Meu relapso total com mensagens eletrônico foi apunhalado neste fim de semana quando, pela curiosidade de limpar minhas já datadas tags do Gmail, apaguei milhares de mensagens não lidas, me descadastrei de informativos eletrônicos, descobri a mágica do botão Archive e lembrei que as tags agora têm cores.
A anarquia de mensagens melhorou uma barbaridade - caiu das cerca de 9 mil para 2,5 mil mensagens não lidas.
Mensagens para o mestrado, para o Now!, particulares e para este Chá agora têm seus títulos coloridos por tags (o que desafogou as estrelhinhas, única seleção feita anteriormente) e uma nova regra força que qualquer e-mail lido seja logo arquivado.
As listas de discussão que participo chegam agora por apenas um e-mail que resume tudo o que foi dito no dia. Lido, arquivado.
Pela primeira vez em anos, minha caixa de entrada não parece um caos que misturava e-mails que deveriam ser respondidos com informativos inúteis, listas de discussão que não interessavam mais e promoções que driblavam o filtro antispam do Gmail.
Daí hoje eu descubro na Cnet o relato do Stephen Shankland, comentando a agradável surpresa que teve ao mudar do Yahoo Mail para o Gmail em termos de funções que facilitam a organização de mensagens.
Se você cultiva mas não curte o caos, como eu, se inspira no cara e comece tanto a mexer nos filtros do Gmail como a criar algums regrinhas de uso de e-mail. Sério, ajuda a produtividade que é uma beleza. Este Chá tende a se beneficiar da mudança.
Faz todo sentido. Considerado uma idéia ruim que deu certo pelo Fábio Gandour, teve como principal motivo por sua popularização a necessidade de apontar pontos na tela ou interagir com a interface gráfica de uma maneira que o teclado apenas não bastava.
Qualé a razão de ter um dispositivo mecânico que imita os movimentos da mão quando já se tem interfaces que reconhecem uma movimentação mais natural do corpo (ahê!) (tipo o Wii) ou movimentos diretamente no PC, sem a necessidade de um dispositivo físico (tipo multi-touch e a avalanche de gadgets que vêm por aí)?
O SenseSurface é outro possível prego no caixão do mouse - knobs físicos são acoplados à tela e permitem o controle de funções na interface gráfica do sistema operacional com maior precisão, no mesmo estilo que quem toca guitarra está acostumado com amplificadores ou reguladores de efeitos em pedais.
O botão se fixa magneticamente à tela do PC (estraga? os caras dizem que não) que reconhece a função envolvida, num esquema parecido de inclusão de chips nos dispositivos físicos com o Surface e as bolhinhas que surgem dos copos de bebida.
Softwares musicais são os que mais devem se beneficiar do protótipo, mas nada impede a adaptação do knob (e de outros botões, tipo slides) em outros formatos e para outras funções em micros que tenham apenas uma entrada USB, o que torna sua eventual penetração muito mais fácil.
Tá rolando um caso semelhante aqui em São Paulo - um cara encontrou outro numa madrugada n’A Lôca, pediu que o esperasse lá fora e, depois de pagar a comanda, nada.
No Garoto d’A Lôca, ele descreve como ambos estavam, como rolou o papo antes do desaparecimento e faz um apelo (meio piegas, vá lá) pra encontrar o cara de novo.
O cara apaixonado garante que não é viral. Se tu passou sua madrugada do dia 13 a 14 de julho e lembrar de alguém que se encaixe no perfil, dá um pulo lá.
E o John Stewart dá o veredito final sobre a polêmica do cartoon com o Obama na capa da New Yorker.
Aliás, a Brave New Films fez uma compilação pra mostrar a cobertura que a Fox News faz da Michelle Obama, mulher do Barack, num tipo de cobertura bastante peculiar à rede explorada no documentário ¨Outfoxed¨.
E o André abriu a boca demais no painel de hoje, revelando que o Noblat foi o mais votado pra recém-criada categoria de Blog Jornalístico do Prêmio Comunique-se, seguido pelo Juca Kfouri.
O que não é exatamente um assombro pra quem acompanha jornalistas com blogs. Agora, os 3 primeiros vão à sua segunda fase, como as outras categorias do prêmio (que, segundo a visão deste blog, premia os com maior visibilidae, não os que fizeram o melhor trabalho, pelo menos na categoria Tecnologia).
