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May 15th, 2008 — cultura, internet

“O resultado da pesquisa apenas confirmou o que eu já imaginava após a sessão. Os números não foram formidáveis. Entre as razões pelas quais mais pessoas não avaliaram o filme como excelente, os 5 primeiros itens mencionados estavam relacionadas a intensidade:
1 – Cena de estupro muito forte. 2 – Cenas de estupros muito longas. 3 – Muitas cenas de estupro. 4 – Filme muito intenso. 5 – Filme difícil de assistir.
E pensar que eu estava com medo de ter feito um filme muito limpinho… Tive que dar o braço a torcer para o pessoal da Miramax, havia mesmo passado do ponto.
Para completar a noite desastrosa no focus group, uma mulher, que havia avaliado o filme como “pobre”, fazia questão de participar ativamente do debate levantando todo tipo de problema que passava pela sua cabeça perversa e despenteada. Se o braço da minha poltrona fosse removível provavelmente teria tentado acertar aquele cucuruto grisalho de onde saía sua voz irritante:
“The sexual violence is totally gratuitous in the film”, dizia.
“Fecha essa matraca e vá pentear esse cabelo minha senhora!”, eu replicava mentalmente. “E aproveita e bota uma tintura também!”
…
Perdão. Me deixei levar pela emoção.”
Impressionante a transparência que Fernando Meireless aplica nos seus posts sobre a produção (agora, praticamente encerrada em nome da divulgação) do “Ensaio sobre a cegueira“.
O detalhamento que ele faz do processo de finalização do filme, com mais de 10 versões de edição do material bruto, sessões de testes com amigos e cinéfilos comuns (o que o levou à explosão contra a descabelada senhora canadense descrita acima) e a correria para cumprir datas previstas em contrato pelo mundo são um prato cheio pra quem gosta de cinema e pretende entender os passos além do glamour e das porradas de Cannes.
May 14th, 2008 — internet, mercado
Não chega a ser uma surpresa, mas a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) abusa da governabilidade da exceção com o acúmulo de Medidas Provisórias para viabilizar as medidas de incentivo à indústria nacional.
A conseqüência mais direta é que qualquer entrevo entre Base Aliada e Oposição é suficiente para travar a pauta de votação e deixar os (ousados) objetivos do PDP sem estrear, um risco num plano de investimento nos próximos três anos.
Em tecnologia, o impacto mais gritante do PDP está na pretensão do Governo em atrair duas fabricantes de semicondutores ao Brasil (!!), das que lidam diretamente com silício para fabricar componentes (tecnbicamente conhecidas como front-end) - atualmente, temos apenas as que montam os componentes já prontos e importados.
É bastante ver a euforia em colocar 2 fábricas como meta em um setor tradicional bastante difícil no Brasil - cercada de uma euforia que só perde para o tão sonhado primeiro Oscar brasileiro, argumenta a chefia.
Os incentivos fiscais necessários para atrair as fábricas não foram revelados pelo Governo (olha a avalanche de MPs aí), mas o nome da Toshiba ganha força depois da visita da Ministra da Casa Civíl, Dilma Roussef, ter feito com que os japoneses ressucitassem a idéia de fabricar no país, revela Josias de Souza em seu blog.
Nos impulsos de pesquisa, o Governo pretende dobrar (de 7 para 14) as chamadas Design Houses, do programa CI Brasil, que usa dinheiro público e privado para incentivar pesquisas em microcircuitagem e chips, numa semente ainda para um setor ainda incipiente no Brasil.
Já a exportação de software é a que tem a pretensão mais ousada: a receita deverá mais que quadruplicar em dois anos e meio, dos US$ 800 mi em 2007 para US$ 3,5 bi em 2010, e 2 empresas nacionais (que fixação, hein?) deverão ter receita maior que US$ 1 bilhão.
Factível? Serão investimentos de até R$ 41,2 bilhões até lá, entre isenções fiscais para pequenas e médias empresas (foco principal da iniciativa) e outras ações (de novo) não detalhadas pelo Governo.
No site do PDP, definições como “Ampliar a inserção internacional”, “Incrementar o investimento em capacitação tecnológica”, “Fortalecer empresas brasileiras de tecnologia nacional apoiando consolidação empresarial” e “Consolidar e fortalecer a marca ‘Brazil IT’” não são explicadas o suficiente pra dar um sentimento de conforto (ou de capacidade) para metas tão ousadas.
No “samba do PDP louco”, entram também uma fábrica e centros de pequisa para displays, levar a 100% dos colégios públicos banda larga (projeto tocado pelo MiniCom originalmente, não pelo Desenvolvimento), dobrar a base de PCs instalados (a FGV, ironicamente, deu uma previsão animadora na mesma semana) e reduzir o crescente déficit em componente eletrônicos (quem não fabrica, só compra pronto, ué).
Ao contrário do PAC, que apostava muito em isenções fiscais (o seu micro comprado, e não montado, agradece), o PDP é um tratado de boas intenções com objetivos altíssimos (ainda mais para 2 anos e meio, este blog reitera) que depende de um ambiente altamente instável - o balanço entre Governo e Oposiução da política brasileira.
Seu eu me animaria? Gostaria. Mas, sem saber as ações pontuais, não fico.
May 14th, 2008 — internet

