Na volta de férias…

…uma quantidade gigantesca de observações.

1 - Lembra do iGoogle? A sugestão do post anterior foi na mosca - sem o devido estardalhaço, Google e UOL fecharam contrato para integrar a busca daquele na montanha de conteúdo deste. Há espaço demais para a monetização. Agora, a pressão é sobre a Globo.com - o Terra tem acordo semelhante com o Google há 4 anos.

2 - Em um dia, o silêncio. Em 26 de junho, todos os serviços de rádio online se calaram, em organização do Save Net Radio. Com exceção do Last.FM. A razão foi a proposta do governo dos Estados Unidos em mais que duplicar (de US$ $0,0007 para US$ $0,0018) o valor cobrado pela execução de canções pela web, taxa inexistente sobre transmissões convencionais.

3 - Interney Blogs está prestes a fechar acordo com um grande portal brasileiro - dois estavam brigando pela parceria. Ainda não se sabe como será o acordo - veiculação ou compra.

4 - Terry Semel, ex-CEO do Yahoo, se foi, o que valorizou as ações do buscador em 4,2% no dia do anúncio. Pra entender o porquê da alegria, recomendo (de novo) a leitura de “How Yahoo Blew It”.

5 - Como prometido, o NoMínimo encerrou atividades. Seis jornalistas migraram suas colunas para sites próprios - Sérgio Rodrigues, Carla Rodrigues, Pedro Dória, Luiz Antonio Ryff, Ricardo Calil e João Paulo Kupfer. Ancelmo Góis (via BlueBus) diz que Unibanco e Estadão estão se unindo para reavivar o site - boletim Link na Eldorado transmitido neste domingo (01/07) deixa no ar uma confirmação. Uma opinião pessoal? Cut the drama, palease!

6 - A Tim inaugurou sua Tim Music Store alegando ser a primeira loja de músicas para celulares. Meia-verdade. A iMúsica (quem mais?) já vende canções para o N91, da Nokia, desde agosto do ano passado. Diz a operadora italiana que qualquer celular com WAP e suporte a MP3 pode comprar canções.

7 - Não dá pra ignorar a entrada da Globo no Second Life, divulgando nova novela com direito a avatar do autor no complexo virtual da Vênus - junto à guerrilha do Pânico na TV.

8 - GPLv3 divulgada oficialmente, apenas em inglês por enquanto. Um PDF ajuda a explicar as principais alterações entre a última versão e a final - esqueça o release: nem organização não comercial consegue ser objetiva num texto assim.

9 - iPhone on the wild. Tem review do Pogue, do Mossberg, da CNet e milhões de blogs babando pro gadget da Apple, mas a melhor história vem da MyFox Dallas TV (via Pogue). O cara cedeu o lugar e ganhou um iPod com acessórios. De graça.

10 - De volta. O chão ainda tá empoeirado. Uma hora eu limpo.

2 brasileiras no iPhone

Babe nos três novos vídeos do iPhone, que confirmam que o gadget chega às lojas dos EUA no próximo dia 29.

A explicação prática da interação entre as funções é beeeem útil - e o Pacific Cath, no terceiro vídeo, se juntou a Piratas do Caribe, Beatles, Bob Dylan e The Office como pérolas pop do Jobs.

Não sei se você notou, mas há duas brasileiras no primeiro comercial: a sempre presente Bebel Gilberto e a surpreendente inclusão da surpreendente Céu entre os CDs no aparelho.

Enquanto isto, o NewYork Times reporta que executivos da Apple estão ansiosos quanto ao lançamento por uma possível decepção dos usuários após a tremenda expectativa criada - coisa que a Sony experimentou com seu PS3.

a Web 2.0 ganha sem vestir terno e gravata

O MySpace foi. O Flickr foi. O del.icio.us foi. O YouTube foi. E, agora, o Last.FM também foi.

A rede norte-americana CBS comprou o serviço britânico de rede social por música por 280 milhões de dólares (pouco?como ainda não tem modelo financeiro pronto, não). Em abril, o boato envolvia a Viacom por 450 (!) milhões de dólares.

o comunicado, a CBS diz que o Last.FM ajudará ao canal se identificar com audiências mais jovens. Como a base de 15 milhões de usuários do Last.FM será usada pela CBS entre seus enlatados, ainda não se sabe.

Crescer, o Last.FM vem crescendo - já são 12 línguas, português inclusive.