Mais tarde, um transcrito dos tópicos que este blogueiro selecionou pra apresentar na hora.
Rola neste sábado a segunda edição do NewsCamp, lá no Espaço Gafanhoto. Este blogueiro fala sobre as relações do jornalismo com os blogs no painel que fecha o evento com Lúcia Freitas e André Rosa.
Na pauta, principalmente como blogs (ou contribuições gerais) de leitores entram no noticiário, com uma batelada de exemplos que já passaram por aqui.
As inscrições já acabaram, mas aparece lá que eu duvido que alguém te barre.
Raquel Recuero, doutora em comunicação pela Universidade Católica de Pelotas, chefiou um grupo de estudo contratado pelo próprio Google Inc. (divido com uma equipe indiana na Índia) pra estudar as razões do sucesso do Orkut em ambos os países. Como rolou a pesquisa encomendada pelo Google para entender o Orkut no Brasil? Aconteceu em 2005 e em 2006. Fui chefe de uma turma que tinha o Alex Primo, Ricardo Araújo e a equipe do Google Inc. (Manu Rehk e outro pessoal). Contrataram a gente pra trabalhar com pesquisa qualitativa e outro pessoal lidou com banco de dados do Google.
A idéia era tentar identificar como Orkut crescia e como tinha acontecido. Durou mais ou menos 6 meses entre preparação e realização de resultados. Participou também a Lada Admit, da Universidade de Michigan (nota do blogueiro: Danah Boyd, citada na matéria do Orkut, ia entrar no grupo, mas trocou o Google pelo Yahoo logo antes do processo).
E quais foram as descobertas? Na verdade, não existia um único fator. Descobrimos um conjunto de fatores que o Orkut tinha no Brasil que atuavam juntos. Alguns deles eram o fato de a comunidade ter adotado logo no início, o que culminou em competição entre as cidades (antes, SP contra Rio contra Porto Alegre; depois, todas juntas para bater Estados Unidos).
De março em diante tinha crescimento muito alto por questão da competição. Enquanto americanos convidavam 5 pessoas, brasileiros convidava 30 pessoas (o número é metafórico -na real, diz ela, os brasileiros convidavam muito mais), que, na média, aceitavam muito mais os convites. Acreditávamos também que (o Orkut começou a fazer sucesso no Brasil) por que não havia concorrência no Brasil, enquanto o Facebook começava a explodir no EUA. A invasão brasileira em 2004 tinha (como motor) a questão da língua. Em junho de 2004, quando passou, estava pesquisando (redes sociais) para usar como tema de trabalho quando chegou alguém na sala de aula gritando “o Brasil passou os EUA”.
Era (uma identificação) muito forte. Aí é uma questão cultural do brasileiro ser muito participativo. O Brasil sempre entra muito (em competições ¨cívicas¨ do tipo), é uma característica bastante marcante. Depois da festa (organizada em São Paulo pelo Alexandre Matias e comparsas), a mídia começou a noticiar bastante o serviço.
A interface simples do Orkut ajudou na divulgação? Existem alguns fatores complementares. O Orkut tinha um problema muito sério: era em inglês, o que impediu bastante crescimento no começo. Pra driblar, usuários faziam perfis para outros - meu amigo não fala inglês, mas eu fiz um perfil pra ele.
O interesse cresceu no sistema com comunidades do tipo “Como Não Como”. Estes pequenos fatores geraram um centro de interesse no sistema. Mesmo em inglês, a interface era simples e bonitinha, permitindo ver os amigos das pessoas. Claramente, cerca de 400 usuários (entrevistados) falavam que era bonitinho e que dava pra ver quem eram os amigos.
O Facebook sempre teve uma desvantagem em relação ao Orkut, que é interface, muito difícil, complicada e que o usuário não entende de cara o que tá acontecendo no seu perfil. O Facebook não pegaria (no Brasil) por que não permite que você veja os amigos, ele limita a visualização de rede (nota do blogueiro: Recuero escreveu um post necessário à questão). Você não consegue xeretar no perfil da pessoa.
Já o MySpace tem problemas de interface, é necessário equilíbrio entre as coisas para você ver e interagir. As primeiras impressões do MySpace remetiam a coisas de criança, mas daí começa aquela coisa de música, e usuários começam a ver como espaço interessante. O MySpace está mais para blog que para rede social.
