o Digg joga pela internet

Se há uma postura que melhor define a atuação sadia de empresas online é nunca jogar contra a rede - esta frase foi pinçada de uma leitura recente que não me lembro.

Em pleno Dia de Trabalho, o Digg bambeou, mas assumiu sua postura de não jogar contra a rede.

Short story: a quebra do AACS usado para proteger contra cópias em discos HD-DVD e Blu-ray era notícia velha, mas ganhou destaque ao entrar na capa do Digg, que recebeu uma carta (ainda anônima) exigindo a retirada do conteúdo.

O Digg fez. E deve ter se arrependido amargamente. Na tarde desta terça-feira (01/05), após a “censura”, todas as notícias falavam sobre o hacking do AACS. Todas.

Não dá pra enganar a multidão - eles são milhões e têm olhos, bocas, ouvidos e um senso crítico, permitido pelo anonimato, que é de destruir qualquer um que não esteja com a terapia em dia.

Kevin Rose escreveu um post que beira a catarse no blog do serviço decidindo enfrentar a situação - a notícia foi diggada exaustivamente e ultrapassou todas as outras que criticavam a “censura”.

O Digg não é a primeira vítima da indústria (Napster, Kazaa e até mesmo YouTube - a lista é longa). Mas foi o primeiro a rechaçar uma postura mais corporativa no melhor estilo “mato no peito”: pelo jeito, o Digg quer pagar pra ver até onde a indústria vai.

Melhor: me parece que Rose quer tentar achar um novo caminho às ameaças de uma indústria que ainda vive conforme as regras do mercado offline.

Juridicamente, não me arrisco em dizer se a divulgação de tal informação quebra alguma lei - o Digg, vale lembrar, é uma ferramenta de comunicação e, por isto, tem que responder por seus usuários caso haja crime.

É um sentimento adolescente? Demais. E Kevin Rose tá virando ídolo desta molecada por isto mesmo: por ouvir e botar o modo Xanadu pra funcionar.

O código já está online há semanas e, depois do furor, ganhou ainda mais destaque - não sei se é bobagem, mas me dá um certo orgulho ver a movimentação relâmpago dos milhões de pequenos Zés contra uma grande corporação.

Veja os vídeos que já estão no YouTube, as opiniões que já estão no Technorati e as fotos que já estão no Flickr. A merda já está feita. Tentar brecar a rede é atirar uma pedra no enxame sem ter a condição de correr. Agora, é agüentar as picadas.

Motigo: transformando blogueiros em psicopatas

Quando começou a usar a plataforma Motigo, em março, a ferramenta de medição de audiência WebStats, usada pelo Chá Quente, ganhou algumas novas funções, além de um visual beeem melhorado.

Uma delas transforma qualquer blogueiro num psicopata em potencial - ao lado de cada acesso ao seu blog, a Motigo apresenta um ícone que leva à representação gráfica do IP no Google Maps.

No falso mundo da teoria, você poderia saber exatamente onde está seu leitor. Mas, na prática, a história é outra - e é exatamente por isto que serviços como o IP-Adress não me motivam medo algum.

Grandes provedores de banda larga trabalham com IPs dinâmicos - você se conecta e ganha um aleatório. Quando entro no Chá, o Motigo aponta que meu ponto de acesso está na zona leste de São Paulo - exatamente onde estão os servidores da Net (uso Virtua).

Certos casos são até bisonhos - um acesso dentro da Universidade Federal de Santa Catarina, por exemplo, é indicado como se fosse feito de dentro do oceano.

Por enquanto, você não tem do que se preocupar - os dados importantes estão guardados onde ninguém vê. Por enquanto.

Update: Foi falar que eles mudaram. Ao invés dos ícones, o Motigo agora mostra, em um mapa do Google Maps, a posição geográfica dos seus últimos cinco acessos.

Eu Curti de cara nova (e sem spammers ?)

O Eu Curti saiu do ar na semana passada, despertando uma incompreensível apreensão na blogosfera - vem cá, alguém ainda categorizava notícia no meio de tanto spam?

A explicação é a explosão de acessos que estourou a banda do site - 15 mil simultâneos. Veja bem: 15 mil não é um número expressivo o suficiente para o rebuliço causado e até mesmo os responsáveis pelo Eu Curti sabem e assumem isto.

No meio da histeria, uma novidade: até o fim da semana, estréia um novo Eu Curti, com interface nova (vai lembrar o concorrente direto Rec6) e com sistema de publicação Pligg 9.0, que promete banir os spammers que encarnam o Gérson 2.0.

A estréia, quer dizer, só acontece com uma condição: se a DreamHost devolver o banco de dados seqüestrado com o estouro de banda.

O estouro, aliás, foi ocasionado pelo acúmulo de acessos e links publicados com putaria referente ao BBB - buscas no Google e acessos direto atrás de fotos e notícias com teor erótico derrubaram o Eu Curti.

Cara e ferramenta novas não implicam em conteúdo novo. E, neste aspecto, se nem Eu Curti nem Rec6 (que decaiu espantosamente rápido nas últimas semana) se aprumarem rápido, a internet brasileira corre risco de não ter Digg interessante nenhum.

blogsxmídia: dois casos do jornalismo online

Duas posições do Chá quanto a recentes casos de jornalismo online.

