A Microsoft ofereceu US$ 44,6 bilhões pelo Yahoo! numa proposta por aquisição hostil. Rápidas considerações sobre o assunto, caso o Yahoo! aceite a proposta.
1 - Com o preço definido de um dos principais players da internet comercial, fica difícil acreditar que o Facebook realmente valha os US$ 15 bilhões que a mesma Microsoft fez o mercado acreditar. Por mais que estejam em estados contrários, é pouco provável que uma rede social valha um terço do outrora gigante Yahoo!.
2 - O Yahoo! termina seu reinado online de maneira extremamente melancólica - de símbolo da internet (Do you Yahoo!?) e potencial comprador do Google (o Yahoo! chegou a oferecer US$ 3 bi) passou de veículo da Microsoft para combater o buscador de Brin e Page.
3 - Tchau, web 1.0. O Yahoo! era um dos últimos serviços nascidos no começo da internet que ainda têm algum tipo de relevância hoje (AOL who?).
4 - O Google tem valor de mercado de US$ 161 bilhões. A Microsoft, US$ 283 bilhões. O Yahoo! vale US$ 37 bilhões (!!!). A Microsoft ofereceu US$ 7 bilhões a mais que isto - 62% a mais que o preço do mercado no dia anterior da proposta.
5 - Ainda assim e com recorde lucro potencializado pelo Vista e pelo Office 2007, a Microsoft vai sangrar pra tirar alguns bilhões do seu caixa (a compra será por dinheiro ou ações) - vide a queda das ações no dia do anúncio.
6 - Como bem notou Marcelo Coutinho, do Ibope Inteligência, o Yahoo! está no meio de duas tendências online quando se considera a audiência online de sites. De um lado, estão empresas de tecnologia (Google e Microsoft, nos dois primeiros lugares). No outro, conglomerados de mídia (Time Warner e News Corp., em quarto e quinto).
O ranking mostra bem que o Yahoo (terceiro colocado) não decidiu - apostou em conteúdo, apostou em tecnologia, mas não agradou em nada. Ironicamente, dois dos serviços de maior sucesso do Yahoo! atualmente foram comprados já prontos - Flickr e del.icio.us.
Meus três centavos, por dois lados: o Google alega que a Microsoft pode levar suas práticas de monopólio para internet com a compra. Por mais corporativo que seja e por mais que a Microsoft tenha demonstrado uma abertura maior, dá pra se considerar este risco.
Como usuário de serviços do Yahoo, dá pra ter um certo medo do que a Microsoft faria, talvez por pura implicância - improvável que a empresa mexa (e foda) com serviços estabelecidos (os dois já citados).
Agora, com preço 62% maior por uma empresa que está passando por uma crise terrível (pra onde ir?), seria uma dúvida por quê o Yahoo! não aceitaria - resolver encarar o mercado sem aceitar a compra da Microsoft seria algo macho baragai, mas inovação, infelizmente, já não é o forte do Yahoo!.
Se, lá pra frente, a compra se provar uma grande de uma merda, fica provado que Microsoft e internet, definitivamente, não combinam. A chefia chamou o negócio de AOL Time Warner 2.0.
Eu não concordo - juntar um portal com um conglomerado de mídia por US$ 120 bilhões é diferente de juntar uma empresa focada em desktop com dificuldades na internet com outra especializada em internet, mas decadente.
Pra ler mais sobre o assunto, dê um pulo no Compete, no PaidContent.org, no SearchEngine Land, no WebWare e na News.com.









2 comments ↓
[...] o mesmo assunto vale a pena ler: microsoft e yahoo: o roto e o rasgado online de Guilherme Felitti (IDG Now!) em seu blog Chá [...]
[...] Para quem está voltando agora do carnaval, a notícia pode ser novidade: a Microsoft ofereceu 44 bilhões de dólares pela Yahoo!. Cerca de 27 vezes o que o Google pagou pelo YouTube - tá certo, a Yahoo! tem toda uma gama de serviços que podem valer esse preço, mas apesar da oferta “irrecusável”, talvez a venda não aconteça - o que seria macho pagarai da parte do Yahoo!, como disse o Felitti. [...]
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