March 10th, 2007 — internet
George Bush já a caminho do Uruguai, cabe uma história que envolve tecnologia. Além da Meninos do Morumbi, o presidente norte-americano deveria visitar outra ONG em São Paulo.
Semanas antes da visita, decidiu-se pelo Comitê de Democratização da Informática (CDI), bolado e presidido por Rodrigo Baggio - o Instituto ETHOS também entrou na roda, mas não saiu.
Os contatos foram feitos e o encontro foi acordado verbalmente. O CDI, inclusive, já havia recepcionado Bill Clinton em sua histórica visita à Mangueira, em 1998, em que Jamelão o definiu “feliz como um pinto no lixo”.
Tudo indo bem, até que um grupo de mariners foi à comunidade de Paraisópolis, onde estaria o EIC em que Bush visitaria crianças.
“Imagina o que são 50 mariners numa comunidade onde se tem que chegar pianinho”, diz uma figura de dentro do CDI.
O incidente com os mariners, que começariam a organizar a estrutura para a visita do texano, causou uma espécie de incidente diplomático entre o Governo dos Estados Unidos e o CDI.
O CDI desistiu do encontro. Partiu de Baggio a iniciativa de cancelar o encontro.
A justificativa foi a falta de comunicação do setor de eventos do Governo dos EUA, mas há também um protesto pelas políticas externa e ambiental de Bush, nada condizentes com o que o CDI prega, diz a figura.
Seria um tanto pedante da minha parte escrever um “In your face, Bush”. Mas não dá pra evitar um certo orgulho patriótico. Pelo Baggio, vamos esclarecer.
March 5th, 2007 — web social

Assim como a cobertura de Lula com o primeiro XO fabricado, a Intel divulgou na semana passada (ô atraso, guilherme) César Alvarez, assessor especial da Presidência, entregando um ClassMate PC ao presidente.
Ao contrário do que afirma o Engadget, porém, este não é o primeiro ClassMate PC do Brasil - a honra cabe a Roseli dos Santos, pedagoga ligada ao LSI da USP, que tem o portátil desde outubro.
February 28th, 2007 — web social
O Governo Federal confirmou no final da última semana que a fabricação nacional do servidor usado pela organização One Laptop per Child está “a perigo” (as frases entre aspas são citações literais).
O órgão responsável afirma que o Brasil nem confirmado para a produção, como Nicholas Negroponte prometeu ao visitar o presidente Lula em novembro, está.
O Governoa avalia que Negroponte fez a declaração para diminuir as pressões nacionais para fabricar, sim, o notebook educacional XO - a promessa de Negroponte é encarada como “uma molhada de bico do passarinho”.
David Cavalo, a OLPC no Brasil, confirma o atraso, mas cita “atrasos pelo redesign do servidor” - o Laboratório de Sistemas Integrados, da USP, inclusive, está ajudando na nova configuração.
Até março, promete, ele espera que a licitação para escolher qual empresa fabricará o aparelho sai.
O atraso implica em duas conseqüências diretas: os testes pedagógicos em colégios de Porto Alegre e São Paulo com o XO, também atrasados, não contarão com a proposta original de avaliar também o servidor.
A outra é de fundo moral - não é nada ético o fundador de uma organização dita humanitária mentir sobre promessas que envolvem investimentos financeiros num país de terceiro mundo (não seria contornável nem num de primeiro).
Por isto, creio eu, a acidez da afirmação do Governo parece um tanto exagerada. O próprio Cavallo se apressa em esclarecer (e confundir um pouco mais) sobre a relação próxima, mas com o mesmo nível de cordialidade de uma transação comercial, do Governo com a OLPC.
If it becomes prohibitively expensive to build in Brasil, then it causes other problems. But if that were true then it gives reason to pressure the government that its policies are counter-productive. Since I believe the government truly wants to re-develop a serious microelectronics industry in Brasil, then its policies must enable countries to create competitive products here. let’s see. I am optimistic.
Março tá aí. Enquanto isto, a newsletter da OLPC informa que “XO goes to Carnaval“, com Carlinhos Brown e Chico César se juntando ao projeto para levar os XOs a Salvador e João Pessoa, respectivamente, suas terras-natais.
Só há um problema: as duas cidades que testarão o XO no Brasil, já decidiu o MEC, serão São Paulo e Porto Alegre. Um colégio de João Pessoa testará notebooks convencionais na sala de aula, enquanto Salvador nem no cronograma do MEC figura.
