a queda nas ações da Apple

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Para leigos (tipo eu), a melhor explicação para o mercado financeiro está na metáfora do “estouro da manada” - vai um boi, vai uma manada e, em pouco tempo, pronto, o grupo inteiro se foi.

Na última semana, as ações da Apple caíram 5% na quarta após Steve Jobs anunciar a renovação da linha iPod. O motivo foi um corte exageradamente alto e prematuro no preço do iPhone.

Cortes de preços são triviais e ocorre graças à própria natureza do mercado de tecnologia, algo que tem uma certa relação com o raciocínio de Gordon Moore na sua lei.

Pelo menos no mercado de TI, paga-se menos por equipamentos defasados em relação ao que há de mais novo. Todos que se aventuram na tecnologia já sofreram este problema dada a volatilidade do setor.

Mas o corte de Jobs foi cedo e alto demais, o que deu ao mercado uma confirmação extra sobre as supostas vendagens abaixo do esperado do badalado iPhone, que já tinham derrubado as ações da empresa em 4% em julho.

Além da fúria dos early adopters, o corte serviu de prova a quem suspeitava que a Apple não bateria sua previsão de vendas e, para evitar isto, resolvera apelar para um corte de preço antes da hora.

No dia do anúncio, nem as ações da SanDisk nem da Nokia, concorrentes diretas dos produtos anunciados pela Apple, caíram tanto como as da própria Apple.

Implicância? Não. Altas expectativas de mantar o ritmo de inovação, algo que já havia desafiado o Google também. E quando expectativas, jogadas lá no alto pelos investidores e analistas, são frustradas, a manada estoura.

a buenos aires high-tech

Dá pra falar coisa pra caralho de Buenos Aires.

A começar pela estrutura de turismo de dar inveja ao país - em qualquer esquina, você encontra mapinhas para turistas desinformados -, passando pelo explosivo número de livrarias na capital portenha, pelos humilhantes preços de comida (mesmo em recantos assumidamente turísticos) ou pela ostentosa arquitetura do centro, preservada e ainda usada pela população em prédios comerciais, restaurantes estilosos ou órgãos do governo.

Mas nós vamos falar de tecnologia - depois de se arriscar até em jazz, tava na hora, né Guilherme? E, quando se fala em tecnologia, Buenos Aires está alguns quilômetros na frente do Brasil não apenas por já ter sua loja oficial da Apple (um dia o Brasil ainda tem a sua, calma).

A já citada estrutura invejável de turismo de Buenos Aires é um dos principais cases de bom uso de tecnologia pelo governo da província, a começar pelos tours guiados pelo celular.

Ao invés de apelar para um guia ou para seu falho senso de direcionamento com os mapinhas gratuitos na mão, a prefeitura de Buenos Aires instalou placas de mármore no chão (como está abaixo) nos principais pontos turísticos da cidade.

Com um celular em mãos, o turista envia um SMS e recebe não apenas instruções em texto sobre a atração à sua frente, mas também (em aparelhos mais poderosos) um podcast que detalha a importância da atração.

Se é de graça ou não, sinceramente não sei. Mas a função é o desmembramento da estratégia que a prefeitura expõe no site oficial da cidade - ali, é possível montar roteiros próprios pela cidade ou baixar podcasts e direções conforme bairros ou figuras históricas do país, como Carlos Gardel, Evita Peron ou Jorge Luis Borges.

A academia chama o que a prefeitura portenha está propondo de realidade expandida - a tecnologia faz com que aquela realidade se torne mais rica graças à introdução de informações por meio de redes e aparelhos comunicacionais, sem apelar para guias regionais.

Em São Paulo, veja bem, nem bem os podcats hospedados em site com este propósito turístico funcionam bem. Ao visitar a exposição de Edgar Degas, que rolou em 2006, queira ter baixado o MaspCast, nome do podcast do museu, para acompanhar a exposição.

O único arquivo disponível no site da instituição, porém, era da exposição “Lina Bo Bardi - Arquiteto“, em homenagem ao responsável pela construção do museu, que ocorreu no comecinho do mesmo ano, quando o serviço foi lançado.

No metrô, onde é possível não apenas fazer ligações como também navegar na internet (algo que o governo do Estado de São Paulo está prestes a oficilizar nos trens do Metrô paulistano), é também por SMS que a administração encoraja passageiros vítimas de furtos a registrarem ocorrências - ao invés de esperar o trem parar na próxima estação, o usuário manda seu SMS indicando a estação onde ocorreu o delito dentro do próprio trem.

Neste caso, o serviço é gratuito. Dentro dos trens, melhor ainda, o acesso à internet sem fio é gratuito, diferentemente do método praticado normalmente em Buenos Aires - nas ruas pelo menos, o uso das redes obedece ao mesmo princípio de planos de acesso que Telefônica e Vex oferecem em São Paulo.

Em algo referente a tecnologia, Buenos Aires é deixada no chinelo por São Paulo. Ao procurar o Google Maps para fazer um mashup com alguns dos lugares visitados na viagem, tive a infeliz surpresa de saber que o serviço do Google não traz nomes de ruas potenhas.