Apesar do Brasil ser bastante social, (o Orkut) pegou bastante na Índia. Existem, porém, características culturais diferentes do Brasil e uma outra perspectiva diferente do sistema. O jeito que se usa é muito parecido entre brasileiros e indianos, com algumas pequenas diferenças - mais pra se conhecer pessoas, menos para mostrar quem são os amigos. No Brasil também registramos o uso de comunidades como crachás, que mostram a que grupos você faz parte, sem muita participação.
O Orkut sofre algum risco no Brasil? É uma pergunta difícil. O Orkut está consolidado. Todo mundo está lá por que seus amigos estão lá. Agora, acho que Orkut de 2007 pra cá deu uma parada na questão dos caras acessando pra ver o tempo todo. Neste sentido, o OpenSocial é uma tentativa de criar interesse.
Acho que o que pode acontecer com a redução de uso é o sistema se tornar cada vez mais chato e fazer com que usuários criem perfis em outros sistemas. Se outras redes foram mais recompensadoras, pararão de usar o Orkut. Este risco existe, mas é coisa difícil e depende da migração dos amigos. O grande risco do Orkut é perder os influenciadores, que mantêm a rede coesa. Se eles saírem, todos os outros podem sair junto. Isto é um risco, num momento que o Twitter está - o cara descobre que o rival é mais legal e pára de usar o antigo.
Num evento no estilo keynote internacional na Daslu (com direito a riffs famosos na entrada de executivos), o presidente do Terra pra AL, Fernando Madeira (no melhor estilo Quico que passou longe do barbeiro nesta foto) apresentou a nova capa do Terra pros presentes.
Não, não é esta aí em cima, do especial de Olimpíadas do portal (aliás, viu que o Terra virou a Globo na internet pra transmitir os jogos?), mas vai seguir mais ou menos o layout, com uma barra horizontal lá em cima substituindo a coluna esquerda, um grande naco no lado direito reservado à TV Terra (parece que vai dar pra assistir na capa os vídeos) e um destacão com imagem grande ali no centro, rodeado por menores.
Cara, não é implicância minha, mas o preview que o Madeira deu e a recente mudança do UOL (entra lá pra ver), que colocou seu título principal sobre as imagens e as chamadas mais impactantes, dão uma impressão que ambos estão mais parecidos, em layout de capa, com a Globo.com - manchetes maiores, imagens grandonas, destaques moduláveis e, no caso do UOL nem tanto, grande projeção dos vídeos na capa.
Vale lembrar, ainda que parcialmente: um ótimo blog (é, perdi o link, uma pena) tirava sarro da brutalidade das manchetes que o Terra se habituou a publicar - tipo a morte de uma atriz num bloco com o chapéu Entretenimento. Muda-se por fora, mas, por favor, dá uma melhorada por dentro também.
Nao custa dizer de novo: Abel Reis, atualmente na presidência da Agência Click, é uma das melhores (senão a melhor) fonte sobre internet no Brasil por que simplesmente dá ênfase mais ao assunto ¨Brasil¨ que ao assunto ¨internet¨.
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Quais as razões do sucesso do Orkut no Brasil? Uma das razões é do sucesso do Orkut no Brasil é, primeiro, uma bem ampla que diz respeito ao sucesso que qualquer espaço de convivência digital tem no Brasil, desde o chat.
Hoje não se fala tanto, mas chats, messengers e agora as redes sociais (até mesmo as 3D) têm características de aproximação e de propiciar uma troca de experiência, informações e memória que parecem bem compatíveis com espírito gregário que o brasileiro de uma maneira geral parece ter.
Além disto, no ambiente digital esta experiência gregária é mais ou menos protegida (covardia??) pelo avatar ou na segurança de casa ou escritório.
A segunda coisa tem a ver com a interface de uso do Orkut. Acho que a interface do Orkut tem simplicidade “quase tosca”, não tem um apuro e uma sutileza, como há na interface do Facebook, mais voltado pra quem tem cultura digital mais madura. Acho que esta interface simples do Orkut é muito propícia a novos usuários, exigindo pouco domínio prévio de interface web, como exigem Facebook ou (disparado) SecondLife. É mais simples que usar o MySpace também. Quais são os próximos passos que o Google deve tomar com o Orkut? O Orkut no Brasil não é uma ferramenta de ¨earlyadopter¨, massificou. Há uma preocupação do Google tanto no sentido de incorporar funções nascidas em ferramentas mais avançadas. Tenho minhas dúvidas se a cultura dos usuários do Orkut é sensível a estas inovações (apresentadas, principalmente, pelo Facebook).