1 - Me espanta assustadoramente a completa falta de tato com que alguns figurões da grande mídia norte-americana abordaram o norte-americano Paul no seu blog do Live Journal.

Kate, a namorada de Paul, estava em uma das classes da Virginia Tech quando Cho Seung-Hui atacou o campus atirando. Com ele, 32 pessoas morreram. Kate não foi uma delas e ligou para Paul para tranquilizá-lo.

Nas 7 páginas de comentários do seu post, são 9 os convites de grandes conglomerados de comunicação pedindo que Paul fale. Alguns enviam condolências. Outros tratam o assunto com uma impessoalidade além do que a profissão pede.

É o caso de Desiree Adib, produtora (a ou o?) da ABC News.

“please call me, im an abc news producer
desiree.adib@abc.com
or 212 456 7682
thanks.”

Da ABC e ainda pedindo “por favor”? Grande bosta.

2 - A manchete é “HP Stops Selling Printers, Starts Selling Prints”. A reação é ligar para a HP. A frustração com o Slashdot, que já foi muito mais sério e preciso, é crescente - lembra do caso do Orkut na Índia?

A matéria da ZDNet, que motivou o post, não cita o fim de produção de nenhuma linha e se aplica apenas ao mercado australiano (!). De impreciso, o título se mostra completamente falso.

*

A grande mídia e a blogosfera dão bons e maus exemplos de interação.

E ainda teve blogueiro/jornalista que acreditou que os blogs/jornais iam atropelar os blogs/jornais. Tsc tsc.

o retorno ao velho del.icio.us

Desisti de usar a nova extensão oferecida pelo del.icio.us para o Firefox. Não deu. Encontrei a novidade no TechCrunch há semanas, que afirmava que, de tão boa, atrairia quem ainda tinha um pé atrás com a rede.

Atualizei. Ao invés de oferecer ícones que taggeam a página sem que ela se feche e que levam o usuário a sua lista de sites favoritos, a extensão acumula as notícias em uma nova barra no Firefox, além de todas as tags usadas pelo usuário num menu parecido ao de Histórico.

Problema é que a extensão deixou meu Firefox lento. Demais. Atualizo meu del.icio.us freqüentemente todos os dias. A cada atualização, o browser travava por alguns segundos para carregar o novo endereço na barra de favoritos.

E, no trabalho, onde fiz o experimento, meu PC está longe de ser uma carroça e a banda é bastante larga.

Em casa, com equipamento menos sofisticado, a extensão original continua funcionando maravilhosamente bem - afinal, não precisa das últimas notícias taggeadas bem na frente dos meus olhos.

Só eu tive este problema?

a história por trás do Moto-A-Porter

Durante o São Paulo Fashion Week, a Motorola resolve convocar blogueiros nacionais e internacionais para cobrir o evento de moda sob o Moto-A-Porter, blog coletivo de moda que gerou debates sobre a validade de uma empresa incentivar o “peer-content” .

Por meio do Blue Bus, Marcelo Tas saiu a público criticando a iniciativa por ser “plantada” pela Motorola. O fundador e editor do Blue Bus, Júlio Hungria, concordou com Tas, afirmando achar “incômoda (para a internet) a promessa dos ‘maiores blogueiros do mundo’”.

A reação foi imediata: no seu blog e no Moto-A-Porter, Marisa Toma, do Objeto de Desejos, classifica o comentário de Tas como um “ataque de ciúmes” e clama a cobertura dos 21 blogs como honesta, mesmo atrelada a uma marca.

O que você não sabe é que a própria Motorola se sentiu incomodada com a polêmica. A começar pelos comentários no post de Marisa no Moto-A-Porter - alguns deles foram publicados, de maneira anônima, por funcionários da Ag_407, que coordenou o projeto.

O comentário número 10, de “ed”, por exemplo, foi publicado por Alex Schönburg, sócio da Ag_407, apresentado poucos argumentos plausíveis (”Come one”???) - as informações vêm de envolvidos extremamente confiáveis.

Mais que isto: após o IDG Now! questionar a Motorola sobre o pagamento de blogueiros nacionais e internacionais, sua assessoria acionou a responsável por fazer a ponte entre a Ag_407 e os blogueiros.

Um e-mail foi disparado afirmando que, caso jornalistas perguntassem sobre remuneração, blogueiros deveriam responder que estavam nesta não pelo dinheiro, mas pela “iniciativa inovadora”e pela “maravilhosa oportunidade” de fazer o blog.

A resposta polida da Motorola se transformou em post no Blog dos Blogs, do editor do Now!, Ralphe Manzoni Jr.

Por fim, a Motorola emprestou a cada blogueiro um aparelho MotoRizor Z3 para tirar fotos e fazer vídeos para o blog, prometendo que o aparelho seria do blogueiro. O evento de moda terminou no dia 29 de janeiro.

Setenta oito dias (and counting) após o SPFW, o celular ainda não foi entregue. Jabá? Cada um escolhe se aceita ou não, mas prometer e não cumprir é, no mínimo, deplorável por parte de uma grande empresa.