Diz o anúncio que “these artists/community activists immediately saw the benefits for for learning and inclusion”. Blefe da MPB?
Update: Com uma atenção além do corporativismo, David Cavallo esclarece que a ação de Brown e César se dará caso o Governo escolha a plataforma da OLPC para os colégios brasileiros.
E quando diz que “advoga para o envolvimento de muitos grupos para melhorar em escala a qualidade das escolas”, Cavallo tem um ponto: será difícil que Salvador e João Pessoa não recebam os portáteis, caso o Governo decida pela OLPC.
February 22nd, 2007 — web social
“Só queria deixar claro que este é um projeto educacional, não um projeto de notebook” Oscar Clarke, o bonachão presidente da Intel, repetindo o mantra do pesquisador Nicholas Negroponte, fundador da One Laptop per Child, sobre o XO, o popular “notebook de 100 dólares”.
February 6th, 2007 — internet

Olhe bem para a foto aí em cima. Em abril (promessa do Governo), um dos três notebooks acima, finalmente fotografados juntos graças a Espartaco Madureira, do MEC, será definido como plataforma educacional para os colégios brasileiro.
Como prova, o Ministério da Educação já tem as três máquinas e começa a definir os testes. Vários institutos de pesquisa já divulgaram ter recebido os portáteis, mas escolas definidas para os testes educacionais ainda são só três.
Os colégios Luciana de Abreu (RS) e Ernani Silva Bruno (SP) receberão os XOs, da OLPC. Já a escola Castelo Branco (RJ), em reviravolta do MEC, receberá o ClassMate PC, da Intel.
O Governo aproveitou para reafirmar que o brasileiro Cowboy está realmente fora do páreo - “o próprio (Eduardo) Morgado (responsável na Unesp) admitiu que não é um notebook”, diz o Governo, fora o uso de Windows CE pela plataforma.
Do lado dos notebooks, a movimentação continua. A Encore, sob a representação da RF Telavos, fabricará o Mobilis no país a partir de abril, mas já avisa: “Não estamos preocupados com a escolha do Governo”.
De novo site (mais claro e com direito a foto de Lula em Purpose), a One Laptop Per Child anunciou a versão B2 do seu XO, com bugs (ainda não divulgados pelo grupo) corrigidos em relação ao primeiro laptop.
Segundo o cronograma da OLPC, a versão final sairá apenas depois da B3 em junho ou julho. O projeto de Nicholas Negroponte contou com a entrada de Uruguai, Ruanda, Chile e Nepal.
Mais que as novidades dos grupos (ou falta de, no caso da Intel), uma dúvida ainda paira: a procedência do dinheiro para comprar os notebooks. O Governo fala no Fust, mas o MiniCom já disse que o Fust sai até o final do primeiro semestre, diz a cumadre Camila Fusco.
Na quinta-feira (08/02) o Chá Quente tem novidades.
January 26th, 2007 — internet, web social
Segundo a Folha de São Paulo desta sexta-feira (26/01), o presidente do Google, Eric Schmidt, se encontrou com o presidente Lula durante o Fórum Econômico Mundial de Davos para oferecer ajuda no processo de inclusão digital brasileiro.
A matéria assinada por Clóvis Rossi aponta ajuda oferecida pelo portal na implementação do projeto One Laptop per Child, de quem o buscador é grande financiador, no país.
Além de financiar o equipamento, Lula “mencionou a conectividade na área rural como a maneira pela qual a Google poderia colaborar com o governo”, diz a notícia.
O Google já oferece uma rede sem fio para toda São Francisco, como teste de um possível serviço wireless que o portal pode (atenção, pode!) oferecer em larga escala - a partir de quando, só Brin, Page e Schmidt sabem.
Caso o Google realmente se encarregue de oferecer a conectividade necessária para os notebooks educacionais brasileiros, tire três fatores da equação brasileira: a Intel, a Encore e a RNP.
Com a entrada do Google no suposto barateamento dos XOs e na construção de redes, é improvável que o Governo não assine com a OLPC em abril - daí, tchau para ClassMate PC e Mobilis, pelo menos na primeira encomenda.
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, responsável atualmente pela infra-estrutura de acesso, não sairia do processo, mas tiraria o peso da responsabilidade de custear e montar redes para regiões inóspitas brasileiras.
