Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

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orkut dando grana finalmente

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Você viu que o Orkut começou a dar receita? Pro site mais popular do Brasil (17 milhões de usuários que passam, em média, quase 4 horas por mês conectados), a notícia é bem relevante. Replicando o post do Idéia 2.0 e o comentário na CBN sobre o assunto que, sei lá porque, não abre aqui. Clique e ouça.

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Pouco menos de cinco anos após ser lançado, o serviço online mais popular do Brasil deixou apenas de consumir e passou a render dinheiro para seu responsável.

Sem qualquer alarde, o Google começou a testar publicidade integrada à rede social Orkut para tentar transformar o acesso de mais de 17 milhões de brasileiros, segundo o Ibope//NetRatings, em lucros para a companhia.

Oficialmente, o Google Brasil afirma que começou testes com um pequeno grupo de usuários do Orkut no terceiro trimestre de 2008, e que a publicidade atingiu todos os outros inscritos antes do final do ano.

Não notou ainda? Entre na sua conta no Orkut e veja o grande espaço quadrado reservado aos banners.  Ali rodam publicidades de serviços do buscador, anúncios de outras empresas e os links patrocinados do AdSense.

Não é a primeira vez que o Google Brasil tenta lucrar com o Orkut. Em agosto de 2007, o buscador foi forçado a parar os testes após o SaferNet pedir que o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) investigasse a veiculação de anúncios em comunidades com conteúdo criminoso, como pedofilia, tráfico de drogas e incitação ao ódio.

Os testes aconteceram um ano antes do Ministério Público Federal (MPF) encerrar a ação que mantinha contra o Google Brasil, que ameaçava até mesmo a operação do buscador por aqui, após novidades introduzidas pela empresa no calor da CPI da Pedofilia.

Pessoas próximas ao assunto afirmam que os problemas identificados na ocasião foram desvios não previstos e serviram como alerta para o desenvolvimento contínuo da ferramenta de publicidade.

A segunda maneira como o Orkut vem rendendo receita ao Google é o desenvolvimento de skins para companhias aptas a pagar o buscador, modelo empregado pelo MySpace (com bastante sucesso, diga-se de passagem) lá fora.

No Natal de 2008, a operadora Oi financiou o primeiro skin, em acordo financeiro cujos valores o Google Brasil não revela.

“O Orkut já gera receita”, anuncia Carlos Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil. Se ele se paga? O Google Brasil não diz. Mesmo que ainda não, ver que a rede social preferida dos brasileiros deixou de ser apenas uma draga, seja de tempo ou de dinheiro, já é uma ótima notícia para o buscador no país.

Written by Guilherme Felitti

January 31st, 2009 at 3:20 pm

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2008: a formal, na carta capital

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Retrospectiva tecnológica formal que subiu no site da Carta dessa semana (é, não parece, mas eu sou colunista lá). Ao longo das semanas, rolam outros posts comentando o que rolou de bom na tecnologia no ano passado.

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A encruzilhada tecnológica em 2008Consolidação foi um termo impopular durante o ano. Na tecnologia, 2008 será lembrado como o ano em que grandes tomaram as decisões que os acompanharão a frente.

Dois mil e oito será marcado, dentro da tecnologia, como um ano que determinou rumos que poucos gigantes e uma nação de pequenos deverão seguir nos próximos anos. Um ano que marcou a saída de alguns grandes de cena, seja imediata ou apenas iminente, fruto de  decisões erradas.

Não houve maiores impactados durante 2008 que o mercado de internet. De um lado, a gigante do mercado de softwares para PCs, a Microsoft, concretiza uma oferta até então renegada aos boatos de mercado para se fundir ao Yahoo, outrora símbolo dourado das buscas online.

Se tinha como objetivo fazer frente à dominação do Google tanto em buscas como no dinheiro da publicidade online, a verdadeira razão por trás dos 44,6 bilhões oferecidos pela Microsoft, a negociação, mal conduzida pelos executivos de ambos os lados, deixou os potenciais parceiros com as mãos abanando que ambos tinham no começo de 2008.

A trapalhada vem em conjunto. De um lado, o co-fundador e presidente do Yahoo alegava que os 31 dólares oferecidos pela Microsoft por ação da empresa que já foi sinônimo de internet na década de 90 era pouco. A falta de visão de Yang custou-lhe o cargo já no final do ano, quando cada papel do Yahoo, veja só, custava 10,63 dólares.

Do outro, a história dificuldade da Microsoft em adentrar um setor pouco acostumado a um controle centralizado ou por seus usuários aceitarem em limitações que lhes são impostas.

O naufrágio da compra do Yahoo teve como conseqüência imediata a compra do PowerSet, buscador que tenta ver significado nos termos digitados pelo usuário com um altíssimo potencial, mas que, ainda em fase embrionária, não dará à companhia a participação imediata que almejava.

Não foi, definitivamente, um bom começo para Steve Ballmer substituindo Bill Gates como líder máximo da Microsoft. Gates, o multibilionário responsável pela base teórica do sistema operacional usado por 9 entre 10 pessoas no mundo, saiu em 2008 do cotidiano da empresa que ajudou a fundar para cuidar da sua fundação filantrópica, a Bill & Melinda Gates Foundation. Aposentou-se para cuidar da caridade.

Com ambos batendo cabeça, o Google teve um ano para se lembrar, não? Errado. Dois e mil e oito marcará também o ano em que o mercado viu que a exuberância do buscador, tem sim, limite. As ações do Google abriram o ano avaliadas em 685 dólares cada. A dias de 2009, os papéis ameaçam passar da faixa dos 300 dólares, em perda de mais da metade do seu valor em apenas 12 meses.