Até aí, a culpa não é da prefeitura. Não se deixe levar pelo câmbio (hoje, cerca de setenta centavos de real compram um peso argentino). Quando o assunto é tecnologia, Buenos Aires passa São Paulo com certa folga.

apple apresenta diretor e imacs

Hoje (agora?), a Apple reúne jornalistas para apresentar tanto a nova linha iMac no país com um belo corte de preços (comparado, evidentemente, aos seus preços praticados normalmente) como Alexandre Szapiro, ex-VP de marketing e vendas da Palm na AL e novo General Manager para Brasil.

Mas quer novidades mesmo? Espera mais um pouquinho então…

Valencia: Wii a cântaros

Falta de estoque de Wiis? Pelo menos na Espanha, longe disto. O console superstar da Nintendo vai muito bem, obrigado em todo o mundo a ponto de faltar nas prateleiras, mas , em uma andadinha em lojas de departamento espanholas, não foi nada difícil encontrar o Wii.

Tem até mashup para encontrar o console mais próximo.

Das pilhas na tradicional El Corte Inglês (até online você encontra), onde a atração real parecia ser mesmo a edição especial Harry Potter do PSP, ao solitário console no Carrefour (que tem a mesma cara em todo lugar do mundo), não havia sinal dos baixos estoques do Wii.

A oferta até motivou um certo desejo em, finalmente, levar o console da Nintendo pra casa. Por pouco, evitou-se o desastre. A freqüência de energia elétrica na Espanha é de 60 Hz, enquanto a brasileira é de 50 Hz.

Dor de cabeça a vista, além do preço que, mesmo não no patamar dos Brinquedos Laura (e tantos outras e-lojas brasileiras), dá um belo desfalque extra.

P2P, MP3Blog e buscadores

O P2P você sabe cumé - milhares de PCs conectados em rede trocando informações na essência da World Wide Web, processos de direitos autorais, fechamento dos principais e renascimento de tantos outros.

O MP3Blog você já deve até conhecer - blogs anônimos que se especializam em oferecer álbuns completos de determinado estilo musical, facilmente hospedados em HDs virtuais com contas anônimas.

E o Google? Se o crawler registra, tem que haver jeito de achar. Na lista dos populares do Technorati na semana passada, estava um vídeo (não é o único) que detalhava a melhor maneira de achar os MP3s escondidos.

[youtube=http://youtube.com/watch?v=sRv953XZX6Y]

E é fácil. Demais. Copie o código oferecido na descrição do vídeo e entenda o porquê da implicância da RIAA com universidade - muitas das canções encontradas são de pastas pessoais de estudantes dentro do armazenamento que a faculdade lhes oferece.

E bon appetit

quando a soma de Intel e OLPC provoca indefinição

A improvável parceria entre Intel e OLPC, que vinham se estranhando desde a visita de Paul Otellini ao Brasil, em março de 2006, se concretizou, à revelia das expectativas de amantes, céticos e jornalistas que cobrem o assunto.

Não foi só a comunidade - este repórter, inclusive - que se surpreendeu.

Em entrevista com Élber Mazzaro, sempre articulado diretor de marketing da Intel Brasil, a conversa não fluia - havia uma evidente dificuldade em desenvolver o assunto sem cair nas frases de efeito, comportamento contrário ao padrão do executivo. Ele parecia confuso.

Até a sinceridade constante de David Cavallo, o manda-chuva da OLPC na América Latina, deu lugar a afirmações um tanto vagas e apenas uma certeza, também pontuada de dúvidas: no futuro, OLPC e Intel farão notebooks conjutos.

Ficou no ar a quantia que a Intel pagou à OLPC para entrar no conselho - todas as empresa sveiculadas à OLPC pagam, seja elas o Google, a AMD ou a Nortel. Fica sem resposta também - e principalmente - como será feita a integração de esforços.

Um notebook só? Ambas negam. Equivalência de configurações, inclusive com WiMax? Não descarte. Incentivos da Intel? Quem fica com medo disto é a AMD.

Nicholas Negroponte sempre afirmou que o setor era regido pelo “quanto mais melhor” e o próprio Governo Federal declara, quando perguntado sobre a licitação, que não será apenas uma carga de notebooks.

Quem pode perder? Pelo perigo de competir com a Intel, a AMD.

E, não, Nagano, eu não tenho nenhuma resposta mágica pra parceria.

original: de NutecNet a Terra

Também dentro do especial de 10 anos do Now!, a matéria com operações online que sobreviveram à Bolha ficou mais magra no último minuto.

Decidiu-se não colocar uma empresa nascida como provedora e transformada o portal, o que tirou a NutecNet da parada- a inclusão abriria brecha para um sem número de outras companhias.

De novo, o Creative Commons é o nosso pastor e nada nos faltará.

*

NutecNet: do Vale do Silício para a liderança em banda larga

Quem vê o Terra usando sua base de assinantes de banda larga - a maior do país - para se manter na guerra dos grandes portais brasileiros pode não imaginar a tradição que o portal tem no setor de acesso doméstico.

