BellRays na augusta

bellrays_show

Pro número de câmeras digitais na hora, digo que foi dificílimo achar fotos do show do BellRays no Inferno - mas a galera do Sampaist compilou umas fotos ótimas que o Ulisses Barbosa fez do show num álbum especial.

Era pra escrever também. O texto ia começar falando que, às 3 horas e 07 minutos do dia 1º de junho de 2007, não havia melhor lugar pra estar em São Paulo que um inferninho na Augusta - tava rolando “Highway to hell”.

A lembrança tá viva. Um dia ainda sai.

Update: Ulisses avisa nos comentários que também tem texto - taí. Só acho que tu economizou demais nos adjetivos, Ulisses. A coisa foi passional demais pra se perder em objetividade.

Na volta de férias…

…uma quantidade gigantesca de observações.

1 - Lembra do iGoogle? A sugestão do post anterior foi na mosca - sem o devido estardalhaço, Google e UOL fecharam contrato para integrar a busca daquele na montanha de conteúdo deste. Há espaço demais para a monetização. Agora, a pressão é sobre a Globo.com - o Terra tem acordo semelhante com o Google há 4 anos.

2 - Em um dia, o silêncio. Em 26 de junho, todos os serviços de rádio online se calaram, em organização do Save Net Radio. Com exceção do Last.FM. A razão foi a proposta do governo dos Estados Unidos em mais que duplicar (de US$ $0,0007 para US$ $0,0018) o valor cobrado pela execução de canções pela web, taxa inexistente sobre transmissões convencionais.

3 - Interney Blogs está prestes a fechar acordo com um grande portal brasileiro - dois estavam brigando pela parceria. Ainda não se sabe como será o acordo - veiculação ou compra.

4 - Terry Semel, ex-CEO do Yahoo, se foi, o que valorizou as ações do buscador em 4,2% no dia do anúncio. Pra entender o porquê da alegria, recomendo (de novo) a leitura de “How Yahoo Blew It”.

5 - Como prometido, o NoMínimo encerrou atividades. Seis jornalistas migraram suas colunas para sites próprios - Sérgio Rodrigues, Carla Rodrigues, Pedro Dória, Luiz Antonio Ryff, Ricardo Calil e João Paulo Kupfer. Ancelmo Góis (via BlueBus) diz que Unibanco e Estadão estão se unindo para reavivar o site - boletim Link na Eldorado transmitido neste domingo (01/07) deixa no ar uma confirmação. Uma opinião pessoal? Cut the drama, palease!

6 - A Tim inaugurou sua Tim Music Store alegando ser a primeira loja de músicas para celulares. Meia-verdade. A iMúsica (quem mais?) já vende canções para o N91, da Nokia, desde agosto do ano passado. Diz a operadora italiana que qualquer celular com WAP e suporte a MP3 pode comprar canções.

7 - Não dá pra ignorar a entrada da Globo no Second Life, divulgando nova novela com direito a avatar do autor no complexo virtual da Vênus - junto à guerrilha do Pânico na TV.

8 - GPLv3 divulgada oficialmente, apenas em inglês por enquanto. Um PDF ajuda a explicar as principais alterações entre a última versão e a final - esqueça o release: nem organização não comercial consegue ser objetiva num texto assim.

9 - iPhone on the wild. Tem review do Pogue, do Mossberg, da CNet e milhões de blogs babando pro gadget da Apple, mas a melhor história vem da MyFox Dallas TV (via Pogue). O cara cedeu o lugar e ganhou um iPod com acessórios. De graça.

10 - De volta. O chão ainda tá empoeirado. Uma hora eu limpo.

2 brasileiras no iPhone

Babe nos três novos vídeos do iPhone, que confirmam que o gadget chega às lojas dos EUA no próximo dia 29.

A explicação prática da interação entre as funções é beeeem útil - e o Pacific Cath, no terceiro vídeo, se juntou a Piratas do Caribe, Beatles, Bob Dylan e The Office como pérolas pop do Jobs.

Não sei se você notou, mas há duas brasileiras no primeiro comercial: a sempre presente Bebel Gilberto e a surpreendente inclusão da surpreendente Céu entre os CDs no aparelho.

Enquanto isto, o NewYork Times reporta que executivos da Apple estão ansiosos quanto ao lançamento por uma possível decepção dos usuários após a tremenda expectativa criada - coisa que a Sony experimentou com seu PS3.

a Web 2.0 ganha sem vestir terno e gravata

O MySpace foi. O Flickr foi. O del.icio.us foi. O YouTube foi. E, agora, o Last.FM também foi.

