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May 14th, 2008 — internet, mercado
Não chega a ser uma surpresa, mas a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) abusa da governabilidade da exceção com o acúmulo de Medidas Provisórias para viabilizar as medidas de incentivo à indústria nacional.
A conseqüência mais direta é que qualquer entrevo entre Base Aliada e Oposição é suficiente para travar a pauta de votação e deixar os (ousados) objetivos do PDP sem estrear, um risco num plano de investimento nos próximos três anos.
Em tecnologia, o impacto mais gritante do PDP está na pretensão do Governo em atrair duas fabricantes de semicondutores ao Brasil (!!), das que lidam diretamente com silício para fabricar componentes (tecnbicamente conhecidas como front-end) - atualmente, temos apenas as que montam os componentes já prontos e importados.
É bastante ver a euforia em colocar 2 fábricas como meta em um setor tradicional bastante difícil no Brasil - cercada de uma euforia que só perde para o tão sonhado primeiro Oscar brasileiro, argumenta a chefia.
Os incentivos fiscais necessários para atrair as fábricas não foram revelados pelo Governo (olha a avalanche de MPs aí), mas o nome da Toshiba ganha força depois da visita da Ministra da Casa Civíl, Dilma Roussef, ter feito com que os japoneses ressucitassem a idéia de fabricar no país, revela Josias de Souza em seu blog.
Nos impulsos de pesquisa, o Governo pretende dobrar (de 7 para 14) as chamadas Design Houses, do programa CI Brasil, que usa dinheiro público e privado para incentivar pesquisas em microcircuitagem e chips, numa semente ainda para um setor ainda incipiente no Brasil.
Já a exportação de software é a que tem a pretensão mais ousada: a receita deverá mais que quadruplicar em dois anos e meio, dos US$ 800 mi em 2007 para US$ 3,5 bi em 2010, e 2 empresas nacionais (que fixação, hein?) deverão ter receita maior que US$ 1 bilhão.
Factível? Serão investimentos de até R$ 41,2 bilhões até lá, entre isenções fiscais para pequenas e médias empresas (foco principal da iniciativa) e outras ações (de novo) não detalhadas pelo Governo.
No site do PDP, definições como “Ampliar a inserção internacional”, “Incrementar o investimento em capacitação tecnológica”, “Fortalecer empresas brasileiras de tecnologia nacional apoiando consolidação empresarial” e “Consolidar e fortalecer a marca ‘Brazil IT’” não são explicadas o suficiente pra dar um sentimento de conforto (ou de capacidade) para metas tão ousadas.
No “samba do PDP louco”, entram também uma fábrica e centros de pequisa para displays, levar a 100% dos colégios públicos banda larga (projeto tocado pelo MiniCom originalmente, não pelo Desenvolvimento), dobrar a base de PCs instalados (a FGV, ironicamente, deu uma previsão animadora na mesma semana) e reduzir o crescente déficit em componente eletrônicos (quem não fabrica, só compra pronto, ué).
Ao contrário do PAC, que apostava muito em isenções fiscais (o seu micro comprado, e não montado, agradece), o PDP é um tratado de boas intenções com objetivos altíssimos (ainda mais para 2 anos e meio, este blog reitera) que depende de um ambiente altamente instável - o balanço entre Governo e Oposiução da política brasileira.
Seu eu me animaria? Gostaria. Mas, sem saber as ações pontuais, não fico.
April 8th, 2008 — internet, mercado
Alexandre Hohagen deveria estar no México tanto para discutir assuntos internos com as dezenas de funcionários do Google Brasil que cá estão como para falar com os jornalistas brasileiros.
Não veio. Amanhã, Hohagen e Félix Ximenes vão a Brasília depôr na CPI da Pedofilia depois de intimação da Justiça - convidado na primeira vez, o Google ignorou um suposto depoimento.
