Entries from March 2008 ↓
March 23rd, 2008 — mestrado
Quinze meses após a entrega da proposta original (e algumas ruminações depois), há finalmente um novo objeto de estudo para este mestrando. Decidi: a tese vai estudar possíveis modelos comerciais empregados pelas empresas da chamada Grande Mídia para remunerar a produção de conteúdo amador com valor jornalístico.
Quer um exemplo claro? O material amador mais valioso da história é a tomada de 26 segundos feita pelo comerciante ucraniano Abraham Zapruder da visita do presidente John Kennedy a Dallas em 22 de novembro de 1963.
No 17º segundo, a a bala atirada por Lee Harvey Oswald entra na cabeça de Kennedy, produzindo um borrifo de sangue, um instante de choque na 1ª dama Jacqueline Kennedy e sua conseqüente morte.
Trinta e seis anos depois, o filmete feito por Zapruder em uma Böwe Bell & Howell, tanto pela qualidade da imagem, feita em ângulo ideal, como pelo valor histórico, foi arrematado pelo governo-americano por 16 milhões de dólares.
Seja pela explosão na penetração de aparelhos que capturam imagens (e aí você coloca celulares, câmeras fotográficas e filmadoras) ou pelo altíssimo impacto político que significava um presidente norte-americano morto em frente às câmeras, é improvável que um material amador de novo valha tanto como o feito por Zapruder.
Por outro lado, começam a pipocar na internet serviços que se posicionam como agências de notícias (e, principalmente, fotografias e filmetes) amadoras. Há uma evidente importância do fenômeno na indústria das celebridades - a presença de uma estrela de cinema no mercado dá mais cliques (e, conseqüentemente, rende mais dinheiro) que uma batida de carro.
A tese há de se concentrar no conteúdo amador com valor jornalístico e exemplos recentes não faltam pela mídia brasileira. Da foto da explosão de um andaime que parou na capa da “Folha de São Paulo” aos filmes curtos e de péssima qualidade feitos com celulares que sustentaram uma audaciosa matéria no Fantástico (já não disponível online, sabe-se lá porque).
Da foto da explosão na Usina Elevatória de Traição que supostamente causou um blecaute na Zona Sul paulistana em fevereiro às imagens de casas pegando fogo na Zona Norte após a queda de um avião de pequeno porte que arremetia do Campo de Marte.
Evidentemente, estamos falando de negócios já estabelecidos, principalmente na combinação “publicidade+assinatura” para impressos e “investimentos do grupo detentor+publicidade” entre os portais. Há como imaginar uma agência de notícia amadora no Brasil que se estruture de forma a alimentar jornalões, portais e programas de TV?
Há material suficiente para justificar a formação de um grupo que centralize a tentativa de divulgar conteúdo amador de relevância jornalística? Se este grupo for formado, quem garante que alguém não vá procurar grandes conglomerados diretamente? Considerando-se que haja massa crítica, como ganhar dinheiro (propaganda parece uma possibilidade complicada de se considerar)? Quem deve receber mais: o jornalista amador ou o intermediário?
Na tentativa de responder estas perguntas (e se deparar com tantas outras), entra o modus operandis do OhMyNews, os objetivos de projetos como o CitizenSide e o 8020 Publishing, assim como a listagem de outros aproveitamentos de conteúdo amador pela Grande Mídia brasileira, entram na roda.
Burocraticamente, o curso está trancado até o segundo semestre. Isto faz com que, até julho de 2009, as atualizações rolem por aqui.
March 23rd, 2008 — gadgets
Enquanto o governo brasileiro erra as contas da licitação e promete fazer uma nova ainda para o 2º semestre (a opinião deste blog: bastante improvável), o Uruguai confirma que comprará mais 200 mil notebooks educacionais, depois de já encomendar 100 mil XOs, da OLPC.
Por lá, a BrightStar Uruguay fez uma proposta com XOs mais vantajosa que a apresentada pela brasileira Positivo para os ClassMate PCs, da Intel. Vale só lembrar que o Uruguai tem área pouco menos que o Paraná.
March 23rd, 2008 — cultura

Parece que rolou em fevereiro, mas só vi agora: Wado lançou seu “Terceiro Mundo Festivo” de graça no seu site. Quem quiser pagar, são 5 reais no Mubi (prazer, também não conhecia).
Este ainda não sei, mas o antecessor “A farsa do samba nublado” merece atenção especial.
March 23rd, 2008 — internet
E a história de que, secretamente, o Wall Street Journal já abriu seu conteúdo para não assinantes? O Media Channel explica como.
March 20th, 2008 — cultura