Tiago Dória já avisava que o conglomerado ensaiava seus passos na internet - no site, há wikis, códigos para integrar vídeos em blogs, exibição de vídeos enviados pelos espectadores e canais onde opiniões podem ser publicadas sobre programas.

Como todos os exemplos acima, os fundadores do Last.FM garantiram que se manterão à frente do serviço para manter sua autonomia. É comprar para não ser engolido.

leituras: 11 de maio

rolling_hunter

Demorou, mas cá está de novo.

No San Francisco Weekly, Chris Dalen escreve no começo de abril sobre sua experiência em engravidar no Second Life, encontrado durante apuração pro Now!. O relato do cara é espetacular por que passa de um cetismo inicial para um emocionante relato do nascimento da sua filha (!).

Na Fast Company, Alan Deutschman traça um longo e denso, mas divertido, perfil de James Wales, o criador da Wikipedia que já passou pelo Chá. Quem preferir português pode apelar para a versão traduzida da Galileu.

N´A Última Biblioteca, Cláudio Soares traz o link para uma introdução e um capítulo inéditos para Jogo da Amarelinha, romane lúdico de Júlio Cortazar festejado por leitores compulsivos e acadêmicos por aí.

Não conheço a APC Magazine nem li a entrevista até o final, mas não se deixa uma conversa longa com a CEO da Mozilla, Mitchell Baker, passar ilesa sem, ao menos, dar uma espiada no que ela tem a falar sobre investimentos, comunidade e segurança.

Revirando uns livros gonzo pra explicar ao chefe o que é o jornalismo gonzo que inspirou a pauta sobre Second Life, me deparei com o texto da Rolling Stone com a morte do Dr. Hunter S. Thompson. Um tributo.

“The radio is 110 years old this year and the microprocessor just under 50. As these two technologies move ever closer together, with wireless capabilities now being put on computer chips, something exciting is happening”.

Com esta paulada de introdução, a The Economist estampou em abril um extenso especial sobre convergência.

E pra terminar, Tim Berners-Lee prova, com a autoridade de quem inventou a WWW, que dá pra explicar Web Semântica (ou 3.0, se você quiser) no Technology Review sem usar termos técnicos - mérito de quem domina o assunto, independente da área.

a Microsoft tenta levar Windows para laptops educacionais

O COO da Microsoft veio ao Brasil para acompanhar (fazer apenas presença em corpo) o anúncio feito pelo presidente brasileiro, Michel Levy, que a empresa já está negociando com o Governo Federal para o pacote Microsoft Student Innovation Suite a 3 dólares.

O Governo, vale lembrar, é grande. Mas não é com a Assessoria Especial da Presidência, órgão responsável pela avaliação de notebooks educacionais.

Mesmo que não assuma com todas as letras, a Microsoft venderá o pacote, que tem Windows XP Starter e Office 2007 Student Edition, para “equipamentos novos que alunos possam levar para casa”, segundo executivo da empresa.

Em suma: notebooks educacionais.

Membros da Assessoria reagiram com um semi-rosnado à notícia: o Governo não tem interesse em incluir softwares de código fechado nos laptops educacionais, me garantiram.

Já se sabia. Mas não custava rememorar.

a nova entidade antipirataria do Brasil

Há duas semanas, o Brasil ganhou a APCM (Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música) em substituição às (fracas) operações nacionais de MPA e IFPI - em ordem, para filmes e música.

O responsável por coordenar o novo órgão, que liderará ações de conscientização e repreensão contra piratas físicos, principalmente, é o delegado licenciado da Polícia Federal Antônio Borges.

Em conversa após o evento, Borges afirmou que seu único contato com pirataria musical havia sido no Paraná em 1997, quanto comandou uma ação que apreendeu milhares de CDs virgens.

Sua nomeação foi aplaudida pelos executivos internacionais dos órgãos presentes. Mas é evidente que a atuação da APCM continuará fraca como suas antecessoras já eram.

É difícil esperar grandes mudanças na abordagem (e mesmo no volume de ações) do órgão com uma direção claramente nada habituada com o mercado nacional de música digital.

E isto não é necessariamente ruim.

A ABPD afirmou que foram baixadas 1 bilhão de músicas no Brasil, mas assume com todas as letras que a fatia dos que baixam é insignificante - é preciso ter banda larga em casa num país em que 79% nunca entraram na web (dados do IBGE).

