Saiu o Digital Music Report 2008. Além da penca de números (faturamento de US$ 2,9, 40% maior que 2006 e share de 15% no mercado total, 1,7 bilhões de músicas vendidas e 34 bilhões de músicas baixadas “ilegalmente”), duas novidades: um ranking dos downloads digitais (liderado por Avril Lavigne) e uma referência a uma nova postura do órgão frente ao compartilhamento de arquivos.
Por mais que o texto sobre processos contra usuários e serviços esbanje um tom otimista, a IFPI afirmou que pretende apoiar e incentivar iniciativas de governos que coloquem a bomba da pirataria no colo dos provedores, citando projeto francês em que a conexão do usuário em determinado provedor pode ser banida caso se comprove o uso de ferramentas P2P.
Ao invés do esmagar uma formiguinha por vez com o polegar, a IFPI resolveu jogar água no formigueiro e vê-las afogando, num modelo de combate já em prática nos EUA, Austrália e Cingapura e em análise pelo Reino Unido e Suécia. Se vai virar tendência mundial, é difícil saber - no Brasil, tal projeto é mais que improvável.
Mas há de se considerar as conseqüências: caso haja o precedente do provedor desconectar usuários por “infração massiva de direitos autorais”, o projeto de lei deve deixar claro e detalhar qual o tipo de conteúdo proibido, para que a reprodução de quadros famosos ou MIDs ao fundo de um site não excluam alguém de um provedor.
Outra coisa: dar muito poder a quem dá a conexão é de um perigo tremendo. A maneira simples e nem um pouco claro como provedores podem forjar suas redes (e vamos ao traffic shapping de novo, lembrando que a FCC vai investigar a ComCast após estudo da EFF) pode ser usada, por quê não?, para abuso de poder. Não gosto nem um pouco da hipótese.
Novos modelos de negócios são até citados pela IFPI no relatório, mas com uma certa má vontade por um organização
que deveria estar mais preocupada em motivar a indústria a achar novas formas de lucrar do que se focar na repreensão como forma de aumentar as vendas de um setor abatido pela decadência tradicional de uma mídia morta.
Outra coisa: a imagem aí de cima diz tudo. Das 17 lojas online que a IFPI fiz haver, apenas 7 realmente existem (já falamos sobre isto no Chá) - as outras são parcerias com a iMúsica, se fundiram ou não existem mais (como a Antena1). Isto é reflexo do quê? Talvez da falta de presença do órgão no Brasil, que, oficialmente, só tem um advogado no país que cuida dos 20 processos abertos contra brasileiros há mais de um ano.









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[...] Te lembra daquela história da IFPI mudar o foco dos processos contra usuários por pressões sobre provedores? [...]
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