Semana que vem, o Gizmodo, do magnata dos blogs Nick Denton, ganha versão nacional. Um esboço do que será o blog, ainda sem publicidade, álbuns desorganizados e textos no estilo engraçaralho do Gizmodo, tá no ar. Não há notícias sobre outras versões regionais do blog.
O editor Briam Lam e a VP da editora responsável pelos direitos do Gizmodo Gaby Darbyshyre vão estar no Brasil na próxima semana pra falar sobre o projeto, tocado no Brasil pela rede de loja Gamers, chegada ao Brasil no final do ano passado. por um site brasileiro de venda de produtos de tecnologia chamado Gamers, o mesmo da rede de lojas do México.
Pelo jeito, a rede mexicana de varejo O serviço brasileiro decidiu arcar com os US$ 5 mil mensais de royalties exigidos pela Gawker, segundo pessoas que negociaram com a editora na tentativa de trazer o Gizmodo antes pro Brasil.
O endereço http://br.gizmodo.com cai na versão norte-americana do blog.
Blogueiros que queiram cobrir a visita de Lam e Darbyshyre ao Brasil devem entrar em contato com a Luciana Ferraz por e-mail ou pelo Twitter.
Update: duas correções. A primeira, já posta em suspeita no Twitter ontem, é sobre quem vai trazer. Não é a mexicana Gamers, mas a nacional Gamers - correlação falsa no caminho.
A outra é a “cobertura da tal visita” - uma falha de entendimento deste blogueiro fez com que achasse que rolaria uma coletiva. Não vai. São contatos pontuais com a imprensa.
May 12th, 2008 — internet

Na hora em que o Governo Federal anuncia um programa para incentivar a indústria nacional, o responsável pelas notícias no site especial da Política de Desenvolvimento Produtivo dentro do site do Ministério do Desenvolvimento resolve testar notícias e imagens.
Pelamordedeus.
May 9th, 2008 — internet

Assunto já é passado, mas que se registre: o caso WordPress no Brasil se encerrou como de praxe.
O tal movimento contrário não teve a vergonha nem de dar o caso por encerrado - depois de quase um mês sem atualização, uma referência mixuruca para um blog amplamente linkado e identificado como resistência.
Fora da histeria habitual da blogosfera em parir aqueles comentam, ao mesmo, a mesma coisa (o que rendeu até um momento Queda da Bastilha aqui nos comentários do Chá), foram poucos os que se atreveram a entrar no centro da questão - o melhor, disparado, foi Rodrigo Ghedin em seu pBlog (que, aliás, nem blog jornalístico é).
Já é chutar cadáver por aqui, mas não basta aprofundar a vergonha-alheia: com o bloqueio do endereço em questão (e mais 20 outros que usam identidades de terceiros para difamação), a Abranet tirou o corpo fora, colocou a culpa em provedores pequenos (”que admitiram que não tinham capacidade de bloquear um só”, disse seu presidente, Eduardo Parajo) e perdeu mais um naco da sua já combalida credibilidade.
O caso WordPress é um exemplo clássico do que o teatro chama de Deus Ex Machina, quando um fato ou personagem totalmente desconhecido entra na história para resolver todos os problemas.
O fator mudança aí é indicação de Marcelo Marcel Leonardi, advogado contratado pela Automattic rápido nas respostas, decente no trato com a imprensa e sem vergonha para classificar o comportamento da Abranet de preguiçoso.
No mar de merda digital do caso WordPress, são poucos os que merecem aplausos. A Automattic, Leonardi e Ghedin são três deles, sem sombra de dúvida.
May 8th, 2008 — internet