Por isto, quem baixa músicas pra consumo próprio e não compartilha mais de 5 mil arquivos está fora dos futuros processos contra usuários brasileiros. Mesmo acanhada, a IFPI assume isto com todas as letras.

O foco é o centro do esquema de pirataria que troca os chineses (ou coreanos) presos em ações como a do Stand Center como Lemmings - corta-se os tentáculos, mas o polvo ainda fica ali.

Resumo? A APCM nasceu, o mundo continua rodando no seu eixo e você não vai parar de baixar músicas por isto.

dado novo da Novadata

Notícia rápida. A Novadata, fabricante de PCs e notebooks e participante do programa Computador para Todos, entrou com pedido de concordata.

O por quê? Vou tentar descobrir e já volto.

Update: Eu, não. Taís Fuoco e o santista Alê Scaglia descobriram que a empresa baiana, quinta maior fabricante de PCs em 2005, teve que recorrer à Lei de Falências para não fechar suas portas.

Esta é a versão “oficial” que a empresa confirma, embora não se pronuncie oficialmente. O mercado, no entanto, dá como certo o fechamento da Novadata - entre segunda e quarta da semana passada, inclusive, foi assinado o pedido de concordata.

Não custa lembrar que veio da Novadata a venda do DualBoot (PCs com Windows e Linux) dentro do Computador para Todos, que obrigouo Governo Federal a reiterar que o programa exigia apenas o uso de Linux nos micros.

do youtube/google: nicolelis e seus macacos biônicos

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=7-cpcoIJbOU]

Quem são os brasileiros que te dão orgulho? Minha (limitada) lista ganhou um nome de peso durante uma apuração: Miguel Nicolelis.

Fanático pelo Palmeiras, Nicolelis é pesquisador do Laboratório Médico da Universidade de Duke. Sua especialização é neurociência e o motivo do orgulho é exemplificado na matéria da BBC acima.

No seu experimento de maior sucesso, Nicolelis ligou os neurônios de um macaco a um sistema eletrônico conectado a um braço mecânico. Após horas mexendo em um joystick, o macaco percebe que pode controlar o braço mecânico com o cérebro.

Foi a primeira conexão feita pela ciência entre chips e neurônio animais, o que abre precedentes para ciborgues de verdade.

Fui descobrir depois que Nicolelis também tem um blog sobre o assunto no G1, o NeuroLog.

Não bastasse, Nicolelis criou um grupo de estudo sobre o assunto em Natal (!) (RN) - é o Instituto Internacional de Neurociência, onde trabalha em conjunto com o pesquisador Sidarta Ribeiro.

a história por trás do Moto-A-Porter

Durante o São Paulo Fashion Week, a Motorola resolve convocar blogueiros nacionais e internacionais para cobrir o evento de moda sob o Moto-A-Porter, blog coletivo de moda que gerou debates sobre a validade de uma empresa incentivar o “peer-content” .

Por meio do Blue Bus, Marcelo Tas saiu a público criticando a iniciativa por ser “plantada” pela Motorola. O fundador e editor do Blue Bus, Júlio Hungria, concordou com Tas, afirmando achar “incômoda (para a internet) a promessa dos ‘maiores blogueiros do mundo’”.

A reação foi imediata: no seu blog e no Moto-A-Porter, Marisa Toma, do Objeto de Desejos, classifica o comentário de Tas como um “ataque de ciúmes” e clama a cobertura dos 21 blogs como honesta, mesmo atrelada a uma marca.

O que você não sabe é que a própria Motorola se sentiu incomodada com a polêmica. A começar pelos comentários no post de Marisa no Moto-A-Porter - alguns deles foram publicados, de maneira anônima, por funcionários da Ag_407, que coordenou o projeto.

O comentário número 10, de “ed”, por exemplo, foi publicado por Alex Schönburg, sócio da Ag_407, apresentado poucos argumentos plausíveis (”Come one”???) - as informações vêm de envolvidos extremamente confiáveis.

Mais que isto: após o IDG Now! questionar a Motorola sobre o pagamento de blogueiros nacionais e internacionais, sua assessoria acionou a responsável por fazer a ponte entre a Ag_407 e os blogueiros.

Um e-mail foi disparado afirmando que, caso jornalistas perguntassem sobre remuneração, blogueiros deveriam responder que estavam nesta não pelo dinheiro, mas pela “iniciativa inovadora”e pela “maravilhosa oportunidade” de fazer o blog.