Não entenda que o buscador não tem o que comemorar no ano. Dois mil e oito vai embora com um Google cada vez mais líder em buscas: 63,5% das buscas em novembro foram no serviço, contra 58,4% no final de 2007, em dados da comScore. Em 2008, o Google manteve a escrita dos grandes anúncios inesperados (como foi com OpenSocial e Android em 2007) e peitou a Microsoft em outra área de sua dominação: os browsers.

Chrome chegou de susto em setembro não apenas para roubar mercado do Internet Explorer, que tem pouco menos de 80% do setor, mas também do Office – com sua função que permite que serviços online sejam acessados a partir do desktop, o Chrome transforma o Google Docs em rival direto do dominante pacote corporativo da Microsoft.

Quem pode, em 2009, tomar o mesmo rumo que Bill Gates é seu eterno antagonista (e vice-versa) Steve Jobs. Boatos sobre a saúde do fundador e presidente da Apple aumentavam a cada aparição pública de Jobs – alimentava-se a idéia de que, talvez, o câncer pancreático que o acometeu em 2004 tivesse voltado.

O anúncio de que Jobs não fará a tradicional apresentação de abertura da MacWorld Expo, evento anual centrado nos produtos da Apple em São Francisco, atingiu a saúde financeira da empresa – a Oppenheimer & Co passou a desaconselhar a compra de ações da Apple em médio prazo.

Não fosse o lançamento (e posterior sucesso) do iPhone 3G em dezenas de mercados pelo mundo, replicando a estratégia (arriscada para operadoras) adotada pela AT&T nos Estados Unidos, perigava Jobs ser a principal notícia do ano dentro da sua empresa.

No Brasil, o iPhone 3G chegou por três operadoras com preços que atingem até os 2,6 mil reais, em uma movimentação cercada mais de glamour no lançamento do que da prometida democratização da internet móvel e que dá ao Brasil o desconfortável prêmio de iPhone mais caro da América do Sul.

Houve também as rebarbas da crise econômica norte-americana em um setor historicamente dominado por tecnologias e investimentos norte-americanos. As demissões pegaram todos os níveis – da gigante Sony mandando 8 mil embora a startups que, com suas poucos demissões, levaram às ruas grande parte de suas mão de obra.

No Brasil, a histórica dependência de mercados internacionais para a fabricação dos semicondutores, o material básico para qualquer produto eletrônico, terá como principal impacto da crise o aumento nos preços de TVs, computadores, laptops, monitores, câmeras digitais e afins.

Os grandes prejudicados, acredite, não são aqueles que terão de economizar mais dois meses até pagar a vista um LCD de 42 polegadas, mas a massa de novos internautas que ainda migra de LAN house em LAN house atrás de uma conexão decente para ver vídeos no YouTube ou amigos no Orkut.

O forte ritmo de inclusão digital (já falamos sobre isto aqui na Capital Digital) registrado nos últimos 3 anos deve ser freado em 2009 tanto pelo encarecimento dos computadores nas prateleiras como pelo encolhimento do crédito às classes mais baixas. Quanto mais o dólar sobe, menos os excluídos digitais têm chances de mudarem este estado.

Dois mil e oito ainda foi o ano dos netbooks, os computadores de bolsa menores que laptops; da consolidação das redes sociais (Orkut por aqui, MySpace nos EUA e Facebook no mundo); do Twitter como novo meio de comunicação em seus 140 caracteres; da contínua maturidade dos blogs; da TV Digital amargando baixíssima audiência em seu primeiro ano e de tantos outros assuntos tecnológicos.

As decisões tomadas durante o ano colocam 2008 como uma encruzilhada tecnológica – os próximos anos serão desdobramentos diretos de muitas escolhas feitas nos últimos dose meses. Até 2009.

Written by Guilherme Felitti

January 6th, 2009 at 2:58 pm

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a experiência dos e-mails

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Num post sobre os primeiros testes do OpenSocial com Orkut, um leitor do Chá Quente expressou seu espanto: em uma das abasda imagem da rede, meu Gmail aberto dedurava as mais de 5 mil mensagens não lidas. Seis meses depois, o cenário piorou – saltou para quase 9 mil mensagens.

É, minha caixa postal tinha falido. A pasta de entrada de mensagens, que deveria ser apenas um local temporário até que os e-mails fossem encaminhados (deletados, arquivados, respondidos, tagueados), era o destino final de todas elas – quanto mais chegavam, mais eram soterradas sob um volume enorme de mensagens, em sua maioria, nada úteis.

Minha caixa de entrado tinha virado um cemitério, renegando ao esquecimento (somada, evidentemente, pela minha incompetência em organizá-la) pautas para o Now!, assuntos para o Chá, discussões do mestrado e contatos de desconhecidos nunca respondidos. No sábado, gastei as últimas horas de um processo que já durava algumas semanas. Para ressucitar meu e-mail, lá foram algumas medidas que mais têm a ver com organização que propriamente funções tecnológicas no seu serviço de e-mail.

A primeira é se desvincilhar de newsletter que não fazem sentido, deletando todas as não lidas e desassinando o serviço – aí, já foram milhares. Grupos de discussão foram diminuídos de quase uma dezena para dois, restritos a mensagens que resumem todas aquelas trocadas durante o dia. Muitas das mensagens corporativas que recebia, achando que me ajudariam a ficar informado sobre o mercado, foram para o limbo – percebi que me informava sobre o assunto antes pelo RSS que pelo e-mail.