Outro breve lembrete sobre o Google no Brasil: mesmo se portando como se não existisse no Brasil, o buscador já demonstrou profundo interesse na tecnologia de produção de etanol brasileiro.
Quando estiveram no país, Brin e Page fizeram apenas uma visita agendada previamente, além do próprio escritório regional: a Usina Costa Pinto, em Piracicaba. Não quer dizer nada, mas pode dizer alguma coisa um dia.
January 23rd, 2007 — internet
Lembra do PIC? Após a AMD anunciar que não produziria mais o limitado PC para inclusão digital, era questão de tempo até que o Submarino queimasse seus estoques.
Era. Desde a última semana, o micro sai por 299 reais, acompanhando por um memory key sem capacidade especificada, no próprio Submarino.
A queima do PIC enterra a idéia de inclusão digital como oferecer micros mais simples (leia-se limitados) para um público menos abastado. Definitivamente, classe social não indica conhecimento limitado em computação.
January 12th, 2007 — internet
Ontem (10/01), a BBC publicou nota cogitando a venda do laptop educacional XO para consumidores finais, citando entrevista de Michalis Bletsas, chief connectivity officer da OLPC para tanto.
A notícia, que evidentemente repercutiu em sites de tecnologia no Brasil que você conhece, foi desmentida pela própria OLPC um dia depois em comunicado publicado pela Ars Techinca em que o próprio Nicholas Negropone desmente a informação.
A estabanação da BBC, que corrigiu o dado (aquele site que você lê também corrigiu?), reflete declaração do próprio Negroponte de planos de que países emergentes comprassem notebooks educacionais para os pobres.
Nos EUA, por exemplo, usuários poderiam comprar apenas duplas - um seria seu, outro de uma criança pobre.
David Cavallo, responsável pela OLPC no Brasil, em gravação de podcast, confirmou que existe a idéia, mas decisões da organização atendem a uma particularidade: tudo é mais flutuação que certeza.
Afirmações cogitadas por membros da OLPC não são fechadas: significam apenas que a OLPC não descarta, mas não confirma, certas idéias.
Full Disclosure: o próprio IDG de fora engole algumas dessas bobagens. Em notícia divulgada sobre a CES, a agência de notícias deu uma nota explicando que o preço do XO havia caído para 130 dólares.
É o próprio Cavallo que explica a pendenga, iniciada pelo próprio Bletsas, por e-mail:
As you know, our price floats somewhat depending upon prices since we are basically delivering at cost, but the current expected price at the launch has been relatively stable between $142-150. The expected price in year 2 is close to $100.
Antes de acreditar que o XO será integrado à merenda escolar do Piauí em 2008, tenha em mente que a OLPC é uma organização que não atende ao Sarbanes-Oxley.
Para sorte dos jornalistas, que não enfrentam assessorias de imprensa, e azar da mídia, retalhada com informações imprecisas.
January 11th, 2007 — internet
A notícia não chega a ser nova (a decisão do MEC já havia sido tomada no meio de dezembro, confirma fonte), mas só chegou a público agora.
O Ministério da Educação decidiu quais cidades receberão o teste com notebooks educacionais no primeiro semestre de 2007.
Serão usadas 2.840 máquinas - 1.000 XOs, da OLPC; 1.000 “notebooks convencionais” (destes que vendem em redes de varejo, me disse a assessoria especial da presidência); 800 ClassMate PCs, da Intel; e 40 Mobilis, da Encore.
Os notebooks educacionais irão para Manaus (AM), Palmas (TO), João Pessoa (PB), Piraí (RJ) e na capital fluminense. Os XOs irão para São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). Os ClassMate PC irão para Tiradentes (MG) e Brasília (DF). E os Mobilis apenas para Brasília (DF).
O teste ajudará o MEC a começar o desenvolvimento de aplicações práticas para os notebooks e, menos importante, definirá qual será o equipamento (XO ou ClassMate) a abastecer escolas nacionais na primeira fornada do projeto.
Em tempo: por mais que obedeça ao “ninguém sabe, ninguém viu”, não me surpreende o Mobilis ter chegado até aqui. Tem boas características(PDF), embora tecnicamente mais fraco eu os outros três, é o comentário dentro da USP.
Suprende, isto sim, o artigo ufanista do The Economical Times, jornal indiano copiado do FT, dando como certa a encomenda de máquinas pelo Brasil. Achado no Blog do Meira.
January 4th, 2007 — internet
A maioria dos textos deste blog está atrasada- por que, então, também não estaria a retrospectiva de 2006? Vamulá.
