a morte do jornal por cauthorn

Quer dizer então que o jornal de papel vai desaparecer?

Robert Cauthorn - Um livro impresso sempre terá razão de ser, já que pode ser lido várias vezes ao longo de muitos anos. Mas quais serão as vantagens do papel para um jornal? A força do hábito para muitas gerações de leitores e o conforto da leitura em folhas grandes, mais agradável do que a leitura na tela. Mas tudo vai mudar com a chegada, após a generalização da banda larga, da tinta eletrônica e das telas flexíveis. Para produzir um jornal de papel, árvores são cortadas, transportadas, transformadas em celulose e depois em rolos gigantes de papel que são transportados para gráficas.Os consumidores os compram, os levam para suas casas e, depois, os jogam no lixo. Eles são recolhidos por caminhões e, na melhor das hipóteses, levados a centros de reciclagem. Tudo isso guarda mais relação com a logística do que com a informação! Para um produto tão imediato quanto um jornal, esse desperdício é obsoleto. Jornais são impressos, embalados, carregados sobre caminhões e depois descarregados nos pontos-de-venda.

De ótima entrevista com Robert Cauthorn, considerado pioneiro da informação digital pela adaptação primária de jornais à web, ao Le Monde e traduzido e publicado pelo Mais, da Folha de São Paulo.

O processo descrito por Cauthorn lembra exageradamente o processo extremamente braçal que hoje é ir ao supermercado - prateleira, carrinho, caixa, sacola, carrinho, carro, carrinho do estacionamento, chão de casa e prateleira de casa.

4 comments ↓

#1 José Amorduro on 01.27.08 at 6:12 pm

O tema é muito oportuno; quem, meu deus, ainda lê o jornal impresso de cabo à rabo?
Na web podemos escolher definadas classes de notícias e artigos, inclusive colá-las para ilustrar uma conversa entre amigos on-line.
Eu perdi o tesão de ler aquele jornal na manhã de domingo porque era desperdício de força, devido ao peso de tanto papel inútil e encartes.
Sem dizer o conteúdo ideológico para gados, sempre presente, impregnando meus neurônios, como a tinta de tempos atrás.

#2 Marília on 01.27.08 at 8:41 pm

Para a realidade brasileira, o papel continua sendo a forma mais acessível à informação.
Grande parte da população nem tem o que comer, o que dirá ter computador com acesso a internet.
Com o jornal em papel, pela menos essa parcela pode se manter minimamente informada, nem que seja pegando o jornal do lixo.

#3 gfelitti on 01.27.08 at 10:21 pm

concordo plenamente, marília. na entrevista, o cauthorn antevê como um setor mais avançado da sociedade deverá se portar.
não será assim para todos, evidentemente, assim como a conversa de que o CD já está completamente morto não pode ser levado tão a sério assim num país profundamente excluído.
abraços,

#4 crise no impresso? — Chá Quente on 04.14.08 at 3:27 pm

[...] o impresso está morrendo (ok, adaptando-se). Mas ainda acha que dá pra aplicar a mesma velocidade do mercado norte-americano no tão [...]

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