O segundo passo, próprio do Gmail, foi a criação de novas tags e a extinção de algumas que tinham relação com o projeto de conclusão de Jornalismo, em 2004. Tags para trabalho, mestrado, família e amigos e blog foram relacionadas às mensagens numa limpeza mastondôntica que gastou estas horas do sábado – milhares de e-mails foram devidamente arquivados, enquanto a passeadas pelo arquivo indicava novas newsletters que deveriam ser canceladas e contatos que deveriam ser ignorados.

Dos 9 mil e tantas mensagens, tenho hoje 31 no Gmail. Ironicamente, duas análises sobre os problemas de produtividade decorrentes da overdose de e-mail cruzaram meu caminho desde que comecei a me preocupar com minha caixa postal. Primeiro foi a sugestão de um ouvinte do Now! Café sobre o trabalho do Merlin Mann, o responsável pelo site de produtividade 43 Folders. Ele elaborou o projeto Inbox Zero (explicado nesta palestra no Google ), que traz dicas valiosas para quem se vê enterrado na desorganização.

O segundo foi uma coluna (foda, pra variar) do Clive Thompson, na Wired de julho, incensandoo Xobni, plug-in para Outlook que analisa seu comportamento com as mensagens e descobre determinadas regras que podem melhorar o uso da ferramenta – tipo qual o horário em que seus contatos mais frequentes manda, na média, e-mails que envolvem assuntos importantes. Começo a usar esta semana pra ver qualé.

Quer dizer, o algoritmo pode ajudar a identificar comportamentos, não a mudá-los. A tecnologia pode ser um complemente à atitude do usuário à própria organização – ué, não deveria ter sido assim desde sempre?

Written by Guilherme Felitti

August 11th, 2008 at 2:46 pm

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orkut – alexandre magalhães, analista do ibope//netratings

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Alexandre Magalhães está por trás do Coleta RS, métrica do Ibope//NetRatings que tenta medir o impacto da construção da imagem de uma marca dentro redes sociais – notoriamente, o Orkut. É o cara a se consultar quando se precisa de números que desconstruam o internautas brasileiros.

O gráfico acima, gentilmente passado, reproduz a explosão do Orkut no Brasil entre abril de 2004, quando começou a aparecer nos gráficos do Ibope, a dezembro de 2005, quando já atingia quase 60% dos internautas domésticos no Brasil.
Qual a importância do Orkut na internet brasileira?
O Orkut só não tem mais importância que ferramentas de busca, o Google majoritariamente. Diversos segmentos da internet nacional são dependentes disto. Para outras redes, ele é um transferidor de tráfego enorme, até para outros concorrentes.

Neste momento não rola (roubo de tráfego), já que todo mundo cresce. o MySpace tem um nicho mesmo, voltado totalmente para música.
Hoje, dependendo de onde você está, é obrigado estar em buscador ou rede social e o Google é realmente uma porta de entrada para o brasileiro na internet.

Há alguma razão pelo sucesso relacionada a características regionais? A internet no Brasil está em momento de posicionamento e segmentação. Talvez as gigantes não estejam atendendo regionalmente e role uma oportunidade aí. O uso das redes sociais no Brasil é um fenômeno que atinge todas as idades de maneira intensa – aí entra comunidades, blogs, MSN, fotologs, etc. O uso é intenso para qualquer faixa etária, em qualquer segmentação do povo brasileiro.

A questão dos convites também foi muito forte, atingindo um público jovem que queria fazer parte do grupo (adolescente se integrando ou se excluindo). Aí começou a explodir. Depois, houve expansão para outras faixas etárias, o que faz com que o Orkut seja uma representação fiel da internet brasileira.

O MySpace é perigo?
Sim, mas a médio e longo prazo. Como está crescendo muito, eles são mais impulsionadores um do outro que concorrentes. Não vejo pessoas procurando alternativa ao Orkut (hoje no Brasil). Em seis meses, o MySpace Brasil parte de 50 mil usuários para cerca de 2 milhões (nota do blogueiro: o pulo seria ainda maior se a parceria com a Band tivesse saído – sabe-se lá por que não saiu).

Houve, sim, brecha quando o Orkut forçou a criação de conta do Gmail, mas depois disto aquilo foi colocado em segundo plano. Ali havia uma preocupação, hoje não. A relação é um pouco diferente, já que as pessoas
estão ampliando suas atividades. Os portais têm mais perigo (de perderem tráfego).

Sonico e HI5 (altamente populares no resto da América Latina) estão crescendo muito no Brasil. Por ser na AL, elas podem estar cavando um espaço que alguém pode explorar para diferentes regiões.

Written by Guilherme Felitti

July 24th, 2008 at 9:08 pm

o twitter deleta followers

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Porra, não bastasse o Orkut sair do ar por 9 horas na segunda, o Twitter sofreu algum tipo de problema que deletou centenas (quando não milhares) de followers de seus usuários – o Now! caiu de 1.145 para 589 (!). Meu perfil (abandonado) nada sofreu.

dá pra sentir pelo Summize que a reclamação é geral. E logo agora que os problemas de instabilidade, tipo a clássica baleia, tinham diminuido bastante, a ponto de aguentar o tranco de um WWDC.