A intimação reflete a postura petulante que o Google Brasil vinha demonstrando com autoridades brasileiras a respeito dos usuários responsáveis por conteúdos que quebravam a lei dentro do Orkut.
Da argumentação de que o responsável era o Google Inc., não o Google Brasil, à ação exageradamente grosseira e nem um pouco elucidativa de Durval Noronha, acostumado a gritar com jornalistas em coletivas, o buscador dava fortes indícios de não levar a peleja a sério.
A escolha de Durval, aliás, já é um tanto questionável - em 1989, era Noronha quem defendia o traficante norte-americano William Reed Elswick, com ligações com Edemar Cid Ferreira.
O cenário mudou quando anunciantes (comenta-se na Johnny Walker) encerraram contratos de publicidade dada a ligação entre suas marcas e comunidades de incitação a crimes no Orkut - nos bastidores, comenta-se um prejuízo de milhões de reais.
Pessoas próximas ao Google prometem que, nas próximas semanas, a coisa muda. Sinal disto é a contratação de Márcio Thomaz Bastos para a defesa do buscador dentro da CPI.
Já era tempo do Google Brasil começar a levar a sério os crimes feitos dentro do Orkut.
April 4th, 2008 — mercado, telecomunicações
Te lembra da suposição que o Google tinha entrado no leilão dos 700 MHz só pra forçar as operadoras interessadas a ultrapassar o preço de reserva (e exigindo a abertura das redes)?
O Google finalmente admitiu a estratégia, assumindo, inclusive, ter dado lances sobre suas próprias propostas por dez rounds pra ter certeza que o preço de reserva seria atingido. Azar da Verizon, que gastou mais do que desembolsaria sem o busador na parada.
April 2nd, 2008 — mercado, telecomunicações
Sistema de busca, aplicativos dentro do navegador, gerenciamento de e-mails, mensageiro instantâneo, software geográfico e plataforma de publicidade.
Se o acúmulo de campos em que atua (e tem um sucesso estrondoso) faz com que você faça parte do grupo daqueles que têm medo do Google, saiba que, apertando, ainda cabe mais um pra empresa de Sergey Brin e Larry Page.
O primeiro passo veio na semana passada, por meio de uma derrota. Ao invés de simplesmente se focar no “fim” (aonde usuários vão quando estão conectados à rede), o Google pretende apelar para o “meio” (provendo a própria estrutura para que o usuário acesse seus serviços).
Em 20 de março, a Comissão Federal de Comunicações (espécie de Anatel dos Estados Unidos) divulgou detalhes sobre o leilão do espectro a ser vago pela TV analógica, dando a vitória à Verizon e à AT&T, operadoras tradicionais no setor, nos dois principais dos cinco blocos em leilão. Interessado e na briga, o Google não levou nada.
Antes de tudo, o que leva o Google a se interessar por um setor onde não tem a mínima experiência? Em poucas palavras, a transição completa da TV analógica para a digital nos EUA, programada para fevereiro de 2009 (enquanto o Brasil planeja relançar seu combalido sistema de transmissão), vagará um bom espaço do espectro que ficará sem uso.
Um dos cinco blocos em que a FCC repartiu o espaço vago, o Bloco C, tem características técnicas que permitem uma rede de dados com velocidade e alcance suficientes para um serviço de banda larga nacional.
Já experimentando conceder acesso WiFi gratuito na região de Mountain View, o Google viu a chance de oferecer o acesso nacionalmente e realmente começar a agir como o “meio” para que mais pessoas chegassem ao “fim” –seus serviços ou sua plataforma de publicidade.
Não deu. Juntas, Verizon e AT&T gastaram 80% dos cerca de US$ 20 bilhões que a FCC arrecadou com o leilão, levando 336 licenças de exploração e, por parte da Verizon, o desejado Bloco C (uma tonelada de dados sobre o leilão está neste arquivo de texto do FCC ).