A rede norte-americana CBS comprou o serviço britânico de rede social por música por 280 milhões de dólares (pouco?como ainda não tem modelo financeiro pronto, não). Em abril, o boato envolvia a Viacom por 450 (!) milhões de dólares.

o comunicado, a CBS diz que o Last.FM ajudará ao canal se identificar com audiências mais jovens. Como a base de 15 milhões de usuários do Last.FM será usada pela CBS entre seus enlatados, ainda não se sabe.

Crescer, o Last.FM vem crescendo - já são 12 línguas, português inclusive.

Tiago Dória já avisava que o conglomerado ensaiava seus passos na internet - no site, há wikis, códigos para integrar vídeos em blogs, exibição de vídeos enviados pelos espectadores e canais onde opiniões podem ser publicadas sobre programas.

Como todos os exemplos acima, os fundadores do Last.FM garantiram que se manterão à frente do serviço para manter sua autonomia. É comprar para não ser engolido.

BellRays no horizonte

Os BellRays confirmaram e vão tocar no clube Inferno na próxima quinta-feira (31/05). São 35 salgados reais adiantados - na porta, o ingresso pula pra 50. Barato não é, mas vale.

A gente se bate por lá. Não sabe quem são os BellRays? Em uma frase, Stooges com a Tina Turner no lugar do Iggy.

a dança de cadeiras no mercado musical brasileiro

Enquanto o Lobão grava o Acústico MTV que tanto escurraçou (sem opiniões ainda - tem que ouvir antes), o mercado fonográfico brasileiro passa por um momento de dança de cadeiras - nada menos que três das quatro grandes gravadoras têm mudanças no alto escalão.

A principal delas vem da EMI, que trocou de presidente após o escândalo financeiro brasileiro que derrubou as ações mundiais da gravadora em 4% apenas no dia em que foi revelada. O então responsável pela gestão, Marcos Mainard, dá lugar a Marcelo Castelo Branco.

A Warner não fica atrás: o antigo diretor-geral Claudio Condé deu lugar a Sérgio Affonso, que ocupava o mesmo cargo na subsidiária mexicana da gravadora.

Na Universal, a mudança é menor, mas não tanto: Max Pierre ocupa o cargo de novo diretor artístico, profissional responsável por contratar (e demitir artistas) e por conduzir gravação e divulgação de álbuns.

Enquanto isto, o presidente da recém-criada Associação AntiPirataria de Cinema e Música se gaba por ter feita uma batida policial para apreender mídias virgens em 1997.

Pra mim, a dança de cadeiras e a presidência da APCM têm uma ligação uterina.

Donato e o Municipal na Virada Cultural

Depois que o PCC afugentou os paulistanos em 2006, a Prefeitura elaborou uma excelente programação para sua Virada Cultural de 2007, com um destaque fodido: o Teatro Municipal receberia, durante a madrugada, artistas tocando na íntegra discos clássicos da MPB.

Foi lá que João Donato, o cara mais sofisticado da bossa nova que você não conhece, foi tocar, mais ou menos inteiro, seu “A Bad Donato”, de 1970. O show começava às 21h e, cinqüenta minutos antes, a fila estava na face direita do teatro -percorri seus quatro lados até chegar à porta.

A entrada foi rápida e, sinceramente, puta coisa bonita (e apertada, por dentro) que é aquele teatro durante a noite. Fiquei no último andar, já que uma cambada bem mais esperta que eu chegou cedo pra pegar a platéia da frente.

E daí? Donato entrou poser, com capuz e óculos escuros. A banda era a mesma que tocou no Auditório Ibirapuera, mas nada de “A Bad Donato” na íntegra. No show, Donato mostrou como transformou o chopp aguado da bossa nova em jazz lisérgico brasileiro.

As introduções eram as mesmas, com cada música solando por longos minutos até que a entrada fosse reproduzida para finalizar a canção - jazz, ué.

O vídeo abaixo (opa, vou receber carta de “cease-and-desist”?) é de Mosquito, a mais fodida do disco, e se estende até o belíssimo solo de trombone do Bocatto.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9zfJz8KRJ_I]

Poupei sua paciência para o solo poser de Donatinho, o filho do pianista. Donato desempenhou muito bem papéis como música, ritmista, arranjador e instrumentista, mas falhou como pai: Donatinho toca pouco (fica mais plugando cabos), coloca texturas eventuais nas músicas, faz poses na frente do palco e ainda fica abrançando músicos após solos comose dissesse “tá certo, um dia você chega lá”.

Não rolaram todas as músicas e ainda teve inéditas - “Black Orchid”, de um compositor finlandês (dinamarquês?) que Donato mastigou o nome. Sem problema.