Eu torço pra caralho que o Blogueiro Repórter, que o corleonne da blogosfera brasileira Edney Souza tá organizando, dê certo. Dê resultados. Dê furos. Dê conteúdo que o lado Grande Mídia do balcão use e cite a referência.
Sério. Nem todo blog precisa ser jornalístico e nós já passamos por esta ladainha, não? Mas onde estão os olhos e braços que independem - da vontade e do espaço, principalmente - da tal mídia estabelecida? Cadê os indícios daqueles que diziam que iriam enterrar os velhor jornalistas?
Não existe mais história de enterrar. Mas existe a da ajuda mútua. A quem produz conteúdo jornalístico que mereça atenção e referência (blogueiro ou jornalista), o que é dele.
Se, ainda com a inclusão de crônicas, quadrinhos, artigos e análises no projeto, você queira farejar, apurar, relacionar fatos e redigir jornalisticamente, vai, meu filho: liga, pergunta, liga de novo, fica em cima, entra em contato com assessoria, manda e-mail no endereço encontrado no Google, vai atrás de referência que a primeira fonte falou, vasculha buscadores com termos semelhantes e, na boa, não leve ofensa de quem não te leva a sério.
E lembre-se sempre que, jornalista ou blogueiro, teu compromisso é contar uma história o mais próximo da realidade o possível pro seu leitor.
Quem quiser orientação, tem guias básicos e bons sobre jornalismo - no O´Reilly, Spencer Critchley dá 10 dicas essenciais (siga-as à risca e você deverá fazer um bom trabalho) e Robert Niles explica melhor o processo de apuração no Online Journalism Review da Universidade da Carolina do Sul.
A EFF tem um guia legal sobre o que blogueiros devem saber sobre legislação na hora de publicar conteúdo (jornalismo ou não) que possa incomodar alguém. É bom ter sempre à mão. Autor do “We The Media”, Dan Gillmor passa em revisão o assunto “jornalismo cidadão” pra quem tiver saco de ir mais a fundo.
Se for tecnologia, a caixa de e-mails tá aberta no que der pra ajudar. Há um perfil dentro da comunidade obrigatória no Ning.
Vai! Justifica todo este hype insustentável de conteúdo amador reciclado!
May 7th, 2008 — internet

Refrigerante, água, leite ou energético é pouco pra ti? Pleitei uma vaga no Digg, então. As geladeiras de lá têm cervejas - da mexicana Tecate à irlandesa Guiness americana (valeu, Melão) à belga Fat Tire. Na faixa.
May 7th, 2008 — internet
Virou o samba do crioulo doido a plataforma usada pela enxurrada de blogs do iG. A migração para WordPress, confirmada por Caíque Severo, diretor de conteúdo do iG, em março, já pode ser vista no blog de Milton Neves.
A grande maioria, porém, continua na plataforma própria do iG, enquanto o blog de Alon Feuerwerker usa o Blogger e o blog da Rita, dentro do Panelinha, tem um serviço que eu não consegui distinguir.
May 6th, 2008 — internet
Réplica anônima para uma (das tantas) bobagens que correm em listas de discussões que têm os blogs como centro.
Quem ignora LAN houses por achar que só há usuários do Orkut peca pelo mesmo motivo que levam novatos a julgar blogs como diárias de adolescente (o que, por conseqüência, faz com que os bloggers se sintam subjulgados).
E, no alto da prepotência, nêgo não percebe. Tsc tsc.
May 6th, 2008 — internet