A melhor expressão entre muitas, seja texto, vídeo ou imagem, sobre a morte do Arthur C. Clarke veio do Joy of Tech - vai, bota os neurônios pra funcionar.
March 20th, 2008 — cultura

Fodido. Daqui.
March 18th, 2008 — internet
Vou tentar falar isto da maneira mais delicada, mas, caro leitor, por favor, não me entenda mal: você faz parte de uma minoria no Brasil.
Quem diz isto não sou eu, mas os dados compilados pelo Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br) ligado ao Comitê Gestor da Internet (CGI.br) para a terceira pesquisa Tecnologias da Informação e Comunicação no Brasil (TIC) Domicílios 2007.
Baseado nas respostas de 17 mil lares brasileiros, o TIC Domicílios 2007 (uma apresentação com as principais estatísticas pode ser baixada do site do NIC) se apresenta como um dos retratos mais fiéis do mercado brasileiro de tecnologia, exageradamente acostumado a babar pelas novidades tecnológicas de última geração lá de fora.
Olhemos, então, para o nosso próprio rabo. A primeira constatação do TIC 2007 é que ainda somos um país majoritariamente desconectado. Ainda que esteja em queda nos últimos três anos, a taxa dos brasileiros que nunca usaram a internet ainda é maior que os que já – 59% contra 41%.
Esta sua atitude de abrir o navegador, clicar sobre determinado link e abrir esta página para ler esta coluna (assim como minha própria iniciativa de escrevê-la para uma mídia eletrônica) transforma você, o internauta, em minoria.
Soa absurdo, em pleno 2008, mais da metade da população do Brasil não ter nunca se conectado.
A cifra soa ainda mais absurda pelo recorde de navegação que os mesmos brasileiros têm frente a franceses, norte-americanos e australianos. Em janeiro, diz o Ibope//NetRatings, o brasileiro que tem banda larga em casa ficou, em média, 23 horas e 12 minutos (ou quase um dia inteiro) navegando.
Os conectados em banda larga são 21 milhões. Baseados nos 186 milhões de brasileiros, os desconectados são quase 110 milhões. A desigualdade no Brasil vai além da distribuição, nos mostra a comparação entre as estatísticas.
É evidente também que os 59% de desconectados tendem a cair com o tempo até que atinjam um patamar mínimo, como o detectado em países com altíssima penetração de telecomunicações, como a Coréia do Sul, e é baseada na segunda constatação que esta diminuição se apóia.
Se há alguém promovendo a inclusão digital no Brasil, não é o Governo Federal – pelo menos no que diz respeito a acesso. Em 2007, as LAN houses, termo adotado pelo brasileiro para designar o que os estrangeiros conhecem como cybercafe, lideraram o acesso à internet no Brasil, citadas por 49% dos entrevistados.
Iniciativas de acesso público à internet, como TeleCentros ou AcessaSP, promovidas pelos governos municipal e estadual de São Paulo, correspondem a apenas 6% dos acessos.
Mais que simplesmente levar internet em regiões onde não há ação da administração regional em inclusão digital, as LAN houses indicam a ascensão de um novo perfil de internauta brasileiro.
Na média, o responsável pela explosão do acesso das LANs é um usuário pobre, que ganha até dois salários mínimos por mês, com até 24 anos de idade, sem distinção clara entre sexo e que se concentra no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O aumento da penetração e uso de LAN houses foi tão forte que fez com que o acesso por banda larga em casa, no trabalho ou na escola, beneficiados pelo barateamento de planos das operadoras, parecessem estáveis.
Por mais que não existam dados oficiais (o TIC 2007 não contemplou tal parâmetro), é inegável que a mistura entre isenção de PIS/Cofins com crédito abundante do programa “Computador para Todos”, este sim do Governo Federal, ajudou a equipar as LAN houses nas regiões pobres onde mais cresceu.
Os dados do TIC Domicílios 2007 evidenciam que, no ano passado, a inclusão digital chegou realmente em quem deveria, muito embora o exagerado uso de redes sociais (leia-se Orkut), comunicadores instantâneos e e-mails caracterize o grosso do acesso entre os recém-incluídos.