Em outubro do ano passado, a Nokia, concorrente mundial da Motorola, fez uma campanha silenciosa na blogosfera, pagando para blogs como o Sedentário& Hiperativo e GameReporter para divulgar boatos sobre o tal de Mysterious Ad.

Comenta-se que a empresa pagou 500 reais a cada blogueiro pela divulgação. O buzz rendeu - veja no BlueBus, no Flickr e no Technorati.

Outras empresas já investem na blogosfera nacional com ações de marketing não tão camufladas como a Nokia - veja a Antártica e os Estúdios Fox com blogs como o Jacaré Banguela, blog do Noel e Marmota.

Até mesmo a Nissan, em sua perigosa campanha da suposta volta da banda “The Uncles” para vender o sedã Setra, recorreu à blogosfera (seria irresponsabilidade dizer se por pagamento ou não).

Na teoria, a iniciativa da Motorola é louvável. Mas sua prática enrolou-se no mesmo corporativo que empresas aplicam na hora de tratar com blogs, vistos como meios de divulgação baratos.

Mais triste ainda notar um certo deslumbramento de quem participou - veja o e-mail enviado por uma das blogueiras para “convencer” seus colegas. Assim, a seriedade se manterá a quilômetros de distância da blogosfera brasileira.

Google entra de vez nos mash-ups

mapa_google

O Google resolveu comprar a briga e derrubar um caminhão de areia sobre o tão bem recebido Yahoo Pipes: agora, qualquer usuário pode criar mash-ups no Google Maps com a mesma moleza que você limpa seu desktop.

Ao invés de apenas oferecer APIs para desenvolvedores, o buscador colocou um sistema de “arrasta-e-solta”: você acha sua casa ou trabalho, marca o ponto e coloca um texto ou foto sua.

É fácil a ponto de fazer você esquecer o Pipes por alguns dias - mesmo que ambas se proponha a mash-ups em dois sentidos diferentes para o mesmo público que não entende patavinas de programação.

O MyMaps abre precedentes para uma iniciativa similar ao Apontador, que usa a comunidade para catalogar pontos interessantes da cidade, de maneira ainda mais ampla: imagine um mash-up apenas com um roteiro gastronômico ou apartamentos para alugar com fotos em São Paulo.

Joost perto da final! mas no Brasil?

Comentário rápido aproveitando a versão 0.9 do Joost, que inundou a caixa postal dos beta testers na manhã desta terça-feira (03/04).

O programa começa a assumir sua forma final, os convites para testes estão cada vez menos escassos e até comercial o Joost já tem (que ironia linkar um comercial do Joost dentro do YouTube).

Os criadores não deram prazo, mas citaram lançamento ainda no primeiro semestre. Improvável que passe disto.

Curioso é que a propaganda do Joost, quem diria?, tem freqüentado as telas da Elemídia que povoam elevadores pelo Brasil, informa a cumadre Daniela Louise (que finalmente trouxe seu BraunCafé pro WordPress). Sinal de algo?

do youtube/google: Tina Turner + AC/DC

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=AEwlU6O9xHE]

O cumpadre Menotti já tinha avisado e seu companheiro de Atonal Ronaldo deu o vasari (é assim mesmo?): os BellRays vêm pro Brasil no dia 31 de maio tocar no Inferno, inferninho (dããããr) no meio dos puteiros da Augusta.

Li em algum lugar algum dia que os BellRays soam com se o Iggy Pop desse lugar à Tina Turner à frente dos Stooges.

É pouco. Comece pelo vídeo do cover da clássica “Highway to Hell” acima, que cumpre bem sua função de fazer você querer sair pro clube de rock mais próximo da sua casa, e depois vai ouvir “Fire in the Moon”, ok?

Se tua voz lembrar a da Tina Turner e você pretende ser band leader, mê avisa pelo e-mail, tá bom?

Unibanco e Mix Brasil no Second Life que não sai

Se você tem alguma dúvida sobre o Second Life (como eu jogo?é de graça?meu PC agüenta?pra quê eu preciso disto?), dê uma olhada no FAQ do Second Life dentro do Chá Quente.

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Novidades do tão aguardado (e cancelado) Second Life no Brasil. As fotos acima, tungadas do blog da designer Roberta Alvarenga, mostram o espaço do Mix Brasil na rede, primeiro empreendimento GLBT no Second Life.

Outra: o banco que inaugurará uma agência virtual na rede foi revelado: é o Unibanco. Faltam a construtora e a universidade.

A estréia do Second Life no Brasil, que já tem até site oficial aliás, estava prometida para o final de dezembro. Três meses se passaram e nada de versão para usuário final.

A justifica usada pela Kaizen de que são diversos os contratos em fechamento incitam uma expectativa de que São Paulo será reconstruída virtualmente antes do lançamento.

Se eu fosse você, sentava pra esperar mais um pouquinho.

Se você tem alguma dúvida sobre o Second Life (como eu jogo?é de graça?meu PC agüenta?pra quê eu preciso disto?), dê uma olhada no FAQ do Second Life dentro do Chá Quente.

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