November 19th, 2007 — internet, web social
O que é web semântica?
O Tim é melhor que eu para isto. O que ele está atrás é a habilidade de lidar com conteúdo de maneira que se chegue ao significado, e não à sintaxe. Hoje, quando fazemos buscas usamos palavras e indexamos todas as páginas a partir de palavras. Mas não sabemos o que a palavra significa, apenas que ela está nesta página.
Pode ser que você tente encontrar informações cujo significa seja expressado pelas palavras assim como por outros conteúdo. o problema é como encontrar toda informação na rede cujo significado é expressado por outros conteúdos.
A idéia de Tim é integrar o sentido ao texto da rede, na definição literal de busca semântica. Um estagiário do Google um dia me falou que hoje pessoas navegam por documentos. Queremos navegar por respostas, que são as respostas das perguntas.
Nos 60, pensaram que discurso seria entendido por uma espécie de dicionário automático no PC. Quarenta anos depois temos certa habilidade para entendimento de discurso mas para situações determinadas. Saber o número de um vôo algo muito mais fácil do que a filosofia por trás de Marcel Proust.
November 19th, 2007 — internet, web social

Encontro o assessor cerca de 40 minutos antes do tempo marcado - algo excepcionalmente raro pra alguém com dificuldade de entender a divisão diária por horas. Enquanto ele tentar localiza um terceiro, ficamos sentados no saguão do luxuoso hotel na Barra da Tijuca matando tempo online - estamos em uma conferência sobre internet, nada mais natural.
O terceiro passa com um ar tranqüilo e o assessor corre para se apresentar “antes que alguém o alugue”. Ele pede vinte minutos antes de subirmos e se dirige ao elevador. Matamos mais um pouco tempo tempo esparramados no grande sofá caramelo e, às 8h50, subimos.
Estamos no sétimo andar. O sinal gratuito de internet sem fio usado por dezenas de pessoas no lobby não chega aqui. Uma norte-americano nos seus 50 anos bastante solícita pede que aguardemos. Ele não atrasará, avisa. Dez minutos depois, sai a equipe de filmagem. Nos cumprimentos com a cabeça e ela pede que nós entramos.
Estou dentro do quarto de Vint Cerf, o responsável por você estar lendo este texto agora. Cerf criou, junto a Bob Kahn, o protocolo TCP/IP que permite que cada PC tenha um IP (é, o RG digital) e se autentique em uma rede para navegar.
Entre profissionais da área e qualquer um com um certo conhecimento sobre a história da internet, Cerf é tratado como uma lenda viva.
Foi ele quem criou a base da rede que usamos hoje. Ele percorre o mundo em seminários pagos para falar a centenas de ouvintes suas idéias sobre o futuro da internet. Ele vai a festas dadas em seu nome por entidades que representam grupos de internet e telecomunicações. Ele é evangelista (e atual funcionário mais velho) do Google.
E mesmo assim, Cerf pega seu cartão sobre a mesa assim que seu acompanhante, um americano avermelhado além dos 50 anos, sai da anti-sala transformada em escritório e o estende em minha direção com as duas mãos, fazendo um cumprimento com o olhar.
Trocamos cartões, o assessor puxa uma cadeira e me instalo de frente a ele, olhando por sobre seu ombro para belas coberturas na orla da Barra da Tijuca. Como esqueci meu gravador, lhe aviso que terei que digitar toda a conversa no laptop, que fica aberto de costas para Cerf.
Ele sorri, diz que não tem problema e que tentará falar pausadamente. Pega meu cartão e cita o pesquisador responsável por desenvolver o padrão Ethernet (é bem provável que você também o use para ler isto) simultaneamente ao TCP/IP, que depois assumiu o cargo de publisher na multinacional onde trabalho.
E começa a contar histórias. Com sua barba branca bem aparado e sua fala mansa, Cerf lembra muito bem um avô sem pressa ou, melhor, pressão nenhuma para lhe contar da maneira mais detalhada possível (e sem nenhum media training também) os assuntos que ali lhe parecem mais pertinentes.
Sua amizade com Bob Metcalfe quebra a tensão e, no meio da sua digressão sobre seu papel como evangelista sênior do Google pode ajudar a molecada mais nova que trabalha ali, ele percebe que está falando demais sobre assuntos que podem não ter nada a ver com a entrevista. Ele não pode atrasar.
Pergunto sobre o papel do ICANN dentro das discussões que acontecem no Internet Governance Forum, evento organizado pela Nações Unidas no luxuosos hotel carioca que, além de Cerf, reúne a diretoria do órgão e do CGI, responsável pela internet brasileira.
NO meio de respostas faladas apressadamente, Cerf engasga e pede ao assessor um copo d´água. Toma a água, enxuga a gargante e se desculpa. Falo que não tem problema, não vou transcrever a tosse na entrevista. Ele brinca, me pergunta como se soletra COOOOOFFFFF (como se soletra uma tosse, afinal?) e a conversa segue.
Pergunto sobre a desconfiança do papel do ICANN. Ele parece incomodado e me pergunta se eu assistir a todas as palestras. Respondo que não, seria humanamente impossível. Pergunta se assisti uma só sobre o ICANN. Não, perdi. Ele pensa um pouco, respira fundo e, com um olhar incisivo, afirma que há problemas muito mais urgentes do que se pensar em um novo órgão, como o ministro Mangabeira Unger clamou na abertura do evento.
A cinco minutos do fim, o assessor avisa. Pergunto sobre web semântica. Ele parece ressabiado, fala que Tim Berners Lee sabe melhor que ele e, surpreendentemente para alguém aparentemente tão inseguro, responde devagarinho o que me pareceu a melhor definição já ouvida sobre a tendência. O tempo acaba, o assessor se levanta e Cerf parece assustado quando lembra que tem outra entrevista pela frente. Se despede cordialmente.
Na saída, cruzamos com outra equipe de filmagem. São 9h30. Sem atrasos.
*
Quase 12 horas depois, estou sentado no mesmo saguão onde meu dia começou esperando para entrevistar uma fonte de internet que, após participar de uma mesa de debate, se atrasou. Mesmo que o evento se encerre oficialmente no começo da tarde do dia seguinte, o clima geral é de descontração - para a maioria, será a última noite no Rio.
Há vários grupos espalhados pelo lobby e o apertado bar com parede acarpetadas ali do lado parece não comportar a quantidade de executivos que buscam uma cerveja. Mulheres arrumadas, homens de bermuda e pochete e até uma noiva desfilam pelo saguão.
É daí que aparece Cerf de novo. Não houve uma ocasião que não o tivesse visto no IGF que não estivesse escoltado por uma série de homens engravatados - possivelmente conhecidos ou admiradores. Ele bem apressado, passa pelo bar fazendo cumprimentos leves com a cabeça e se reúne com outros grupo maior. Já perto da porta, onde está minha poltrona, vira-se para o lado esquerdo, me vê e faz, com um sorriso tímido no rosto, um sinal de pistola com o dedo da mão direita. Até agora não entendi o que foi aquilo.
November 16th, 2007 — internet, web social
marcelo tas. a descoberta, relatada no blog do sérgio amadeu, foi do próprio tas.
mas a tal descoberta não é algo tão pontual. evidente que é dificílimo apontar o real primeiro usuário da web no brasil. sabe-se que a primeira conexão foi testemunhada por um grupo de pesquisadores, entre os quais demi getschko, o tal pai da internet brasileira.
quem garante que não havia algum civil lá? de qualquer modo, o fato do tas ter sido um dos primeiros é (outra) prova do entusiasmo do rapaz.
November 10th, 2007 — Uncategorized