Na reunião do NIC.br onde os dados foram apresentados, Rogério Santanna, secretário de logística e tecnologia da informação do Ministério do Planejamento, deixou claro que o governo estuda um pacote de incentivos para aumentar a penetração de banda larga, em projeto feito junto ao Ministério das Comunicações, em uma espécie de “Banda larga para Todos”.
Com os PCs, o governo fez (e muito bem) seu trabalho – não seria exagero considerar o “Computador para Todos”, iniciativa que “demandou vontade, trabalho, caneta e tinta”, como bem definiu Elio Gaspari, a política de maior sucesso na área tecnológica do governo Lula.
Enquanto o Governo Federal tenta repetir o sucesso que teve com computadores nas conexões banda larga, é a iniciativa privada pobre que vai espalhando a inclusão digital pelo Brasil. Não se sinta mal – é por culpa deles que, um dia, você virará maioria.
(Original daqui).
March 18th, 2008 — web social
A história da Riot ter enviado e-mails coagindo blogueiros a escrever sobre uma campanha da Nike de apoio a Ronaldo culminou realmente na demissão do (jovem) funcionário responsável pelo texto - muito embora pessoas próximas do caso assumam que foi ele o responsável pela redação, com alguma orientação da agência.
Com a repercurssão do caso, a Riot perdeu a F-Nazca, responsável pela conta geral de publicidade da Nike. Motivo para se preocupar? Talvez não tanto como se imagine. Ao invés do estrago de imagem imaginado que o assunto renderia após tanto debate, o número de clientes que pediram propostas à Riot aumentou desde que o caso explodiu.
Por que? Boa pergunta. No marketing tradicional, pelo menos, isto seria motivo para espantar clientes.
March 18th, 2008 — internet
Na sua essência, a internet nasceu como uma rede auto-regulável cujos componentes encontram caminhos para chegar até seu destino ao enfrentar um bloqueio.
A característica não poderia ter melhor representação que os conflitos no Tibet, iniciados com intensidade durante este fim de semana.
Mesmo com o bloqueio de canais de compartilhamento, como YouTube, CNN, Google News e BBC, muito conteúdo produzito amadoramente e, segundo as leis do país, criminosamente, caíram na rede.
Ainda que congreguem muitos relatos desencontrados, principalmente no que diz respeito ao número de mortes, medição praticamente impossível sem um respaldo oficial, o Tibetan Centre for Human Rights and Democracy, o Students for a Free Tibet e a Phayul (com vídeos de celular) clareiam com conteúdo amador um conflito onde jornalistas estrangeiros são impedidos de cobrir.
Diz o BoingBoing, citando o Times, que mais de mil pessoas foram presas. Cogita-se que cerca de 100 dissidentes pró-Tibet, incluindo monges e civis, foram mortos - há muitas fotos de cadáveres nos links acima.
É do BoingBoing também o link para a tradução do mandarim para inglês de posts em serviços de microblogging feito pelo usuário “davesgonechina” em que chineses alertam sobre as situações da região.
São deles as principais informações consumidas pela Grande Mídia mundial para evitar o partidarismo de uma imprensa nacional que classifica os combates como “guerra popular contra o Tibet” ou de uma agência de notícia oficialda região que ignora o confronto.
Isto, sim, é jornalismo cidadão.
March 16th, 2008 — internet

Neste sábado, o Flickr completou 4 anos (enquanto o cumpadre Henrique, do Zumo, soprava 7,5 vezes mais velinhas). No pool comemorativo da data, o Flickr selecionou algumas fotos que foram impressas em grandes murais na festa presencial do serviço, na Califórnia (clicados pelo Laughing Squid).


Você eu não sei, mas eu gosto cada vez mais destas comemorações que os caras fazem usando a comunidade. Belo uso da tonelada de fotografias enviadas ao Flickr diariamente.
Enquanto isto, o serviço anuncia a entrada no setor congestionado mas com crescimento explosivo de vídeos online para abril com o Flickr Video.
Pelas terras brasileiras, a equipe tem outra coisa em mente. Um problema nacional que não se observa entre outras comunidades é a quantidade de usuários que fazem de seus conjuntos de fotos brechós e bancas de artesanato.
Pelos termos, o Flickr não pode ser usado como plataforma de comércio, já que não foi concebida para tal e pode dar espaço para uma toneladas de golpes online. Por que não formatar um serviço de segurança e apostar no nicho?