O futuro das redes sociais é a especialização. Do ainda prematuro perfil do brasileiro na internet, sabe-se que gostamos muito de serviços gratuitos que consomem muita banda. Nenhum serviço, porém, havia se arriscado em trazer aquele velho estereótipo nacional para a grande rede.
Foda-se seu time: a “Louco por Ti Corinthians” (sic) tem uma puta relevância na internet brasileira por ser a primeira rede social centrada em futebol (ainda que apenas em um time) e, por ter sido criada num momento delicado de um grande time (incensando galinha preta, Guilherme?), tem uma base de respeito em um curto período.
Santista até o fundo da alma que este blog é, não custa nada lembrar duas coisas: quando alguém pensar numa “Agora quem dá a bola é o Santos.com.br”, ganha banner na coluna da direita; e que, no último confronto, a ensaboada santista (veja de novo, por favor) rendeu até pixação na Wikipedia.
Brincadeiras à parte, quem explica a rede social, criada logo após o rebaixamento do Timão, é seu criador, Oswaldo Salzano. Se eu fosse corinthiano, tava lá já.
1 - Quando surgiu a idéia de montar uma rede apenas para corinthianos? Se foi antes de dezembro, o rebaixamento atraiu mais usuários cadastrados?
A idéia apareceu exatamente no dia do rebaixamento. Já havia trabalhado no projeto de alguns portais verticais no passado e já tinha a intenção de criar uma startup baseada em Web 2.0 e redes sociais, faltava apenas o tema.
Sou corinthiano fanático, e o cenário caiu como uma luva para a criação do Louco Por Ti Corinthians. Da definição do escopo ao lançamento do primeiro beta funcional, foram apenas 15 dias. A solução técnica utilizada foi o principal fator para atender ao time-to-market tão apertado.
A rede foi lançada oficialmente no início de janeiro e possui uma taxa média de 150% de crescimento médio ao mês. É a maior prova do amor que um torcedor tem pelo time. Vale lembrar que o projeto é independente e não possui vinculo ou apoio da diretoria do Corinthians. O combustível para este crescimento é simplesmente a paixão do torcedor
2 - Qual o mérito de uma rede social que não tem torcedores de times rivais?
O objetivo de uma rede social segmentada não é apenas gerar relacionamento puro e simples, como no Orkut ou MySpace, mas também através de um assunto, paixão ou causa comum. E quando o assunto é futebol, a rivalidade é muito forte, o que acaba sendo uma barreira a tal objetivo.
Mas minha crença pessoal é que o Louco Por Ti Corinthians, antes de tudo, tenta recuperar a auto-estima de uma torcida tão fiel e apaixonada. Queremos oferecer um espaço onde o usuário, além de acompanhar os resultados e o desempenho do time, pode trocar idéias e experiências com outros torcedores e compartilhar a paixão pelo Corinthians.
3 - Quais são os principais picos de acesso à rede durante a semana?
Geralmente logo após os jogos e no dia subseqüente a eles. A audiência da rede está diretamente relacionada à atividade e sucesso do Corinthians. Na minha opinião, é o único risco do negócio: em períodos sem jogos ou com baixo desempenho do time, os acessos tendem a cair.
4 - A rede tem planos de expandir suas atividades com parcerias ou atividades além da internet?
Fomos procurados por algumas empresas de peso e estamos negociando algumas parcerias estratégicas e tecnológicas bem interessantes. Estas alianças vão viabilizar a aceleração do nosso crescimento e geração de receita, além de trazer muitas novidades para o usuário do site.
O que vem chamando a atenção dos parceiros é, além da inovação da idéia da rede social para um time de futebol e o nível de fidelidade do “consumidor da marca Corinthians”, é o fato do site ser uma startup lucrativa desde o primeiro mês de operação. Atualmente, 100% da nossa receita vem de publicidade, mas pretendemos expandir nossas fontes oferecendo serviços e produtos relevantes para o usuário, sempre através de parcerias.
O sucesso do site nos motivou a criar uma agência de Marketing e Comunicação Web focada em redes sociais. O projeto está em desenvolvimento e deve sair do papel no segundo semestre.
5 - Quantos usuários únicos e page views a rede tem hoje?
A rede possui hoje 22.200 usuários cadastrados, com 75% de usuários ativos (que acessam pelo menos 1 vez por mês) e gera aproximadamente 900.000 page views/mês. Cada usuário navega, em média por 10 páginas e fica conectado por 12 minutos em cada acesso.
Falando um pouco de futuro, nossas metas são agressivas. Pretendemos chegar em 150.000 usuários até o fim do ano e 500.000 ao final de 2009. Nosso objetivo principal é nos tornarmos a principal referência do Corinthians na Internet, com a grande maioria do conteúdo criado pelo próprio torcedor.