Muitos anos antes de se tornar o portal controlado pela Telefônica, a Nutec, criada em 1987 pelo empresário e surfista Marcelo Lacerda, tinha como pretensão vender sistemas em Unix para o mercado internacional.

O sistema Image, desenvolvido em Unix para terminais em sistemas multiusuários, levaria a gaúcha Nutec a abrir, em 1992, um escritório no Vale do Silício para vender a solução a empresas norte-americanas.

Na Califórnia, a Nutec percebeu o potencial da internet comercial, o que levou a empresa a, dois anos depois, integrar todos seus produtos - que tinha até um browser baseado no Mosaic chamado NutecDesktop Navigator - à web.

Com a experiência no Vale, a Nutec foi convocada por Tadao Takahashi, então presente da Rede Nacional de Pesquisa, para montar o modelo da internet brasileira, às vésperas da quebra do monopólio da Embratel para acesso doméstico.

“O governo nos pediu não um aporte do backbone, mas ajuda para entender aplicativos e sistemas para que o usuário navegasse”, conta Paulo Castro, presidente do Terra.

Quando o Ministério das Comunicações abriu o mercado para novos provedores, a Nutec já tinha experiência com acesso doméstico e serviços bancários na internet - em 1995, a empresa fez tanto um piloto com 4 mil usuários como inaugurou os serviços online de Bradesco e Bamerindus no mesmo dia.

“Em dois meses, lançamos a NutecNet, com acesso disponível para as cidades de São Paulo e Porto Alegre”, relembra Castro, contratado como décima segundo funcionário da Nutec original.

Como o provedor não tinha capital para abrir filiais regionais, resolveu apostar em franquias - se lanchonetes e lavanderias têm, por que não um provedor de internet? A primeira aposta para vender franquias foi na Fenasoft de 95.

“Saímos da feira com oito franquias fechadas, o que nos deu a maior rede nacional naquele ano”, diz Castro. A explosão de procura foi questão de tempo - no final de 96, já eram mais de 80 franqueados atendendo 120 cidades brasileiras.

O sistema de franquias, admite Castro, salvou a NutecNet do estouro da bolha. “Não dependíamos de especulação financeira, já que tínhamos um modelo sólido de negócio”.

No final do mês, eram os franqueados que tinham que pagar a conta, o que salvou a pele do provedor gaúcho, renomeado para Zaz após acordo com a rede regional RBS.

“Para não dizer que não passamos incólume, fomos comprados pela Telefônica” que, segundo Castro, tinha acumulado dinheiro com a movimentação do capital no mercado de internet.

A compra da Telefônica e mudança para o atual nome foi em 99, ano em que o acesso discado ainda era maioria esmagadora. As mudanças decorrentes da explosão da banda larga, sentidas pelo Terra principalmente a partir de 2002, fizeram com que o provedor alterasse seu papel no mercado de internet.

“Agora nos apoiamos tanto no acesso, principalmente banda larga, como na publicidade, que já não é tão incipiente, como nos serviços de valor adicionado, como softwares de segurança e venda de música”, analisa.

Com atuais 2,1 milhões de assinantes (85% são de banda larga, diz Castro), a manutenção da liderança do Terra em acesso domésticos à internet prova que, para se manter na web brasileira, é preciso seguir as voltas que o mundo dá.

Joost ainda mais brasileiro

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Na miúda, a parceria entre Trama e Elo Audiovisual vai enriquecendo o Brazilian Music Channel, canal de música brasileira no Joost. Além de clipes de Simoninha e Otto e show de Cláudio Zolli, a gravadora levada por João Marcelo Boscoli resolveu apostar no que tem de melhor: acervo histórico.

E lá estão online shows no programa Ensaio de Tim Maia,  Gal Costa, Tom Zé, Elis Regina (calaro!), Baden Powell, Jair Rodrigues e Cartola - ironicamente, tem até Amado Batista. Todos na íntegra.

Não tem ainda convite? Grita nos comentários que eu mando.

Aproveitando o assunto, o TechCrunch traz uma lista interessante com serviços que reproduzem TV ao vivo pela internet usando redes P2P.

é bem estranho…

…mas, no Bloglines, o post sobre a história do Moto-a-Porter aparece em strike da metade para o fim.

No template, o post está normal.

Uma complementação da história da Motorola: após a publicação do post, a agência responsável por fazer a ponte entre a empresa e os blogueiros lamentou, por e-mail, que alguns dos participantes tenham ido procurar blogs para reclamar.

Parece que a agência não reconhece direito a linha que separa a liberdade de noticiar uma falsa promessa com uma suposta rabugice. Uma pena.

ironia do dia

Único real “concorrente” do iPhone no Brasil (a Motorola preferiu não bater de frente com o RAZR 2), o LG Prada já pode ser encontrado nas Casas Bahia pelo sugerido preço de 1.899 reais - dica do Modos da Moda.

Ria - pelo menos no Brasil ele funciona, ao contrário do iPhone ofertado por 3.999 reais no Mercado Livre sem qualquer garantia real de acesso às redes locais.

Prada nas Casas Bahia.

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