Segunda Orkut, quarta Twitter. Seguindo o pensamento, sexta-feira deve rolar merda com outra ferramenta social usada por brasileiros.

Vale lembrar que, o Amazon S3 sofreu problemas de instabilidade no domingo que ocasionaram problemas em avatares no Twitter.

Update: táquepariu! Na madrugada de quinta pra sexta, usuários reclamaram que o MSN ficou fora do ar por meia hora. Tô com bom pressentimento para este prêmio da MegaSena…

Written by Guilherme Felitti

July 23rd, 2008 at 6:58 pm

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o diz que me diz do orkut fora do ar

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Ninguém escreveu um livro sobre isto (uma pena, tem material para caralho), mas existem algumas características dos brasileiros na internet.

A primeira deriva de uma maneira própria do internauta brasileiro navegar – o Google concentra quase 90% das buscas no Brasil principalmente pela mania nacional de recorrer aos primeiros resultados da lista de determinados termos buscados.

Os brasileiros fazem de posts centros de discussão (ou simplesmente de bater cartão) em determinados assuntos – alguns exemplos, dos mais variados assuntos, estão sendo coletados por este blogueiro para uma artigo acadêmico algum dia. Visite alguns e entenda a questão.

Os salsinhas dominam a internet brasileira e, em muitas ocasiões, não entendem qual a proposta original do post ou as ligações de quem escreveu sobre o assunto abordado – o post da Rebeca sobre as roupas das novelas é extremamente indicativo neste sentido.

Os salsinhas têm relação com a mesma cultura web brasileira, bastante imatura ainda, que coloca o Orkut como fenômeno online nacional em detrimento das funções do Facebook (o assunto tá bem explorado na matéria sobre as razões do motivo do Orkut no Brasil lá no Now!).

E é sobre a penetração do Orkut que este post se trata (porra, de novo, Guilherme?), com relações diretas com uma segunda característica do internauta brasileiro – transformar um determinado local digital em ponto de concentração quando algo maior os impele a tal.

Foi assim com a página de recados do Alemão do BBB e da Katilce do Bono (ambos sem links porque não tem Orkut, ué) e tá rolando agora com o Summize na história do Orkut ter saído do ar para manutenção, segundo o Google, após usuários reclamarem de trocas de contas.

Com um ponto definido, fica muito fácil que um boato ou uma informação nascida da cabeça de algum animal ganhe relevância num grupo histérico por mais informações – o medo causado pelos supostos ataques do PCC à capital paulistana tem aí outra ponta de relação com esta possibilidade da mentira virar verdade numa situação de tensão em que todos buscam alguma informação.

É difícil apontar pelo Summize de onde veio a informação que o Orkut voltará só em setembro. Ou que o Google confirmou que ficará fora do ar até sábado (dizem que é do site Tudo Rondônia, que não tem NADA sobre o assunto – buscaí pra comprovar). Ou que os perfis de fakes estão sendo apagados deliberadamente pelo Google Brasil. Ou que a monga é o macaco de verdade.

Na necessidade de informações, um blog que banque bobagens, como fazem o BlogInternacional e o BlogEmo, vira um ponto de encontro na ocasião, como realmente viraram, com seus quase 2 mil comentários somados em apenas 3 (!!) horas.

A histeria de momentos como este forma um ambiente apinhado de internautas incautos desesperados atrás de alguma (qualquer!) informação onde notícias falsas e totalmente fantasiosas são consideradas e levadas a sério.

Depois a gente ainda tem esperança que o jornalismo colaborativo atinja a massa brasileira além da “sorte” de alguém com um celular com câmera presenciar algo que valha no noticiário.  Acho que, por enquanto, não.

Update: a Raquel Recuero, que já tinha um pé no Orkut na primeira explosão da rede social, ilustrou seu post sobre o bleacaute da rede com dois gráficos que mostram a incidência do termo “Orkut” dentro do Twitter.

Written by Guilherme Felitti

July 21st, 2008 at 10:39 pm

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orkut – raquel recuero, pesquisadora da universidade de pelotas

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Raquel Recuero, doutora em comunicação pela Universidade Católica de Pelotas, chefiou um grupo de estudo contratado pelo próprio Google Inc. (divido com uma equipe indiana na Índia) pra estudar as razões do sucesso do Orkut em ambos os países.

Como rolou a pesquisa encomendada pelo Google para entender o Orkut no Brasil?

Aconteceu em 2005 e em 2006. Fui chefe de uma turma que tinha o Alex Primo, Ricardo Araújo e a equipe do Google Inc. (Manu Rehk e outro pessoal). Contrataram a gente pra trabalhar com pesquisa qualitativa e outro pessoal lidou com banco de dados do Google.

A idéia era tentar identificar como Orkut crescia e como tinha acontecido. Durou mais ou menos 6 meses entre preparação e realização de resultados. Participou também a Lada Admit, da Universidade de Michigan (nota do blogueiro: Danah Boyd, citada na matéria do Orkut, ia entrar no grupo, mas trocou o Google pelo Yahoo logo antes do processo).

E quais foram as descobertas?
Na verdade, não existia um único fator. Descobrimos um conjunto de fatores que o Orkut tinha no Brasil que atuavam juntos. Alguns deles eram o fato de a comunidade ter adotado logo no início, o que culminou em competição entre as cidades (antes, SP contra Rio contra Porto Alegre; depois, todas juntas para bater Estados Unidos).