*
2006 foi o ano em que os notebooks explodiram – literalmente.
Um gigantesco recall de baterias da Sony fez com que milhões de consumidores da Dell, Apple, Panasonic, Asus e da própria Sony procurassem assistências técnicas atrás de dispositivos que não corressem risco de explosão.
Explodiu também em 2006 o novo mercado de serviços online, liderado pela carreira meteórica do YouTube, com sua facilidade ultrajante para compartilhar e assistir vídeos online, impulsionada pelo fôlego interminável da banda larga lá fora e aqui dentro.
Mesmo com 20 meses de vida, foi o YouTube também que despertou dúvidas sobre a Bolha 2.0, após o onipresente (e, mais uma vez, nome de inovação do ano) Google pagar U$ 1,65 bilhão (!!) pelo site de vídeos.
O mercado de portáteis, por sua vez, não sentiu os efeitos e fechou 2006 com nada menos que 107% de crescimento nas vendas – mais até que o fôlego de 47% dos dektops, com uma (pequena) ajuda da atualização de hardware exigida pelo Windows Vista, que finalmente chegou, e uma (grande) força da queda de preços.
Ainda em mobilidade, 2006 viu o WiMax surgir comercialmente, com o investimento da Sprint nos EUA (enquanto, no Brasil, a Anatel começou a regular a freqüência para 3G, glória glória aleluia), e os PDAs entrarem em suas covas pela popularidade opressiva de smartphones, como Treos, iPAQs e BlackBerry.
Em 2006, o padrão japonês ISDB foi coroado como o preferido do Governo Brasileiro, enquanto o programa Computador para Todos teve seu primeiro ano de atuação irrestrita no país, com resultados dignos de aplausos.
Foram 146.442 máquinas financiadas pelo BNDES e absorção de 27% do sistema Linux, segundo estudo da ABES espinafrado de Sérgio Amadeu da Silveira e César Alvarez, que promete ainda mais para 2007.
Bons exemplos de tecnologia vieram também da iniciativa em 2006 – numa jogada inesperada, a Americanas.com se fundiu ao Submarino e criou nada menos que a terceira (!!) maior empresa de e-commerce do mundo.
Já a música digital, finalmente, nasceu no Brasil em 2006 – UOL, Terra e iG inauguraram suas lojas, que agora rivalizam com a pioneira iMúsica, já disponível em celulares brasileiros.
Mesmo com menos de um ano de vida, a IFPI decidiu que o Brasil já tinha um mercado maduro o suficiente (15 lojas aonde, ABPD?) para arcar com 20 processos para downloaders. Te prepara, a coisa já começou.
Brasil-il-il, mas é bom que tanto a nova gigante de e-commerce se prepare melhor para suas responsabilidades como que todos os sites de e-música encarem o mercado brasileiro de frente – 2,49 reais por música com DRM, nem fudendo, diria a massa.
2006 também foi o ano da dança das cadeiras corporativas, por vontade própria ou na marra. Bill Gates anunciou seu desligamento da Microsoft para cuidar de sua organização filantrópica (início de uma nova era na gigante?).
O ano acabou com a suspeita de que o antagonista a Gates (não veja isto como preferência à Microsoft, por favor), o mítico Steve Jobs, sabia de escândalos financeiros envolvendo ações da Apple.
Na HP, foi Patrícia Dunn, presidente do conselho, que deu seu tchau. Motivo? Espionagem corporativa contra executivos e jornalistas, o que provocou também a queda de outros grandes nomes e deixou Mark Hurd em posição desconfortável.
Como o mercado exige resultados, foi só vir o anúncio de lucro de 325% da HP que Hurd virou santo pelas bandas de São Francisco.
Do que já sabemos, no ano que vem teremos Notebook para Todos (lá por junho, você comprará laptops com Linux por R$ 1,8 mil), notebooks educacionais, Windows Vista para usuários finais, operadoras e redes de TV chiando com os (prováveis) investimentos em WiMax e TV Digital no Brasil e a Web 2.0 provando (ou não) que tem viabilidade comercial em médio prazo.
Para 2007, espere mais do mesmo. Manter o mesmo andor não é sinal de estagnação? Não, senhor.
Principalmente quando o mesmo envolve inclusão digital e popularização de tecnologia (ainda que beeem longe daquela maneira burocrática que as utopias juvenis propõe) para as massas.
Feliz 2007.