Update: Nos comentários, Menotti, que também desceu o pau em Donatinho no seu Atonal, replica nos comentários que “Black Orchid” é do arranjador latino de jazz Cal Tjader. Bebi então.

O show foi antológico pela mistura entre a ótima música tocada por músicos excepcionais e pelo lugar e o horário - saímos do Municipal às 22h00, enquanto uma fila gigantesca para ver João Bosco (URGH!!!) se desdobrava até a estação Anhangabaú do metrô.

Uma passada no Estadão para um pernil com provolone, Clube do Balanço chamando Erasmo Carlos para uma ótima jam e um copo de quentão (com muito gengibre e pouco álcool) fecharam a noite.

Não vi a milonga no Mercadão (puta idéia sensacional!) nem os Racionais (uma pena mesmo). Pena.

Flickr pelo dia todo e pela parede

Em pleno início da Virada Cultural em São Paulo, o Flickr vai promover seu “24 Hours of Flickr”, convocando a comunidade a tirar fotografias a cada hora do seu dia.

Funciona assim: no próximo dia 05, você tira a câmera da bolsa, registra seu dia completo e coloca no Flickr com a tag “24flickr”. O grupo já está aberto para interessados.

Ainda no Flickr: depois dos cartões de visita do Moo (100 por 20 dólares, anyone?), a ImageKind está oferecendo impressão e emolduração das fotos tiradas pelo usuário - são várias as opções.

Será que alguma gráfica ou ótica vai ser esperto pra trazer a idéia logo pra cá?

a nova entidade antipirataria do Brasil

Há duas semanas, o Brasil ganhou a APCM (Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música) em substituição às (fracas) operações nacionais de MPA e IFPI - em ordem, para filmes e música.

O responsável por coordenar o novo órgão, que liderará ações de conscientização e repreensão contra piratas físicos, principalmente, é o delegado licenciado da Polícia Federal Antônio Borges.

Em conversa após o evento, Borges afirmou que seu único contato com pirataria musical havia sido no Paraná em 1997, quanto comandou uma ação que apreendeu milhares de CDs virgens.

Sua nomeação foi aplaudida pelos executivos internacionais dos órgãos presentes. Mas é evidente que a atuação da APCM continuará fraca como suas antecessoras já eram.

É difícil esperar grandes mudanças na abordagem (e mesmo no volume de ações) do órgão com uma direção claramente nada habituada com o mercado nacional de música digital.

E isto não é necessariamente ruim.

A ABPD afirmou que foram baixadas 1 bilhão de músicas no Brasil, mas assume com todas as letras que a fatia dos que baixam é insignificante - é preciso ter banda larga em casa num país em que 79% nunca entraram na web (dados do IBGE).

Por isto, quem baixa músicas pra consumo próprio e não compartilha mais de 5 mil arquivos está fora dos futuros processos contra usuários brasileiros. Mesmo acanhada, a IFPI assume isto com todas as letras.

O foco é o centro do esquema de pirataria que troca os chineses (ou coreanos) presos em ações como a do Stand Center como Lemmings - corta-se os tentáculos, mas o polvo ainda fica ali.

Resumo? A APCM nasceu, o mundo continua rodando no seu eixo e você não vai parar de baixar músicas por isto.

o movimento pós-DRM da EMI

A EMI, pois é, oficializou a venda de músicas sem DRM cercada por uma festiva recepção da mídia e blogosfera mundial na semana passada.

(Pra entender melhor, vá ao Pogue, ao BoingBoing e ao Ars Technica).

No Brasil, as canções, com qualidade melhor e sem o DRM da Microsoft que toda música digital legalizada no país carrega, chegarão a proibitivos 3 reais cada - a comparação é batida, mas vale: 12 canções saem digitalmente por 36 reais.

Você ainda liga pra DRM neste cenário? O Defective by Design mantém seu combate lá fora, enquanto Mark Shuttleworth e Charles Cooper assinam ótimos artigos contrários à tecnologia.

A nova postura da EMI matará o DRM? Do lado das gravadoras, parece improvável pros lados da influente Warner, que já afirmou que não tem planos pra isto.

A aceitação das lojas online, porém (Microsoft, inclusive), pode impulsionar Sony/BMG e Universal, que já testam vendas sem DRM, a abandonar a tecnologia.

Vale lembrar, contudo, que a EMI é a menor das quatro e atravessa um delicado momento financeiro - as considerações de DVD Jon sobre o assunto são pra se pensar.

Steve Jobs sai bem da inicativa - o mercado pode entender que foi ele quem pressionou a EMI. É evidente, porém, que o apoio do iTunes foi fundamental - market share de 70% ajuda, nêgo.

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