E porque o Google, que fechou 2007 com US$ 14,2 bilhões em caixa, não aumentou a oferta total de US$ 9,3 bilhões feita pela Verizon? Porque já tinha ganhado o que queria. Questão é que a FCC formulou uma cláusula no leilão exigindo que, após atingir o preço de reserva, o vencedor do Bloco C deveria abrir a rede que haveria de ser construída para softwares e produtos alheios.
Você deve conhecer alguém que já teve problemas com as altíssimas restrições que operadoras impõe a seus clientes. O Bluetooth travado em aparelhos, a internet difícil de ser navegada, o portal apenas com conteúdo próprio, as taxas abusivas para acessar sites convencionais - minha imprecisão deve ser facilmente compensada pela variedade de exemplos do tipo.
O modelo comercial das operadoras, alvo de reclamações freqüentes, sempre se baseou no conceito do “jardim murado”: você entra, mas existem diversas dificuldades para sair. Dados os investimentos milionários feitos por elas em estrutura, existe um medo comum de que as redes se tornem apenas um “meio” para outros conteúdos.
Por isto, você é obrigado a se deparar com um portal próprio da sua operadora com conteúdos sempre exageradamente caros e nem sempre variados – muito do dinheiro ganho com os clientes vem daí.
O primeiro passo para uma mudança neste modelo de negócios veio em 2007 por outro gigante de tecnologia em sua segunda investida no setor – a primeira foi, igualmente, uma derrota. Ao apresentar ao mercado o iPhone, a Apple também entortava as relações que fabricantes tinham com operadoras.
Ao invés de simplesmente se aliar à fabricante para custear aparelhos que prendessem o usuário à sua própria rede por longos planos pós-pagos, a AT&T cedeu poder à empresa de Steve Jobs confiando em outra idéia – a de que um aparelho novo, com liberdade de acesso a conteúdo, levaria a mais tráfego.
Deu certo. “Clientes gastarão mais tempo nos aparelhos (e, logo, nas redes), recebendo contas cada vez maiores e gerando maiores receitas para todos”, diz Fred Vogelstein, em uma excepcional matéria investigativa na Wired sobre como o iPhone foi concebido.
Mesmo sem ganhar a licença para montar a sua própria estrutura para banda larga sem fio nacional, o Google ganhou a certeza que poderá ver seus aplicativos (principalmente o Android, sua plataforma aberta de desenvolvimento para celulares ) rodando no Bloco C, independente do vencedor, numa espécie de simbiose boa apenas para um lado.
Além de levar seus produtos já populares no desktop para uma plataforma móvel cada vez mais confortável para navegação online, o Google tem a ótima oportunidade de transferir o sucesso da sua plataforma de publicidade AdSense do navegador para o celular, incentivado por números animadores.
Ainda incipiente, o mercado de publicidade móvel, estimado em US$ 24 bilhões em 2006, deverá movimentar US$ 55 bilhões até 2011, segundo a Mobile Marketing Association, um naco que a gigante de buscas e publicidade não poderia se dar ao luxo de perder.
Num post no seu blog de política pública no mesmo dia da divulgação dos resultados, o Google admite que “mesmo que não tenha ganho nenhuma licença do espectro, o leilão culminou em uma grande vitória para os consumidores norte-americanos”. “Teremos mais para falar sobre o leilão em um futuro próximo”, promete o buscador, num comentário carregado de cinismo.
Palavras não são necessárias – o barulho das moedinhas que cairão no cofrinho do Google compõe a mensagem.
April 2nd, 2008 — mercado
A ISO aprovou o OpenXML - a mesma OpenMalasya que computava uma derrota pelos votos na semana passada indicou mudanças no quadro que levaram à aprovação.
A mudança repentina na votação da semana passada pra cá, que envolve mudanças abruptas de opinião, é um belíssimo exemplo da ação dos grupos de lobistas que jugernauts de TI têm para casos que representem uma potencial derrota (financeira, principalmente).