De março em diante tinha crescimento muito alto por questão da competição. Enquanto americanos convidavam 5 pessoas, brasileiros convidava 30 pessoas (o número é metafórico -na real, diz ela, os brasileiros convidavam muito mais), que, na média, aceitavam muito mais os convites. Acreditávamos também que (o Orkut começou a fazer sucesso no Brasil) por que não havia concorrência no Brasil, enquanto o Facebook começava a explodir no EUA.

A invasão brasileira em 2004 tinha (como motor) a questão da língua. Em junho de 2004, quando passou, estava pesquisando (redes sociais) para usar como tema de trabalho quando chegou alguém na sala de aula gritando “o Brasil passou os EUA”.

Era (uma identificação) muito forte. Aí é uma questão cultural do brasileiro ser muito participativo. O Brasil sempre entra muito (em competições ¨cívicas¨ do tipo), é uma característica bastante marcante. Depois da festa (organizada em São Paulo pelo Alexandre Matias e comparsas), a mídia começou a noticiar bastante o serviço.

A interface simples do Orkut ajudou na divulgação?
Existem alguns fatores complementares. O Orkut tinha um problema muito sério: era em inglês, o que impediu bastante crescimento no começo. Pra driblar, usuários faziam perfis para outros – meu amigo não fala inglês, mas eu fiz um perfil pra ele.

O interesse cresceu no sistema com comunidades do tipo “Como Não Como”. Estes pequenos fatores geraram um centro de interesse no sistema. Mesmo em inglês, a interface era simples e bonitinha, permitindo ver os amigos das pessoas. Claramente, cerca de 400 usuários (entrevistados) falavam que era bonitinho e que dava pra ver quem eram os amigos.

O Facebook sempre teve uma desvantagem em relação ao Orkut, que é interface, muito difícil, complicada e que o usuário não entende de cara o que tá acontecendo no seu perfil. O Facebook não pegaria (no Brasil) por que não permite que você veja os amigos, ele limita a visualização de rede (nota do blogueiro: Recuero escreveu um post necessário à questão). Você não consegue xeretar no perfil da pessoa.

Já o MySpace tem problemas de interface, é necessário equilíbrio entre as coisas para você ver e interagir.  As primeiras impressões do MySpace remetiam a coisas de criança, mas daí começa aquela coisa de música, e usuários começam a ver como espaço interessante. O MySpace está mais para blog que para rede social.

Apesar do Brasil ser bastante social, (o Orkut) pegou bastante na Índia. Existem, porém, características culturais diferentes do Brasil e uma outra perspectiva diferente do sistema. O jeito que se usa é muito parecido entre brasileiros e indianos, com algumas pequenas diferenças – mais pra se conhecer pessoas, menos para mostrar quem são os amigos. No Brasil também registramos o uso de comunidades como crachás, que mostram a que grupos você faz parte, sem muita participação.

O Orkut sofre algum risco no Brasil?
É uma pergunta difícil. O Orkut está consolidado. Todo mundo está lá por que seus amigos estão lá. Agora, acho que Orkut de 2007 pra cá deu uma parada na questão dos caras acessando pra ver o tempo todo. Neste sentido, o OpenSocial é uma tentativa de criar interesse.

Acho que o que pode acontecer com a redução de uso é o sistema se tornar cada vez mais chato e fazer com que usuários criem perfis em outros sistemas. Se outras redes foram mais recompensadoras, pararão de usar o Orkut. Este risco existe, mas é coisa difícil e depende da migração dos amigos. O grande risco do Orkut é perder os influenciadores, que mantêm a rede coesa. Se eles saírem, todos os outros podem sair junto. Isto é um risco, num momento que o Twitter está – o cara descobre que o rival é mais legal e pára de usar o antigo.

Written by Guilherme Felitti

July 15th, 2008 at 9:16 pm

orkut – abel reis, presidente da agência click

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Nao custa dizer de novo: Abel Reis, atualmente na presidência da Agência Click, é uma das melhores (senão a melhor) fonte sobre internet no Brasil por que simplesmente dá ênfase mais ao assunto ¨Brasil¨ que ao assunto ¨internet¨.

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Quais as razões do sucesso do Orkut no Brasil?
Uma das razões é do sucesso do Orkut no Brasil é, primeiro, uma bem ampla que diz respeito ao sucesso que qualquer espaço de convivência digital tem no Brasil, desde o chat.

Hoje não se fala tanto, mas chats, messengers e agora as redes sociais (até mesmo as 3D) têm características de aproximação e de propiciar uma troca de experiência, informações e memória que parecem bem compatíveis com espírito gregário que o brasileiro de uma maneira geral parece ter.

Além disto, no ambiente digital esta experiência gregária é mais ou menos protegida (covardia??) pelo avatar ou na segurança de casa ou escritório.

A segunda coisa tem a ver com a interface de uso do Orkut. Acho que a interface do Orkut tem simplicidade “quase tosca”, não tem um apuro e uma sutileza, como há na interface do Facebook, mais voltado pra quem tem cultura digital mais madura. Acho que esta interface simples do Orkut é muito propícia a novos usuários, exigindo pouco domínio prévio de interface web, como exigem Facebook ou (disparado) Second Life. É mais simples que usar o MySpace também.

Quais são os próximos passos que o Google deve tomar com o Orkut?

O Orkut no Brasil não é uma ferramenta de ¨early adopter¨, massificou. Há uma preocupação do Google tanto no sentido de incorporar funções nascidas em ferramentas mais avançadas. Tenho minhas dúvidas se a cultura dos usuários do Orkut é sensível a estas inovações (apresentadas, principalmente, pelo Facebook).