Norman Mailer morreu. O cara concorreu à prefeitura de Nova York, atuou em filmes e escreveu poesia, mas é foda mesmo escrevendo a prosa realista que depois chamou-se de novo jornalismo - vai ler “Os nus e os mortos”.
Em outubro, a New York publicou uma entrevista em que Mailer, ranzinza e mais conservador que nunca, justificava o apelido de “macho prince of American letters“, botando o cara próximo a um deus.
November 6th, 2007 — internet
Tô falando, tô falando…
Aliás, Brasil já tem country manager. Mas o Last.FM tá procurando também manager pra Japão, Turquia e Reino Unido.
Update: galera, a história do Last.FM no Brasil já saiu no Now! em outubro. Isto aí é apenas desdobramento.
October 29th, 2007 — web social

Rola na próxima sexta-feira o segundo Zombie Walk paulistano. O esquema é o mesmo do ano passado - sai do Masp e acaba no Outs, onde vai rolar balada de mortos-vivos.
Nas edições de Toronto e Nova York da Zombie Walk, rolaram zumbis bem profissas. A gente vê lá como estarão os paulistanos deste ano.





October 28th, 2007 — internet, web social
Vou tentar falar isto da maneira mais objetiva possível.
Pra publicar a matéria sobre 8 dúvidas básicas na hora de contratar uma banda larga, me perdi entre contratos de prestação de serviço, (muitas) informações conflitantes dadas pelos diversos lados interessados na histórias e (alguns) toque precisos de quem conhece o setor.
A pauta surgiu pra explica pra quem não entende direito a proibição da exigência de provedor para Speedy que rolou em setembro e acabou descambando também para outras dúvidas, tipo teto de download, traffic shapping e garantia de velocidade.
Entre contextualizações históricas e um blá-blá-blá jurídico que não ajuda nada quem não passou cinco anos estudando leis (como eu), a decisão judicial proferida pelo juiz Marcelo Zandavali traz um parece bem claro quanto à exigência técnica de provedores, transcrita abaixo.

