twitter? Provável ferramenta de centenas de usuários, ficou fora do ar durante o keynote pela exagerada procura de usuários.

O CoverItLive foi criado só pra isto: você se cadastra e tem uma plataforma ajustada pra atualizações rápidas. No primeiro teste, também ficou fora do ar. A cobertura com a ferramenta é mais ágil, mas não leva seus page views às alturas - como o MacRumors Live preferiu a agilidade aos dados inflados ao usar um sistema semelhante, ainda considero o melhor lugar para acompanhar.

Estatisticamente, o caminho do MacRumors Live desvirtua completamente a razão da cobertura ao vivo. Dados da Hitwise apontam que a cobertura do keynote da MacWorld 2007, onde o iPhone foi revelado, dobrou o tráfego médio do Engadget (ainda não há dados para 2008).

Mesmo que a overdose de coberturas e um keynote nem tão legal (cadê o “there´s one more thing?“), blogs e sites descobriram uma maneira de compartilhar um bolo (ô frasesinha corporativa…) que parece não ter limite pra crescer - o da curiosidade dos usuários, não dos keynote onde Jobs desfila suas mesmas frases e expressões de sempre.

multi-touch na cnn

mt_cnn

Percebeu que a CNN vem usando telões com multi-touch pra mapear as primárias dos partidos políticos nos Estados Unidos? Os gestos são idênticos aos usados no iPhone e ainda contam com marcadores virtuais.

lá vem a recessão

Em pleno dia de keynote de Steve Jobs, as ações da Apple caíram 5,45%. A queda é apenas mais uma desde dezembro, quando os papéis da empresa ultrapassaram os 200 dólares - no dia do keynote, fecharam valendo 169 dólares.

Não foram só os papéis da Apple que caíram. Seguindo a queda geral tanto da Nasdaq (-0,95%) como da Dow Jones (-0,28%) (a crise do subprime - problemas da instituições e dos devedores com o sistema imobiliário norte-americano), gigantes de TI fecharam esta quarta (16) com quedas.

Não bastaram a Sun desembolsar US$ 1 bi pelo MySQL e a Oracle gastar US$ 8,5 bi na BEA Systems (a empresa de tecnologia cujas ações mais subiram nesta quarta) para evitar que o mercado de tecnologia de maneira geral caísse 2,75% - péssimo resultado frente à movimentação.

Todas, menos duas - além da já citada Bea, a AMD, muito mais por cagada da Intel, que comunicou a seus acionistas que não atingiria os lucros esperados, derrubando seus papéis além dos 12%, do que mérito da AMD, que ainda se recupera de um 2007 desastroso, motivo até mesmo de desculpas de Hector Ruiz, seu presidente.

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Na terceira semana do ano, a previsão que temos do mercado norte-americano (viu o prejuízo de US$ 9,8 bi do Citiband só no último trimestre do ano?) não são nem um pouco otimistas. De novo, feliz ano novo pra ti.

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