C
om certeza, algo que acho que tem potencial explosivo no Orkut é mídia. O Google tem que definir formato adequado para isto. Não será display media (banner) e, se for um formato adequado e não invasivo, pode realmente fazer um grande sucesso.

Acho que, obviamente, eles não planejaram este sucesso. Temo que formatos publicitários que estejam sendo pensados sejam relativamente conservadores, do tipo banner ou gadgets patrocinados – são conservadores por não valorizar o potencial de conectividade que o Orkut traz.

Para mim, é simpática a idéia de desenvolver um programa de incentivo à propagação dentro do Orkut em que você premie os agentes propagadores pela performance da atividade. Ao invés de pensar no Orkut como veículo, pensar na própria audiência do Orkut como veículo.

Vejo os líderes em redes sociais como próxima forma de publicidade (na mídia social). Procurando a reputação dos líderes dentro dos grupos e alavancar exposição da sua mensagem publicitária através deles, isto tem um poder enorme. Acredito muito nisto, de ter modelo de influência nas redes para que elas possam retornar aquilo que você espera – audiência, decisão de compra, etc.. Inevitavelmente, isto misturaria conteúdo e publicidade.

Com esta idéia em franco renascimento, o estilo ¨Milton Neves¨ é o futuro?
A mídia é uma frente muito promissora em várias formas. Esta cadeia de relações entre produtos de conteúdo, agência e anunciantes tá se reinventando. É  inevitável que, dentro de redesociais, conteúdo seja inevitável para alavancar marca, mas não no modelo broadcast. É um tipo de mídia sensível a conteúdo e articulada dentro da própria rede por meio dos líderes é promissor.

O Orkut já está inatingível para o MySpace Brasil? Como fica o Facebook na briga?

Em termos de massa de audiência, sim. Acontece que a estratégia do MySpace, acertada por ser segmentada, pode não migrar, mas duplicar audiência. Você terá página do Orkut para amigos da escola, mas terá um perfil no MySpace para encontrar outras tribos, pra encontrar as bandas que você gosta. A fragmentação é inevitável. Acho improvável que o MySpace desbanque o Orkut.

Acho que é uma fraqueza do Facebook (no Brasil) ter interface inodora e incolor, já que os brasileiros gostam de coisas de gosto duvidoso e um pouco eletrizante (nota do blogueiro: leia-se gifs e animações que causam epilepsia), coisa que você encontra em blogs e comunidades no Brasil. MySpace e Orkut podem entregar isto, mas Facebooko. Os componentes utilitários no Facebook compõem um estágio um pouco mais avançado da cultura web, do sentido mais experimentado.

A cultura do Orkut é compartilhamento, reencontro, entretenimento. Já o Facebook claramente tem este posicionamento de ¨early adopter¨ e elite no Brasil. (Para massificação no Brasil) acho-o fraco, já que o Facebook tem muita dispersão – o Orkut vai direto ao ponto.

O fator ¨timing¨ do Orkut no Brasil foi importante?
Não acho que ser o primeiro entrante seja bom. Historicamente na internet, isto não é garantia – pense no ICQ. É claro que ser o primeiro é bom, mas garante muito pouco na vida real da web. A demora de você encontrar um competidor no Brasil que tivesse alguma projeção neste sentido é mais importante. É evidente que isto o colocou primeiro na vitrine, mas isto não explica por que as pessoas pegaram da vitrine. Não acho decisivo.

Os players internacionais nunca deram muita bola para mercado nacional. Já os grandes players nacionais tão aí e foram UOL, Terra e iG que perceberam e tiraram todo o valor que o mercado tem pra dar.

O brasileiro tem avidez pelo compartilhamento e pela inte
ração, mas também tem algo confessional: ele tem um estilo um pouco de dizer o que pensa, confessar-se, que é muito favorável, aderente às características das redes sociais.
Não é a toa que os reality shows fazem sucesso no Brasil. Pessoas realmente gostam de falar de si e bisbilhotar a vida alheia – e o Orkut é prato cheio para isto. O brasileiro médio tem esta atitude um pouco confessional, o que pegou os players internacionais de surpresa.

Written by Guilherme Felitti

July 15th, 2008 at 7:58 pm

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carta capital: o google brasil entre as estrelas e a escória

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Carta Capital da quinzena (do mês?). Original aqui.

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Devo confessar que muito me assusta o ímpeto dos que acreditam que o Google replica no Brasil todo seu potencial de inovação e assustadora competência internacional. Isto quer dizer que a operação nacional do Google é desprezível? Muito longe disto e sobram exemplos para contradizer a tese: a ótima adaptação do Google Maps para o mercado nacional, feito totalmente nos laboratórios do buscador em Belo Horizonte, é, provavelmente, a melhor delas.

Há um boato, não comprovado como todos os boatos, que engenheiros brasileiros, locados também em BH, são os únicos com permissão para mexer no PageRank, o algoritmo de busca e galinha dos ovos de ouro do Google, fora da sede da empresa, na Califórnia.

Mas, como bem observou uma colega de trabalho, como pode uma empresa que traz constelações distantes ao usuário dentro de um navegador ou financia um concurso milionário para incentivar a corrida espacial não conseguir identificar e limar conteúdo criminoso (pornografia infantil, notoriamente) do Orkut, seu fenômeno social entre internautas brasileiros?