(Clique na imagem para baixar o PDF de 53 páginas com a decisão final)
Teoricamente, provedores deveriam comprar links de operadoras de telefonia para oferecer a seus clientes conexões de internet- era assim que funcionava o dial-up. O cenário mudou com a banda larga, quando operadoras como a Telefônica ofereciam (e ainda o fazem) planos diretamente pro usuário.
Porque pagar pelo provedor, que oferece apenas uma autenticação classificada como desnecessária pela Justiça? Os defensores alegam os tais serviços agregados (email, principalmente) e a proximidade do usuário, como me alertou o presidente da Abranet.
Entenda o cúmulo da carência: você paga um serviço que não precisa só pela “proximidade” que o provedor tem com você. E isto é uma piada, sim, sobre uma afirmação que beira o absurdo.
Não é difícil entender a explosão de raiva que presenciei durante a entrevista com o presidente do Abusar quando o assunto Speedy veio à tona - no papel de repórter, é preciso filtrar o que é ataque puro de possíveis argumentos que o sustente.
Eles vieram, mas não pela organização que dá ótimas dicas para quem se sente prejudicado (e não são poucos) pelas operadoras brasileiras, também campeãs em ignorar solenemente usuários.
Anos de brigas passados, quem defende a necessidade de provedor não conseguiu ainda dar um argumento tão conciso e analítico como aquele acima do juiz Zandavali.

Do lado da Net, uma observação também. Lá no contrato do seu Virtua (full disclosure: eu sou um usuário Virtua sem maiores reclamações), a cláusula 35 aponta que a contratação de um provedor é obrigatória.
A Net diz que já oferece um de graça, mas (leia meus lábios) isto deverá trazer problemas futuros também à empresa de TV a cabo.
Por enquanto, preocupe-se em ler alguns tutorais por aí para suprimir o suposto traffic shapping que a Net classifica como “falácia” e jura de pés juntos que não faz - se não faz, não ficará chateada pelos tutorais, né?
October 21st, 2007 — internet, web social




Além de algumas das fotos selecionadas pelo Flickr, como estas acima, serem indicadas pela própria comunidade, alguns outros dados sobre o encontro do serviço no Brasil emergiram.

O mais importante é sobre a presença dos tais executivos estrangeiros. Vêm ao Brasil Kakul Srivastava (acima), gerente de desenvolvimento do Flickr, e Heather Champ (abaixo), diretora de comunidade do Flickr lá fora.