No IGF 2007, no Rio, figurões da internet, tipo Vint Cerf e Demi Getschko, dividiam corredores com lobbistas - posso confirmar que Google e Microsoft estavam lá, com toda a certeza.
(O Google Brasil está, inclusive, procurando um diretor de políticas públicas e “government affairs” pro país).
Comece pela descrição do Jomar para entender o processo. Para mergulhar no suposto lado obscuro da coisa, comece pelo NoOOXML e siga os links tanto do Groklaw como do OpenMalasya com documentos que supostamente comprovam o lobby da Microsoft na Malásia, Filipinas e França (com direito a suposto contato com Nicolas Sarkozy).
Update: leitor do Now! lembra que a Microsoft admitiu ter prometido incentivos financeiros na Suécia pela aprovação do OpenXML na primeira votação.
March 30th, 2008 — gadgets, mercado
A cumadre Camila Fusco avisa no seu Governança que representantes da Apple estiveram no Brasil para conversar tanto com o governo brasileiro para incentivos fiscais como com integradores, como a Celéstica, que tem acordo similar com a HTC.
Somando: acordos de varejo (Extra + Fnac + Fast Shop), negociação com a Vivo e suposta fabricação nacional.
March 27th, 2008 — internet, mercado


A ISO só revela nas próximas semanas se o OpenXML, da Microsoft, ganhar[a a certificação homônima - até domingo (30), os 32 países envolvidos se decidem e enviam seus votos (ou alterações sobre a votação de setembro) à organização.
Até agora, dá “não”.
O blog OpenMalasia montou as tabelas acima pra dar um panorama sobre como cada um dos países envolvido deve votar. O Brasil confirmou seu “não” há dois dias. Entre as mudanças confirmadas, a República Tcheca mudaria para “sim” e Cuba, para “não”.
O Brasil, não precisa falar, tá rezando de joelhos pra não passar.
March 24th, 2008 — mercado
John Lilly, CEO da Mozilla, ataca a maneira como a Apple está tentando empurrar seu Safari junto a atualizações de segurança para o iTunes.
Te lembra alguém? Se você pensou na Microsoft, bingo. Como você acha que o Internet Explorer alcançou penetração além dos 90% antes do Firefox?
March 10th, 2008 — mercado
A Iguatemi Empresa de Shopping Centers deverá confirmar ainda nesta semana a inaguração do que vendeu-se como Apple Store no Brasil.
Na verdade, a Fast Shop inaugura novas filiais, reformuladas, e com um stand dedicado à Apple no Iguatemi e no Market Place, como o presidente da empresa, Carlos Jereissati Filho, já havia adiantado ao Valor.
Não há Apple Store como a conhecemos lá fora. Pelo menos por enquanto. O acordo entre Fast Shop e Apple segue a tendência iniciada com o Pão de Açúcar de usar estrutura já disponível de varejos focados nas classes A e B.
March 4th, 2008 — internet, mercado

Pessoal do iG, tenha lições de como aproveitar bem conteúdo jornalístico do usuário com exemplos recentes da Globo.com e do UOL.
A primeira pela felicidade de recever o arquivo enviado pelo leitor Odair Rodrigues do momento pouco após da suposta explosão na Usina Elevatória de Traição, entre a Vila Olímpia e a Berrini, que causou o apagão na Zona Sul nesta sexta-feira (04).
A segunda pelo vídeo feito pelo usuário lacpremier enviado para o VideoLog com o que provavelmente foi o primeiro vídeo do galpão na Barra da Tijuca atingido pela queda de um avião no domingo (02). No dia, o UOL linkava direto para o vídeo no VideoLog como subdestaque principal da sua home.
Há um ano, o Fantástico ousava com uma matéria apoiada no UGC - atingida por uma bala perdida em um tiroteio, Priscila Aprígio tinha sua imagem registrada por celulares de testemunhas em horário nobre de domingo.
Há cada vez mais conteúdo a ser estudado para o mestrado. Maravilha.