A assinatura do Termo de Ajustamento de Condura (TAC) entre Google Brasil e Ministério Público Federal de São Paulo, feito no começo de julho, tem muitos percalços longe da credibilidade que o brasileiros atestam ao buscador criado por Sergey Brin e Larry Page e algumas conseqüências muito boas para a segurança digital dos brasileiros.

A crescente pressão nas relações entre Google Brasil e MPF no decorrer destes quase dois anos em que a fiscalização no Orkut começou a se fazer necessária transformou deu contornos de literatura (barata) ao caso, com dois antagonistas que misturam desprezo pela frase alheia com orgulho por seus últimos passos.

Sejamos mais claros quanto a fatos. Em fevereiro de 2006, a ONG baiana SaferNet encaminhou ao MPF relatório denunciando a existência de conteúdos considerados criminosos, como pornografia infantil, incitação ao ódio, venda de remédios controlados e tráfico de drogas, dentro do Orkut, o que fez com que o MPF intimasse o presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen. Apenas de pornografia infantil, eram mais de 1,2 mil comunidades, aponta o documento.

Começa aí o calvário. Na primeira etapa do processo legal, o Google Brasil adotou uma postura altamente questionável: o responsável pelo Orkut não era o braço brasileiro, mas sim a matriz do buscador, identificada como Google Inc. em esclarecimentos públicos.

Por mais absurdo que soasse, o argumento tinha como razão um impedimento jurídico. Enquanto o MPF exigia provas dos crimes praticados para encaminhar à Justiça um pedido de quebra de sigilo, a legislação dos Estados Unidos, onde estão os servidores responsáveis por armazenar os dados criados e trafegados no Orkut, força a exclusão de imagens de pornografia infantil no ato de suas descobertas.

No impasse, o Google Brasil resolveu lavar as mãos, prometendo “repassar as denúncias à matriz“. Acrescente um agravante: o advogado contrato pelo buscador para lidar com a imprensa, Durval Noronha, que tem um escritório de advocacia homônimo, se notabilizou pelos decibéis que atingia quando conversava com a mídia.

Dezoito meses depois, Noronha continua conhecido no meio pelos gritos que dava com jornalistas como se a potência do seu gogó contornasse a falta de um argumento cabível para que o Google Brasil não combatesse os crimes dentro do Orkut. Descobriu-se mais tarde que Noronha foi responsável por defender o traficante norte-americano William Reed Elswick, refugiado no Brasil e ajudado por Edmar Cid Ferreira.

No primeiro turning point da história, a tensão no caso atinge o ápice em agosto, quando o MPF pede à Justiça o fechamento do Google Brasil, alegando seguidos descumprimentos de ordens judiciais que exigiam a quebra de sigilo de dezenas de usuários suspeitos de crimes.

“É uma questão de soberania do Estado brasileiro. Uma empresa que se instala no País, sob as leis brasileiras, tem o dever de atender às solicitações da Justiça”, afirmou o procurador da República Sérgio Suiama, na época. Ironicamente, o aparente desinteresse do Google Brasil junto à truculência de Noronha alçaram MPF e SaferNet ao posto de defensores dos interesses nacionais frente à multinacional estrangeira. Os personagens da novela estavam a postos.

O antagonismo se manteve sem muitas mudanças no ano seguinte, quando, em um mal explicado teste, o Google Brasil retirou a publicidade integrada ao Orkut, demitiu Noronha e, alegando crescimento do escritório nacional (balela), anunciou uma divisão dentro do Google Brasil para lidar com pedidos da Justiça. Nos bastidores, negociações com Ministério Públicos Estaduais e Federais de 5 Estados (Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Acre e Rio de Janeiro) avançavam a passo de lesma.

Aí vem o segundo turning point. Com a criação da CPI da Pedofilia, Hohagen é intimado a depor no Senado após ignorar o primeiro convite do comissão, presidida pelo senador Magno Malta (PR-ES), que já teve seu nome envolvido no escândalo das Sanguessuas. Pressionado, o Google Brasil contratou o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para elaborar sua estratégia de defesa. No começo de abril, Hohagen falta a confraternização de funcionários do Google no México para depor à CPI e prometeu “limpar o Orkut“.

Em julho, o Google Brasil anuncia que cumprirá suas promessas, instalando filtros para impedir a publicação de imagens de pornografia infantil e criando um canal de comunicação com o MPF que permitirá que as denúncias cheguem ao buscador, que quebrará o sigilo dos usuários apontados e enviará informações pessoais, como IP, para a Justiça. Há ainda, soluções pontuais, como a distribuição de cartilhas de educação digital a crianças e reuniões com autoridades para avaliar os avanços no combate à pedofilia.

No meio do caminho, um funcionário da ArkoAdvice, consultoria contratada pelo Google Brasil, é preso lendo documentos sigilosos que apenas membros da CPI poderiam ter acesso, como nomes de crianças que sofreram abuso sexual e foram intimidas a depor. A consultoria não gosta do termo “lobista” empregado (com propriedade) pelo IDG Now! e, em contato com este colunista, mente ao afirmar que seu funcionário não viu nada demais.

O depoimento do lobista à Polícia do Senado Federal, publicado na íntegra no Chá Quente junto ao texto do TAC, desmente a consultoria.

A notícia expõe o Google Brasil a uma situação delicada no mesmo dia em que Hohagen é novamente chamado para o Senado, o que faz com que o buscador encerre o contrato que tem com a ArkoAdvice, no segundo prestador de serviços demitido em pouco menos de dois anos.