Com certeza, algo que acho que tem potencial explosivo no Orkut é mídia. O Google tem que definir formato adequado para isto. Não será displaymedia (banner) e, se for um formato adequado e não invasivo, pode realmente fazer um grande sucesso.
Acho que, obviamente, eles não planejaram este sucesso. Temo que formatos publicitários que estejam sendo pensados sejam relativamente conservadores, do tipo banner ou gadgets patrocinados - são conservadores por não valorizar o potencial de conectividade que o Orkut traz.
Para mim, é simpática a idéia de desenvolver um programa de incentivo à propagação dentro do Orkut em que você premie os agentes propagadores pela performance da atividade. Ao invés de pensar no Orkut como veículo, pensar na própria audiência do Orkut como veículo.
Vejo os líderes em redes sociais como próxima forma de publicidade (na mídia social). Procurando a reputação dos líderes dentro dos grupos e alavancar exposição da sua mensagem publicitária através deles, isto tem um poder enorme. Acredito muito nisto, de ter modelo de influência nas redes para que elas possam retornar aquilo que você espera - audiência, decisão de compra, etc.. Inevitavelmente, isto misturaria conteúdo e publicidade.
Com esta idéia em franco renascimento, o estilo ¨Milton Neves¨ é o futuro? A mídia é uma frente muito promissora em várias formas. Esta cadeia de relações entre produtos de conteúdo, agência e anunciantes tá se reinventando. É inevitável que, dentro de redesociais, conteúdo seja inevitável para alavancar marca, mas não no modelo broadcast. É um tipo de mídia sensível a conteúdo e articulada dentro da própria rede por meio dos líderes é promissor. O Orkut já está inatingível para o MySpace Brasil? Como fica o Facebook na briga? Em termos de massa de audiência, sim. Acontece que a estratégia do MySpace, acertada por ser segmentada, pode não migrar, mas duplicar audiência. Você terá página do Orkut para amigos da escola, mas terá um perfil no MySpace para encontrar outras tribos, pra encontrar as bandas que você gosta. A fragmentação é inevitável. Acho improvável que o MySpace desbanque o Orkut.
Acho que é uma fraqueza do Facebook (no Brasil) ter interface inodora e incolor, já que os brasileiros gostam de coisas de gosto duvidoso e um pouco eletrizante (nota do blogueiro: leia-segifs e animações que causam epilepsia), coisa que você encontra em blogs e comunidades no Brasil. MySpace e Orkut podem entregar isto, mas Facebook não. Os componentes utilitários no Facebook compõem um estágio um pouco mais avançado da cultura web, do sentido mais experimentado.
A cultura do Orkut é compartilhamento, reencontro, entretenimento. Já o Facebook claramente tem este posicionamento de ¨earlyadopter¨ e elite no Brasil. (Para massificação no Brasil) acho-o fraco, já que o Facebook tem muita dispersão - o Orkut vai direto ao ponto.
O fator ¨timing¨ do Orkut no Brasil foi importante? Não acho que ser o primeiro entrante seja bom. Historicamente na internet, isto não é garantia - pense no ICQ. É claro que ser o primeiro é bom, mas garante muito pouco na vida real da web. A demora de você encontrar um competidor no Brasil que tivesse alguma projeção neste sentido é mais importante. É evidente que isto o colocou primeiro na vitrine, mas isto não explica por que as pessoas pegaram da vitrine. Não acho decisivo.
Os players internacionais nunca deram muita bola para mercado nacional. Já os grandes players nacionais tão aí e foram UOL, Terra e iG que perceberam e tiraram todo o valor que o mercado tem pra dar.
O brasileiro tem avidez pelo compartilhamento e pela interação, mas também tem algo confessional: ele tem um estilo um pouco de dizer o que pensa, confessar-se, que é muito favorável, aderente às características das redes sociais. Não é a toa que os reality shows fazem sucesso no Brasil. Pessoas realmente gostam de falar de si e bisbilhotar a vida alheia - e o Orkut é prato cheio para isto. O brasileiro médio tem esta atitude um pouco confessional, o que pegou os players internacionais de surpresa.