A resposta polida da Motorola se transformou em post no Blog dos Blogs, do editor do Now!, Ralphe Manzoni Jr.

Por fim, a Motorola emprestou a cada blogueiro um aparelho MotoRizor Z3 para tirar fotos e fazer vídeos para o blog, prometendo que o aparelho seria do blogueiro. O evento de moda terminou no dia 29 de janeiro.

Setenta oito dias (and counting) após o SPFW, o celular ainda não foi entregue. Jabá? Cada um escolhe se aceita ou não, mas prometer e não cumprir é, no mínimo, deplorável por parte de uma grande empresa.

Em outubro do ano passado, a Nokia, concorrente mundial da Motorola, fez uma campanha silenciosa na blogosfera, pagando para blogs como o Sedentário& Hiperativo e GameReporter para divulgar boatos sobre o tal de Mysterious Ad.

Comenta-se que a empresa pagou 500 reais a cada blogueiro pela divulgação. O buzz rendeu - veja no BlueBus, no Flickr e no Technorati.

Outras empresas já investem na blogosfera nacional com ações de marketing não tão camufladas como a Nokia - veja a Antártica e os Estúdios Fox com blogs como o Jacaré Banguela, blog do Noel e Marmota.

Até mesmo a Nissan, em sua perigosa campanha da suposta volta da banda “The Uncles” para vender o sedã Setra, recorreu à blogosfera (seria irresponsabilidade dizer se por pagamento ou não).

Na teoria, a iniciativa da Motorola é louvável. Mas sua prática enrolou-se no mesmo corporativo que empresas aplicam na hora de tratar com blogs, vistos como meios de divulgação baratos.

Mais triste ainda notar um certo deslumbramento de quem participou - veja o e-mail enviado por uma das blogueiras para “convencer” seus colegas. Assim, a seriedade se manterá a quilômetros de distância da blogosfera brasileira.

o Google gasta US$ 3,1 bi para ganhar mais

Talvez pela empresa desconhecida ao grande público ou pelo ingrato horário que foi divulgada (sexta-feira à noite, quem lê notícia de tecnologia?), uma nova compra do Google repercutiu menos do que devia.

Fora a quantia - quase o dobro dos US$ 1,65 bilhão gastos com o pop YouTube -, a aquisição da DoubleClick por nada menos que US$ 3,1 bilhões indica um novo passo do gigante (também) da propaganda online para aumentar sua fatia.

A competição era tamanha que a Microsoft, recém-entrada com uma mão na frente e outra atrás, alegou violações de negociações na compra, a maior já feita pelo Google, nesta segunda.

A compra aumenta a rede de grandes companhias que vendem anúncios pelo Google, além de potencializar o setor de banners do gigante de buscas para bater de frente com o Yahoo - única categoria onde este ainda levava vantagem.

Haverá mais anúncios, o que tornará os leilões do AdSense ainda mais competitivos com a entrada de grandes empresas. Haverá integração de ferramantas dos diferentes tipos de propaganda online, como os bons e velhos relatórios de entrega de banner unificados aos de links patrocinados.

E, mais que isto, haverá mais dinheiro no bolso do Google - juntos, fundadores e o CEO do Google valem mais que Bill Gates.

Pra entender melhor a crescente ferocidade do mercado de publicidade eletrônica, duas sugestões: vá primeiro ao excepcional “The Quest for the Perfect Online Ad”, de Paul Sloan, e depois a “How Yahoo Blew It”, em que Fred Vogelstein explica como o mercado de anúncios online escapou das mãos do Yahoo.

Update: Sílvio Meira também escreve sobre o tema, focando na “vitória” do Google sobre Yahoo e Microsoft na compra.

Já o analista David Hallerman escreve para o e-Marketer sobre um possível monopólio do Google no mercado de anúncios eletrônicos.

Achou US$ 3,1 bilhões muito? Só o mercado dos EUA de publicidade online vai movimentar US$ 19,5 bilhões - o faturamento do Google será o dobro do que ele gastou.

Veja o excepcional gráfico abaixo pra entender o problemão de Yahoo e Microsoft.

grafico_propaganda

 

Dá pra entender por que até o Google Brasil pode se dar o luxo de cogitar a compra de um PlayStation 3?

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