A assinatura do TAC coloca, finalmente, um fim à petulância que o Google Brasil demonstrava no início e dá espaço para que tanto MPF como SaferNet gastem tempo atrás dos outros 10% de pedofilia na internet brasileira que não tem relação com o Orkut.

O próximo alvo, admite Suiama, são serviços de e-mail gratuitos, que podem servir como repositórios online de pornografia infantil, como o Hotmail, da Microsoft, ou o Gmail, do próprio Google. Há indícios de aliciamento de crianças por softwares de mensagens, como o MSN Messenger, mas o MPF admite ser muito difícil fazer qualquer tipo de monitoramento.

O que mudou no antagonismo entre MPF e Google Brasil? A pergunta suscita respostas que pendem para o lado escolhido.

O Google Brasil se diz aliviado por ter chegado a um acordo em que seus funcionários responsáveis por avaliar se as denúncias de pornografia infantil realmente o são não seriam enquadrados pela legislação brasileira, que prevê o envio do conteúdo como crime, mas não seu armazenamento. O MPF segue um discurso pontuado por “finalmentes” e palavras que seguem o caminho de um império que se curvou às regras regionais do país.

Em quem acreditar? Na imaturidade geral, fique com seu raciocínio. Melhor não dar atenção a uma rixa que envolve mais os próprios nomes que a razão primordial da lambança: a segurança dos brasileiros na internet.

Written by Guilherme Felitti

July 15th, 2008 at 2:24 pm

orkut – rogério de paula, antropólogo da intel

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De volta à proposta original deste Chá, segue a primeira de uma tonelada de entrevistas feitas pra matéroa sobre as razões do sucesso do Orkut no Brasil (¨pra quê fazer se é tão óbvio?¨. ué, é mesmo?) que rolou no Now! nesta semana.

A primeira entrevista fica com Rogério de Paula, antropólogo da Intel Brasil. Note que as perguntas foram adaptadas e o texto, digitado a partir de uma conversa telefônica, foi editado para ter um mínimo de sentido e organização.

Em negrito e itálico, anotações deste repórter feitas durante a edição para posterior conferência caso fosse necessária à matéria.

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Quando ouviu pela primeira vez do Orkut?
Parte da minha pesquisa (levada para a Intel Brasil) começou no doutorado com tecnologias para redes sociais, desenvolvida antes mesmo do Orkut nascer. O Orkut apareceu numa comunidade bem pequena que tava ao redor da Bay Area, onde está o próprio Google.

Como eu estava naquela comunidade, recebi um convite. A idéia era uma rede fechada atrair um certo grupo de pessoas e você espera que alguém que você conheça te convide. Comecei a ver este crescimento pra América Latina e Brasil (como?).

Ao mesmo tempo, quando começou a criar massa crítica no Brasil, motivava uma certa competição com os EUA. Acho que foi 23 de junho de 2004 (o dia em que o número de brasileiros passou o de norte-americanos). Foi a primeira vez na web brasileira que havia um site norte-americano com mais brasileiros. Era uma noção não de patriotismo, mas de nacionalidade. como a Danah Boy (pesquisadora de redes sociais em Berkeley) escreveu.

A estrutura do Orkut tem a ver com algum traço da cultura brasileira?
(O Orkut) se integrou muito bem com as práticas culturais dos brasileiros, de querer se relacionar com as pessoas e querer interagir. Ele se tornou muitas ferramentas. Quando estava nos EUA, ele era basicamente uma ferramenta para conectar pessoas conhecidas e em nível profissional. No Brasil, ele virou quase um calendário pessoal, pra saber os aniversários dos amigos.

O Orkut fez sucesso por ser o primeiro a chegar no Brasil, convergindo a cultura brasileira em  buscar a integração entre pessoas. Ao invés de replicar o mundo físico, ele foi instrumento de suporte para que pessoas interagissem facilmente.

Com certeza, ele reflete muito a questão do brasileiro no número de amizades. Então virou um jogo quantas pessoas se tem na rede, algo de valor, embora isto seja algo que não se trabalhe facilmente no dia a dia, já que não dá pra representar. (Esta representação)  emergiu muito no Orkut e não era tão importante lá fora.

O Orkut corre risco no Brasil?

Como o brasileiro já tinha uma certa dominação no Orkut, mudar a prática era muito mais complicado. O MySpace começou num nicho diferente, dentro de universidades, o que levou a representar interesses dos estudantes norte-americanos.

Acho especial como ele se transformou sem ter muitas mudanças na tecnologia. Existem questões interessantes surgindo, como a interface aberta, como as empresas criarão novos produtos, como haverá a exploração por mobilidade. Quando os gadgets móveis entrarem no mercado, vai ser interessante ver como serão integrados às redes sociais. A questão geográfica vai ser bastante interessante – o lugar onde você estiver vai contar muito pras coisas que você fará.

Como a mídia trabalhou o aparecimento do Orkut?

Pra mim, foi a questão da curiosidade. Você tem um site fechado e todo mundo quer fazer parte. As pessoas ficaram curiosas. Como era o primeiro que chegava no Brasil, elas queriam se tornar exclusivas.

A própria mídia reinforçou o Orkut, a partir do momento em que ele se tornou parte. De um lado, a mídia tornou a (penetração) mais aparente, aumentou a curiosidade da população, que não seria atingida pela rede social. Ao mesmo tempo, ela reinforçou a questão da competição e da identidade do brasileiro.

Written by Guilherme Felitti

July 14th, 2008 at 12:29 am