Além do livro impresso com as fotos feitas pela comunidade, ambas deverão apresentar a nova equipe responsável por gerenciar a comunidade do Flickr no Brasil.
A visita de ambas será o ápice do investimento que o próprio Yahoo anunciou sobre suas comunidades para Brasil no começo do ano, algo que você já leu por aqui, que debandou em novidades já implementadas.
Em 12 de junho (a data oficial foi dada pelo próprio Flickr), o serviço ganhou, meio na surdina, domínio “.com.br” e planos de pagamento por boletos e em reais - vide este blogueiro comprando uma conta no serviço em setembro.
Como se vê, a tal “versão brasileira” do Flickr é notícia velha.
Update: Não vêm mais. Ambas não conseguiram pegar seus respectivos vôos ao Brasil.
October 11th, 2007 — internet
Na semana seguinte à oficialização da venda de XOs para norte-americanos durante um período de 2 semanas em novembro, o principal rival do laptop de 100 dólares (que só custa os 100 dólares no discurso de Negroponte) também caiu nas mãos de usuários finais, mas no Brasil.
De um lado, a XO Giving venderá dois notebooks por 400 dólares - um você receberá em casa até o Natal, outro será doado a países que não têm condição de bancar os portáteis de seus alunos, o que fez o Pogue abaixo se derreter neste teste. Prestes a fazer a licitação que decidirá a plataforma a ser usada, o Brasil não está na lista, confirmou a OLPC.
[youtube=http://youtube.com/watch?v=BBoghPvyhts]
Do outro, a distribuidora CIASupri cita um contato na Flórida pra vender a interessados o ClassMate PC por 390 reais, cifra beeeem longe dos 400 dólares ou mil reais citados como preços sugeridos para o portátil, sem o aval da Intel, que criou e controla a distribuição do portátil.
Ignore o português sofrível - o preço é tão abaixo do divulgado pela Intel Brasil que fica difícil não farejar maracutaia na parada. Isto significa que você vai ter que ir pros Estados Unidos pra comprar honestamente um notebook educacional? Sim, se você correr.
A OLPC já disse que a venda é um teste e não pretende repetir a comercialização tão freqüentemente, já que envolve burocracias e dores de cabeça com entrega que a organização já disse não estar nem um pouco interessada.
October 6th, 2007 — internet, web social
A quantidade de usuários chegados pelo Google que comentam neste blog esperando ter uma resposta em tempo real sobre Second Life me motivou a escrever este FAQ.
As dúvidas mais freqüentes estão aí. Se, mesmo após ler, você ainda tiver dúvidas, deixa um comentário que eu encaixo a resposta.
P: O que é o Second Life?
R: O Second Life (SL) é uma rede de relacionamento que funciona em um ambiente virtual 3D - ao invés de acessar perfis de seus amigos dentro do navegador, como no Orkut, você encontra representações de seus amigos chamados avatares em um ambiente tridimensional que reproduz o mundo real.
P: Como eu faço pra jogar o Second Life?
R: O Second Life é gratuito. Por ser uma rede social baseada em gráficos (ao contrário do Orkut, baseado em textos), o SL exige que voce baixe um cliente no site da Kaizen, empresa que adaptou o serviço ao Brasil. O software pode ser baixado aqui e instalado no seu PC com Windows XP - o SL não tem versão em português para Mac OS, Linux ou Windows Vista.
Se você encara inglês sem problema, baixe o cliente para Mac OS ou Linux no site da Linden Labs.
P: Meu avatar é muito simples. Como eu posso melhorá-lo?
R: É possível mudar sue avatar do jeito que você quiser. Mas tenha algo claro em mente: tudo envolve dinheiro, de uma roupa da Puma a um corpo malhado (aliás, é incrível como só tem gente malhada no Second Life. se eu gostasse do SL, compraria um avatar gordo). Se você quer gastar dinheiro pra se melhorar, ótimo. Se não faz questão, nada muda na rede pra você em comparação aos avatares mais complexos.
P: É verdade mesmo que eu posso ganhar dinheiro no Second Life?
R: Poder, pode. Isto não significa que você vai se tornar milionário da noite pro dia. Ganhar dinheiro no Second Life se baseia em comercializar algo, sejam corpos, roupas e terrenos, ou a força de trabalho do seu avatar, atendendo outros avatares ou cuidado de um ambiente.
P: Meu computador comprado nas Casas Bahia roda o Second Life?
R: Não. A configuração mínima do SL é poderosa - PCs mais simples contam com 256 MB de memória e placa de vídeo onboard, enquanto o serviço sugere 512 MB de memória e placas da nVidia e ATI com, no mínimo, 64 MB.
P: Eu só posso escolher este sobrenomes ridículos pro meu avatar?
R: Sim. Por enquanto, sim. A Linden Labs já prometeu que um dia oferece sobrenomes customizados, mas nada prático ainda.
P: Basta ter um navegador para jogar o Second Life?
R: Não. Por mais que se baseie na internet, como outras redes sociais, o Second Life exige um programa próprio, chamado de SL Client.
P: Eu só posso me comunicar com as pessoas por texto?
R: Não. Já rola voz no Second Life. Desde julho, a Linden Labs colocou como função padrão o que só estava sendo testado anteriormente em uma ilha especial: a conversa por voz. Para utilizar, você vai precisar de um fone com microfone, do mesmo estilo usado para ligações VoIP.
P: E aquela história de construir uma casa ou uma loja no Second Life?
R: Antes de tudo, você precisa pagar, seja pra vender coisas ou morar, já que a Kaizen cobra os terrenos que você habitará por lá - fora o que você pagará ao estúdio de modelagem pra fazer sua casa. Ganhar dinheiro no Second Life custa dinheiro! Se você quer investir no Second Life do mesmo jeito, precisa antes pagar R$ 19,90 à Kaizen - dá um pulo no site pra entender melhor.
P: O que eu posso criar no Second Life?
R: Virtualmente tudo, de enfeites para avatares a prédios digitais que nunca ganhariam aval do CREA. Homens podem ficar grávidos no Second Life por que a barriga prenha é apenas um plug-in. Desde que você queira gastar dinheiro, dá pra ficar do jeito que quiser.
P: Tá, mas pra que serve o Second Life?
R: Aí é com você. O SL não é uma rede social no estilo do Orkut onde você encontra antigos conhecidos do colégio - pra falar a verdade, o grande barato de quem frenqüenta a rede é não se identificar. Você se arma do estilo que preferir e sai pra desbravar.
O Second Life também é uma plataforma online onde um designer pode ganhar dinheiro moldando pessoas e lugares, assim como empresas criam sedes virtuais para melhorar seu relacionamento com determinado público.
Cada um tem sua razão pra entrar (e continuar) no Second Life. É você que vai encontrar a sua.